Blog do Roberto Leite

October 14, 2007

Verdades e realidades.

Filed under: Ecologia, anedotas, economia, política, Ética — rlaf44 @ 9:04 pm

Verdades e realidades.

Hoje é domingo dia 14 de outubro de 2007.

Começa hoje o horário de verão de 2007.horario-de-verao.jpg

Só que os meus dois filhos de respectivamente dois e três anos, não sabem o que é isto. Eles levantam invariavelmente às seis horas da manhã todos os dias e invariavelmente me despertam para ir tomar café com eles.

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Eu acho isto o máximo e vou com eles à mesa de café para desfrutar com eles os primeiros momentos de cada dia. São momentos maravilhosos e que provavelmente acabarão com o crescimento deles, com as responsabilidades escolares, ou com outros compromissos de seu jovem futuro.

Depois do café, liguei a TV no Globo Rural. Acho este programa formidável e simpático.

A última seção desta manhã foi sobre uma alternativa de se conseguir água potável para o nordeste da parte árida ou semi-árida.

A água que se retira no sub-solo, ou é salgada ou salobra e causa problemas de saúde.

A reportagem sobre este assunto se localizou no Rio Grande Do Norte.

Quem quiser se informar melhor pode ler a reportagem na íntegra em:

http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,LTO0-4370-305917-1,00.html

Parece incrível que a solução pratica e permanente está tão próxima, e tão longe ao mesmo tempo para solucionar e dignificar o sofrido povo nordestino.

Já escrevi vários artigos contra a transposição do Rio São Francisco.

Uma obra a meu ver desnecessária e cara, controlada por ninguém menos do que o Agatunado Vieira Lima, com um orçamento de seis bilhões de reais e que nem começou direito, já foi alvo das TCU por irregularidades nos gastos recém começados.

Aliás, para variar 72% das obras do PAC foram questionadas por irregularidades segundo o TCU.

Quem tiver interesse, pode ler o artigo e confrontar as minhas conclusões.

Obra da transposição:

Preço estimado – 6,2 bilhões de reais, que com a tradição brasileira vai acabar muito mais caro do que isto, se acabar, pois temos historicamente obras caríssimas paradas há anos.

Custo de operação –

Consumo energético para bombear segundo projeto original 26m³ por segundo:

900 MW hora, que é quase toda a produção média de Barragem de Sobradinho.

O projeto prevê uma implantação de uma infra-estrutura 1200 km de canais para uma vazão de 127m³ por segundo, o que acontece em média no Rio São Francisco a cada quatro anos. Não existe a capacidade energética no momento para esta produção.

O projeto também prevê uma estrutura de armazenamento de água, em açudes, para normalizar o fornecimento de água durante a seca. A evaporação desta água vai consumir 30% e vai terminar nos estados do Pará e Amazonas.

O link abaixo é um documento da PUC Minas, bem escrito e responsável, sobre as considerações da transposição.

http://www.pucminas.br/jornal/materia.php?codigo=10&&pai=27&menu=926&cabecalho=1&lateral=1&PHPSESSID=cae7dee68306b6ae1d0b6409ec5662ad&codigo=120&PHPSESSID=cae7dee68306b6ae1d0b6409ec5662ad

E mais sobre a propaganda oficial sobre as obras da transposição.

O presidente Lula já disse inúmeras vezes e foi repetido pelos ministros, que o dinheiro gasto para solucionar o problema do nordestino que não tem o que beber, é dinheiro bem gasto e necessário.

E demagogicamente, disse “Eu não entendo como podem estas pessoas ficarem contra uma obra para colocar água nas residências de milhares de pessoas carentes. Seria como negar a um faminto um copo de água, tendo-se água sobrando.”

Para se colocar água nas casas de moradores do Semi-árido segundo a reportagem do

Globo Rural

Planta de dessalinização – preço médio de cada uma R$ 40.000,00

São aproximadamente 448 municípios que sistematicamente vêm sofrendo com a seca no nordeste.

Preço total para colocar uma planta dessalinizadora, em cada um dos 448 municípios que têm problemas constantes com a seca –

R$ 18 milhões de reais.

Juros de 4% ao ano sobre os seis bilhões orçados para a obra de transposição:

240 milhões de reais por ano.

Custo para colocar uma planta dessalinizadora em todos os 1.793 municípios nordestinos.

72 milhões de reais.

E de acordo com a reportagem, os dejetos salobros das plantas dessalinizadoras estão servindo para criadeiras de peixes e irrigação de uma planta australiana que serve para fonte de alimentação para o gado.

E agora Lula que apareceu uma oportunidade mais barata para solucionar o problema da seca e água nas casas das pessoas?

Esta solução não serve para políticos.

Se aparecesse alguma coisa patética, mas que custasse mais do que a transposição, iria ser adotada, pois para os políticos brasi8leiros, quanto mais caro melhor.

O dinheiro não é deles e para gastar o seu dinheiro fica fácil.

Os interesses empresariais tanto nas construções como na água a ser bombeada, é que está fomentando a existência desta obra faraônica que tem tudo para não dar certo,

Os empresários da pecuária e da indústria de frutas em terras irrigadas é que vão se beneficiar desta obra, se ela vingar, e as empreiteiras vão nadar de braçada nos superfaturamentos e os políticos nas propinas provenientes dos superfaturamentos.

Eta Brasil……..

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June 18, 2007

O Brasil e a saúva.

Filed under: Ecologia, Justiça, administração, legislação, Ética — rlaf44 @ 4:37 am

O Brasil e a saúva.

Ou o Brasil acaba com a Saúva ou a Saúva acaba com o Brasil.

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Esta frase, de autor desconhecido, era propagada com afinco nos anos 60, e hoje está comprovado que era um equívoco total por parte dos pesquisadores.

Leiam sobre a saúva aqui:

http://fgaia.org.br/texts/brasil.html

Atualmente, existe uma linha de pensamento que até explora a possibilidade de que a frase seja de autoria de uma campanha dos produtores de agrotóxicos para justificar a venda dos seus produtos.

Agora, eu vou aproveitar esta frase equivocada para construir outra parecida, mas que não vai estar nunca equivocada, e vai permanecer atual para sempre.

Retirando-se a presunção aqui vai:

“Ou o Brasil acaba com a corrupção endêmica ou a corrupção acaba com o Brasil.”

O Lula em vez de mandar investigar a fundo o mensalão, abraçou o Roberto Jefferson e disse que confiaria sua vida à ele.

Disse algo parecido com ocaso do Palocci.

Agora vem falando o mesmo do seu irmão Vavá pela segunda vez, pois este já foi investigado por tráfico de influência e a investigação foi “influenciada” pelo ex-ministro da justiça.maracutais.jpg

Agora vem o caso do Renan Calheiros, que em uma averiguação fajuta pelo congresso, apresentou provas de que financeiramente poderia estar bancando a sua ex-amante e sua filha com esta. Este não é o caso, poderia é claro que poderia, pois ganha suficiente para isto. Mas se faria é outra coisa, pois a ganância não tem limites e como a revista veja publicou, o congresso tem é que vasculhar os extratos bancários dos dois para ver se saiu de um para ir para no outro. Existem inúmeras maneiras de se fazer isto, e uma delas é pelos pagamentos do CPMF. Pelo menos este imposto indecente deveria servir para algo decente.pizza-salva-vidas.jpg

Acorda Brasil, isto tem que acabar senão estamos perdidos.

Onde tem fumaça, certamente tem fogo.

Uma coisa o Brasil tem de sobra, são bons escritores e jornalistas falando sobre este assunto.

Liam o artigo do Jarbas logo abaixo:

Opinião: Endemia da ladroagem

Jarbas passarinho escreve:

Ao pregar diante de Dom João IV e sua corte, na Igreja da Misericórdia, o padre Vieira iniciou audaciosamente o sermão dizendo ser a Capela Real, e não aquela a que assomara, porque falaria de coisas atinentes à Sua Majestade Real e não de piedade, pois nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar, com eles, os reis.

Louvado em São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, vergastou os grandes que sabia ladrões, parte deles na Corte Real. Sem nomear quem quer que fosse, muitos que o ouviam sabiam ser seus alvos. Como vários santos trataram de ladrões protegidos pelos reis, advertiu: “O que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levarem consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno”.

Concluídas as invectivas, disse estar respondendo a Sua Majestade, que lhe perguntava se havia ou não conveniência de unirem-se as duas capitanias, do Maranhão e do Pará, em um só governo ou em dois. Menos mal - disse ele - será melhor um ladrão que dois, já que é mais difícil achar dois homens de bem.

Temos, hoje, 27 governadores e 38 ministros de Estado. Padre Vieira teria de mudar seus exemplos, pensando quão difícil é indicar não dois, mas muitos homens de bem para assessorarem Suas Excelências, sem o receio de desagradáveis procedimentos que os levem, junto com os protegidos, ao inferno. Há que fugirem de tal futuro os três poderes da República, bem assim as organizações sindicais patronais, até de terceiro grau, a representar milhares de empresários.

O quadro atual da desalentadora corrupção, que parece endêmica, bem mereceria uma defesa de tese de doutorado, receita para prevenir, evitar e impedir que o inferno do padre Vieira venha a ter dificuldade de alojá-los, tantos são. A triste realidade brasileira pode ser objeto não das increpações substantivas do padre Vieira, mas as adjetivas de seu contemporâneo Souza Macedo, o verdadeiro autor de A arte de furtar.

Não temos reis para ouvir, ao lado de seus ladrões, fingindo não saber nada, mas render-se aos indícios escandalosos de desonra, de pérfido exemplo, sobretudo para os jovens. São tantos, de pertinente autoridade não honrada, que, parodiando Norberto Bobbio, já não despertam a “santa indignação” que os provocava o furto do dinheiro público.

Repetir-se-ia, séculos depois, a engenhosa imaginação de Machado ao comparar as diversas fraudes com a conjugação dos tempos e modos do verbo rápio, de que derivam nosso rapinar e o substantivo rapina. Furtam pelo modo indicativo presente, quando, noviços, louvam os veteranos nas lições de como furtar nas licitações; pelo modo imperativo, mandando terceiros receber a propina depositada nos bancos ou no cofre das secretárias dos grandes empresários, e especialmente o imperativo negativo, ao bradarem, ofendidos, nunca terem recebido propina nem conhecerem sequer o propinador; pelo conjuntivo, lobistas experientes, que conjuntam a sua argúcia ao cabedal de magistrados, negociando suas sentenças, ou ao parlamentar zeloso e habilidoso a aprovar emendas para obras em que tem generosa participação e, descarado, ainda tenta chantagear o governo a cuja bancada pertence; pelo modo permissivo porque permitem que se furte, desde que se reparta o furto; pelo modo infinitivo, quando acha pouco e pede mais; e finalmente furtam pelo modo mais-que-perfeito, construindo pontes que ligam o nada ao nada coniventes com governador.

Mas o que essa novela Gautama mais estranha são os substantivos cuja significação varia com a mudança do gênero, em que Zuleide muda em Zuleido, original na troca e nada original na arte de furtar. Tantos se anteciparam, a ele, como os graúdos petistas, por exemplo, que surrupiaram, através de um intermediário experimentado na profissão de fraudador, muitos milhões de reais e quase mais ninguém se lembra disso. Talvez porque foram modestos e não furtaram o bilhão e meio de reais que o masculino de Zuleide amealhou em inocentes relações com seis ministérios e dezenas de honestos representantes de nosso povo.

Jarbas Passarinho foi ministro, senador, governador e é escritor

Agora, temos um excelente artigo do Laurence:

Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista

A política brasileira caberia num romance de Dostoievski, mas não certamente em “Crime e Castigo”. Aqui só há o crime. Lembrei-me dessa frase lendo a primorosa crônica do jornalista Woden Madruga do último sábado sobre a “mentira” no nosso mundo (ou seria submundo?) político. Lembrei-me também que no Brasil nunca (já imagino os defensores!) ganhamos um prêmio Nobel. Vale acrescentar: em nada. Nadica de nada. Talvez muitos quisessem acabar até mesmo com a Física e a Química porque seus cientistas criaram a energia a vapor que criou a revolução industrial. Quanta, quanta picaretagem. Mas haveria um Nobel que se fosse instituído nós seriamos imbatíveis: Nobel de corrupção. Nesse nós somos Phd, com todos os “méritos”. Nesse nós exportamos “tecnologia”. O crime da corrupção, esse, esse é o nosso grande “patrimônio cultural”, acrescido do dificílimo mérito de não haver o castigo.

Lembro agora que na década de 80, Henry Kissinger, em entrevista a jornalistas brasileiros, disse que o Brasil era o maior potencial econômico do mundo. Sequer falava-se em China ou Índia. Percebam. No entanto, outra figura notável, essa do mundo das letras, Stefan Zweig escreveu um livro chamado “Brasil, o país do futuro”. O primeiro, Kissinger, hoje, ninguém mais fala. E Zweig suicidou-se. Como acréscimo aconselho a leitura do livro biográfico do jornalista Alberto Dines sobre Zweig chamado “Morte no paraíso”. O paraíso, claro, é o Brasil. O paraíso fiscal, o paraíso das incoerências, da corrupção.

Mas numa coisa eu posso concordar tanto com Kissinger quanto com Zweig. Nossas riquezas são imensas, inúmeras. Mas estão enterradas. De que valem? A questão é que para desenterrá-las nos falta cabeça. Falta “cérebro” para explorá-las. Não conheço nenhuma árvore, que sozinha produza papel, é preciso a parte do homem, para explorar a árvore, que se faz o papel que se faz o jornal, por exemplo. Mas nosso cérebro só funciona quando é para a exploração política. Exploração, mentira e corrupção. Ai, ele é imbatível. Eis a nossa civilização. Uma civilização sem culpa.

E qual a raiz a sociológica ou psicológica para não mentir? Sem dúvida, o medo da punição. Esse é outro nosso grande mérito: nós abolimos a punição. Somos um país livre. É outro nosso paradoxo. Aqui se muda de ideologia como se muda de roupa. Aqui se muda de partido sem nenhum constrangimento. E nesse momento, eu fico me perguntando para aqueles que defendem a sociedade: onde está a força da nossa sociedade para punir a mentira, o excesso? Essa sociedade é uma miragem? Ou justamente pelo (excesso) de miséria se torna manipulável? Algo natural ou premeditado?

Aqui o que temos é o Estado gastador, assistencialista e provedor. Que vai entregar casa, comida e roupa lavada. Mas sem acabar com a miséria. Percebem a contradição? É a saída marota? Os pobres se avolumam com seus pedidos porque a idéia não é acabar com a miséria e sim “explorar” a miséria. A nossa política se faz com o assistencialismo que nunca termina com a miséria. É o Estado gerador da dependência.

O incrível é que passamos mais de vinte anos de ditadura militar combatendo e criticando a dependência educacional, a dependência financeira, a dependência econômica da miséria, dos pobres ingnorantes e miseráveis. O combate, Jesus, hoje sabemos, era apenas para mudar de “dono” do Estado, ou de “dono” do poder. Resolver e acabar com a miséria pela geração de emprego e trabalho eles não querem nunca. Eles vivem de “dar” as coisas, mas esse “dar” é com o dinheiro dos outros, e pressupõe a continuação, a perpetuação da miséria. Pobre dependência.

Quem foi mesmo que disse que o homem se tornava homem quando recebia seu primeiro salário? Ah sim, foi Sartre. Ok. Mas repito: o nosso Nobel disparado seria o da corrupção. Esse é nosso eternamente.

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March 25, 2007

A PREPOTÊNCIA DO GOVERNO LULA

Filed under: ARTIGOS, Ecologia, administração, política, Ética — rlaf44 @ 6:33 pm

A prepotência do governo.

Na sexta feira passada, dia 23 de março, foi anunciado pela mídia de que foi dado pelo IBAMA a licença para construção do desvio das águas do Rio São Francisco.

O Brasil deveria estar de luto. Logo o IBAMA, subordinado ao Ministério do Meio Ambiente e à ministra Marina Lima. Como foi que se conseguiu isto? Ameaçaram a Ministra com algo terrível? Aparelharam todo o IBAMA para cuidar dos interesses do governo em vez de olhar os interesses da nação?

Existem centenas de estudos sobre a inviabilidade deste projeto louco e sem a menor chance de dar certo. A verba orçada para este projeto de 6,2 bilhões de reais, será toda desviada para campanhas políticas e benefícios sociais para os políticos.

Depois de comprovadas as inúmeras corrupções na SUDENE, e sem saber como lidar com tanto desvio, o governo FHC, acabou comeste órgão que roubava toda as verbas para a indústria da seca. Com ele e já tarde, foi também desarticulado o DNOCS. Desta forma se inibiu um pouco a roubalheira. O que faz o governo (?) Lula?

Recria os dois órgãos para beneficiar apoiadores políticos de seu governo.

E são estes órgãos que vão administrar esta fantástica verba para a construção destas obra faraônica que está natimorta.

Que a maioria dos brasileiros esta totalmente desinformada sobre assuntos técnicos e políticos, é fato conhecido. Apostando nisto os políticos espertalhões, dão os seus golpes e conseguem o apoio da cidadania enganada pela falsidade das informações, e conseguem seus intentos para os ganhos pessoais.

Mas isto tem que acabar, existe artigos e mais artigos escritos por pessoas de conhecimento técnico, que devem ter peso considerável nas decisões do governo em gastar dinheiro para destruir um patrimônio histórico, como o Rio São Francisco.

A quem serve a transposição do São Francisco?,

24-02-2005

A quem serve a transposição do São Francisco?, artigo de Aziz Ab’Saber Aziz apresentou este texto no debate na ‘Folha de SP’ sobre a transposição do Rio São Francisco, em que se manifestou contrário à obra Aziz Ab’Sáber é geógrafo, professor-emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, professor convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP, ex-presidente e presidente de honra da SBPC. Artigo publicado pela ‘Folha de SP’:

É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas idéias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas.

Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.

Tem faltado a eventuais membros do primeiro escalão dos governos qualquer compromisso com planificação metódica e integrativa, baseada em bons conhecimentos sobre o mundo real de uma sociedade prenhe de desigualdades.

Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Pessoalmente, estou cansado de ouvir propostas ocasionais, mal pensadas, dirigidas a altas lideranças governamentais.

Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar.

Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil. Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do país, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo.

O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte.

Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.

Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio -Paulo Afonso, Itaparica, Xingó.

Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.

De forma que o novo projeto não pode, em hipótese alguma, prejudicar o mais antigo, que reconhecidamente é de uma importância areolar. Mas parece que ninguém no Brasil se preocupa em saber nada de planejamentos pontuais, lineares e areolares. Nem tampouco em saber quanto o projeto de interesse macrorregional vai interessar para os projetos lineares em pauta.

Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas? Uma interrogação indispensável em qualquer projeto que envolve grandes recursos, sensibilidade social e honestas aplicações dos métodos disponíveis para previsão de impactos.

Os ‘vazanteiros’ que fazem horticultura no leito dos rios que ‘cortam’ -que perdem fluxo durante o ano- serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: ‘A cultura de vazante já era’.

Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados.

De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm. É possível termos água disponível para o gado e continuarmos com pouca água para o homem habitante do sertão.

Nesse sentido, os maiores beneficiários serão os proprietários de terra, residentes longe, em apartamentos luxuosos em grandes centros urbanos.

Sobre a viabilidade ambiental pouca coisa se pode adiantar, a não ser a falta de conhecimentos sobre a dinâmica climática e a periodicidade do rio que vai perder água e dos rios intermitentes-sazonários que vão receber filetes das águas transpostas.

Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste.

No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses. Trata-se porém do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. Trata-se de um impasse paradoxal, do qual, até agora, não se falou.

Por outro lado, se esta água tiver que ser elevada ao chegar a região final de seu uso, para desde um ponto mais alto descer e promover alguma irrigação por gravidade, o processo todo aumentará ainda mais a demanda regional por energia.

E, ainda noutra direção, como se evitará uma grande evaporação desta água que atravessará o domínio da caatinga, onde o índice de evaporação é o maior de todos? Eis outro ponto obscuro, não tratado pelos arautos da transposição.

A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes.

Existindo dinheiro - em uma época de escassez generalizada para projetos necessários e de valor certo -, todos julgam que deve ser democrática a oferta de serviços, se possível bem rentosos. Será assim, repetindo fatos do passado, que acontecerá a disputa pelos R$ 2 bilhões pretendidos para o começo das obras.

O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da chapada do Araripe -com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política. No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.
(Folha de SP, 20/2)

Existe até estudos onde a dessalinização das águas do Oceano Atlântico, para abastecer o nordeste brasileiro com água potável seria muito mais viável e barata e com mais possibilidades de sucesso do que simplesmente acabar com um rio maravilhoso em um projeto faraônico e impensado.

Outro dia assisti a uma entrevista de um técnico do governo confirmando que os estudos de engenharia podem demonstrar a viabilidade do projeto.

Tudo bem eu sou engenheiro e poderia fazer um projeto destes sem sair de casa.

Pode-se fazer um projeto de uma aeronave que sem dúvida alguma poderá voar.

Se não se fizer também um projeto para o aeroporto para esta aeronave, que é o projeto de viabilidade geral do projeto da aeronave, mecanicamente La pode voar mas não vai sair do hangar por falta do projeto.

Para o projeto da transposição do São Francisco se usaram como medidas de cálculo a média de vazão do rio nos últimos 10 anos. Para um projeto destes, isto não vai funcionar porque durante as cheias do rio não se precisa irrigar a região nordestina porque nesta época os rios de lá também estarão cheios. Para este projeto deveria ser levado em consideração os períodos de vazão mínima do Rio São Francisco. Feito desta forma se verificará que a região não terá energia suficiente para tocar as bombas e nem água suficiente para bombear. Este é um projeto falido. Este é um avião sem pista para decolar ou pousar.

E esta consideração é a parte mecânica do projeto.

A licença ambiental concedida leva a entender que o Rio São Francisco está todo despoluído e com seus afluentes em ordem.

Mentira, um de seu principal afluente, o rio Paracatu, um rio anteriormente caudaloso e até perigoso, devida ao volume de água e a profundidade, está totalmente assoreado e vazio. Pode-se atravessar este rio a pé em qualquer lugar. Visitei este rio recentemente e fiquei triste pelas condições que encontrei.

O São Francisco em Pirapora/MG, um dor principais portos deste rio, somente é navegável em período chuvoso e as praias do rio têm quilômetros de largura, devido ao assoreamento das margens.

E o IBAMA agora dá uma licença ambiental para seguir a destruição do Rio São Francisco. E o governo mentiroso do Lula que prometeu ao Bispo Cáppio, que iria fazer uma revitalização do rio antes da consideração do desvio e não fez nada pois os afluentes estão assoreados e poluídos, as matas ciliares não existentes e as nascentes comprometidas estando a maioria morta ou quase morta.

Esta posição do IBAMA deveria ser investigada pelo MP, para saber se houve pressão para coagir a emissão desta licença.

Os links abaixo nos dão uma idéia sobre o estado do rio e as possibilidades desta obra com os danos previstos. Evidentemente o IBAMA nunca leu nada a respeito.

http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/fran.html

http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/simposio.html

http://www.educacional.com.br/noticiacomentada/051007not01.asp

A maioria destes artigos foi escrita entre 1998 e 2002 e a situação desde então piorou, mas o IBAMA finge que não vê e não sabe.

Como podem observar os links superiores são de órgãos governamentais e os artigos são escritos por profissionais do assunto e nem assim o IBAMA sabe.

Saber ele sabe como o Lula que apesar de saber a origem do dinheiro do dossiê fingiu não saber de nada. O IBAMA aprendeu a mentir, mas vai ficar desmascarado.

March 19, 2007

Duas mortes iminentes?…

Filed under: ARTIGOS, Ecologia, Justiça, administração, notícias, política, Ética — rlaf44 @ 10:54 pm

Duas condenações à morte? Sem nenhuma apelação?

Uma do Bispo Cáppio outra do velho Chico.

Nos dois links abaixo, escrevi e publiquei artigos contra o famigerado projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.

http://robertoleite.assisfonseca.com.br/?p=150 –o velho Chico e o bispo

http://robertoleite.assisfonseca.com.br/?cat=26- projeto mirabolante

Este projeto, já nasceu como o tal PAC, natimorto, pois os estudos existentes, por vários órgãos responsáveis mostram a inviabilidade deste projeto monstruoso e idiota que o presidente também monstruoso e idiota vai tentar levar em frente na marra.

Sua ganância é insaciável e estes cinco ou seis bilhões de reais que estão orçados para o projeto falam mais alto em sua ética (?) do que o bom senso e os estudos técnicos de viabilidade sobre o assunto.

Para ele, apedeuta, não importa a morte do Bispo Cáppio que provavelmente ocorrerá, e também a morte lenta do Rio São Francisco que também provavelmente ocorrerá. Para ele apedeuta com sua tradição sindical, o que importa e unicamente o que importa é o imediato resultado das comissões e desvios desta enorme verba para este projeto mirabolante. Pelas tradições brasileiras em projetos desta natureza se foi orçado em seis bilhões, vai terminar em quinze ou vinte bilhões sem resultado prático e seus amigos, sua conta bancaria seu filhinho empresário todos vão se beneficiar destas mortes impunes, e deste enorme orçamento.

O reaparecimento da SUDENE e do DNOS, durante este governo calhorda, foi planejada e desejada para comandar e distribuir esta enorme verba.

Eta Brasil…..!!!!

Recebi um Email de minha irmã Sônia que mora em BH/MG sobre este assunto e vou publicar na íntegra porque está bom e dentro da parte responsável que ainda resta de bom no Brasil.

Não sei se vai dar resultado, mas vamos fazer pressão.

?gua mole em pedra dura (cabeça e ética do Lula) tanto dá até que fura.

Vejam agora o Email da Sônia:

Paulo Nogueira Batista - Jornal A Tarde (15/03/2007)

Dom Luiz e o São Francisco

Retomo um tema que sempre me causa certa angústia. Anteontem, o governo publicou no Diário Oficial o edital para o início das obras do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco. Estão previstos gastos de R$3,3 bilhões para as obras. O governo estima que a despesa total alcance R$6,6 bilhões, incluindo, além da construção de canais, gastos com projetos executivos, supervisão das obras e aquisição de equipamentos, entre outros. Desde o início da semana, centenas de representantes de movimentos sociais estão acampados em Brasília, reivindicando a retomada do diálogo com o governo, a revitalização do São Francisco e o arquivamento do projeto de transposição.

A minha atenção para o drama do São Francisco e das populações que dele dependem foi despertada pela greve de fome realizada pelo bispo Luiz Flávio Cappio em outubro de 2005, em Cabrobó. A greve foi suspensa por acordo negociado pelo então ministro Jaques Wagner, atual governador da Bahia. O ponto mais importante do acordo foi a promessa do governo de “prolongar o debate” sobre a transposição das águas do São Francisco, “ainda na fase anterior ao início de obras, para o esclarecimento amplo de questões que ainda suscitem dúvidas e divergências”, conforme documento negociado com dom Luiz pelo ministro Wagner e aprovado pelo presidente Lula.

Até onde sei, esse debate apenas começou. O ano de 2006, dominado pelas eleições, não foi propício ao aprofundamento da discussão.

A polêmica é intensa e o projeto vem dividindo o Nordeste. Em artigo publicado há poucos dias pela Agência Carta Maior, Leonardo Boff advertiu que, se o governo levar adiante o projeto sem levar em conta a existência de alternativas que muitos especialistas consideram mais baratas e socialmente mais eficazes, “podemos contar com nova greve de fome do bispo”. E acrescentou: “Entre o povo que não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas, dom Luiz ficará do lado do povo. E irá até o fim. Então, a transposição será aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico.

Estará o governo disposto a carregar esta pecha pelo futuro afora?”.

Um bispo “santo e evangélico”.

Em minha vida, já conheci homens de grande espírito público (Octávio Gouvêa de Bulhões e meu pai, por exemplo), já conheci figuras heróicas (Dilson Funaro), mas devo dizer que nunca havia conhecido um santo, o que não é de espantar, dada a extraordinária raridade do fenômeno. No ano passado, contudo, tive a honra de me encontrar diversas vezes com dom Luiz. Quem sou eu para dizer quem é ou não é santo? Mas Leonardo Boff tem autoridade e conhecimento para tal. Conhece dom Luiz há muito tempo, foi seu professor no seminário de teologia em Petrópolis, no início dos anos 70, e tornou-se seu amigo e admirador. Desde aquela época, relembrou Boff em artigo escrito na época da greve de fome, dom Luiz se destacava por “uma aura de simplicidade e santidade”.

No final de fevereiro, dom Luiz esteve em Brasília para protocolar carta ao presidente da República. A sua disposição é retomar o debate sobre o São Francisco e as soluções para o Semi-árido.

Nessa carta, o bispo observa, por exemplo, que a Agência Nacional de ?guas propõe 530 obras para solucionar os problemas de abastecimento hídrico até 2015 em todos os núcleos urbanos com mais de cinco mil habitantes do Semi-árido. “Essas obras beneficiariam as populações mais necessitadas e custariam R$ 3,6 bilhões, sendo portanto mais baratas, mais abrangentes, mais eficientes do que qualquer obra de transposição hídrica”, argumenta.

Dom Luiz não faz ameaças. Pede apenas “que se retome o diálogo e que se garanta que seja amplo, transparente, verdadeiro e participativo, incluindo toda a sociedade do São Francisco e do Semi-árido, conforme foi pactuado em Cabrobó em outubro de 2005″.

Se as dúvidas são tantas, se há tanta incerteza sobre os méritos do projeto de transposição, esse apelo precisa ser atendido. Trata-se de cumprir o que foi acordado pelo governo, em negociação difícil e até dramática, graças à qual se preservou a vida de dom Luiz e se abriu a perspectiva, ainda não concretizada, de uma discussão profunda sobre a transposição e as alternativas.

“A minha atenção para o drama do São Francisco e das populações que dele dependem foi despertada pela greve de fome realizada pelo bispo Luiz Flávio Cappio”

Transposição das águas do Rio São Francisco: Um novo desfile e a mesma fantasia, por Washington Novaes

5/03/2007

[O Estado de S. Paulo] Haja fôlego, paciência, persistência. Há uns 15 anos vem o autor destas linhas transcrevendo periodicamente graves questões levantadas por cientistas, administradores públicos, Tribunais de Contas, a respeito do famigerado projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. A todas responde a administração federal - quando responde - com argumentos do tipo “não se pode negar uma caneca de água a 12 milhões de vítimas da seca”. E vai em frente, até que surja uma nova barreira - como foi a greve de fome do bispo dom Luiz Flávio Cappio.

Agora, esquecido o bispo e derrubadas na Justiça medidas liminares, anuncia o ministério da Integração Nacional que fará imediatamente licitações (no valor aproximado de R$ 100 milhões) para contratar empresas que façam os projetos executivos da obra, orçada em R$ 6,6 bilhões nesta etapa. E o bispo manda nova carta ao presidente, lembrando que o Tribunal de Contas da União diz que o projeto não beneficiará o número de pessoas que se alardeia, que a Agência Nacional de ?guas propõe obras em 530 municípios para solucionar os mesmos problemas com metade dos recursos previstos para a transposição e que populações a 500 metros do rio continuarão, apesar da transposição, a sofrer com a falta de água. Já o Comitê de Gestão da bacia (que por 44 votos a 2 foi contra a transposição) diz que esta atende a menos de 20% do semi-árido, que 44% da população do meio rural continuará sem acesso a água - “exatamente os que mais precisam” - e que a revitalização do rio prometida pelo ministério da Integração Nacional precisa “sair do campo da retórica”. E o ministério Público volta a recorrer à Justiça, lembrando que nos termos da Constituição, por atingir terras indígenas, a obra precisa de autorização do Congresso Nacional, o que ainda não aconteceu.

Como já foi dito aqui, parece uma assombração que some e reaparece de tempos em tempos. Sem falar no governo imperial, foi no começo da década de 1980, ainda nos tempos do “Brasil Grande” da ditadura militar, que o projeto ressuscitou, para uma vida muito breve. Pouco mais de uma década depois, embora o então ministro do Meio Ambiente Rubens Ricupero dissesse que o São Francisco já era “um rio ameaçado de extinção”, por causa do desmatamento nas regiões onde nascem e por onde passam seus formadores, o ministério do Interior voltou à carga, com um projeto de transpor 150 metros cúbicos por segundo, a um custo de US$ 1,5 bilhão. Mas ele foi fulminado por um parecer do Tribunal de Contas da União, que mostrava ser um fantasma esdrúxulo, pois o ministério do planejamento dele não sabia, assim como os ministérios da Agricultura (que cuida de irrigação), da Reforma Agrária e da Fazenda (que libera recursos). Além disso, o projeto implicava prejuízos de US$ 1 bilhão anuais na geração de energia, inviabilizava mais áreas para irrigação a montante do que beneficiava a jusante e concentrava os benefícios num pequeno número de grandes produtores rurais.

Foi para o limbo até 1998, quando ressurgiu em nova versão de túneis que levariam água para o abastecimento de cidades, ao custo de US$ 700 milhões. Durou pouco a reaparição. Mas já estava de volta no final de 2000, numa versão em que 127 metros por segundo transpostos beneficiariam 8 milhões de pessoas e o abastecimento de água de 268 cidades, além de irrigar 260 mil hectares. O professor Aziz Ab’Saber, da USP, lembrou na época que os beneficiados seriam menos de um terço das vítimas da seca (27 milhões). A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) observou que pelo menos 30% da água se perderia por evaporação. E a Cáritas mostrou que a solução para comunidades isoladas está na implantação de cisternas de placa (das quais já há 160 mil), não na transposição, que não chegaria a esses lugares.

Levou algum tempo para recuperar-se o combalido. Mas retornou em 2003. Dessa vez, teve a oposição do Comitê de Gestão da bacia, da CNBB, da OAB, das arquidioceses à beira-rio. Custaria R$ 4,2 bilhões para uma transposição de 53 metros cúbicos por segundo. Vários especialistas (professor Aldo Rebouças, da USP, professor Abner Curado, da UFRN, professor João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, entre muitos) mostraram a desnecessidade: o problema no semi-árido é de gestão, não de escassez.

Mesmo levantando mais de 40 questões, o Ibama concedeu em 2005 licença prévia. Sabendo que 70% da água seria para irrigação e 26% para o abastecimento de cidades, e não para proporcionar “uma caneca de água para as vítimas da seca”. Que não estava equacionada a questão dos subsídios necessários para uma água que poderia custar até cinco vezes mais que a então disponível. Que a maior parte da água transposta iria para açudes onde se perde até 75% por evaporação. Que havia enormes discrepâncias a cada citação do número de beneficiados (12 milhões? 7,24 milhões? 9,02 milhões? 7,21 milhões?) e dos hectares irrigados (161 mil? 186 mil?). Mais grave que tudo: o próprio estudo de impacto ambiental dizia que 20% dos solos que se pretendia irrigar “têm limitações para uso agrícola”; e “somados aos solos líticos, notadamente impróprios, respondem por mais de 50% do total” das terras que seriam irrigadas. Não bastasse, “62% dos solos precisam de controle, por causa da forte tendência à erosão”. Ainda assim, concedeu licença prévia ao projeto, pois as objeções do Comitê de Gestão haviam sido ignoradas pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde o governo federal, sozinho, tem a maioria dos votos.

Agora, o velho abantesma retorna à avenida, sem responder a nenhuma das muitas questões levantadas principalmente por cientistas.

E retorna com a mesma fantasia.

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

( www.ecodebate.com.br ) artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo - 02/03/2007

Se você é contra a Transposição do Rio São Francisco escreva para os deputados no site:

www2.camara.gov.br/internet/popular/falecomdeputado.html/

Ou mande diretamente para o presidente mostrando a sua posição:

https://sistema.planalto.gov.br/falepr/exec/index.cfm?acao=email.formulario&CFID=1006323&CFTOKEN=88203168

February 24, 2007

PROJETO MIRABOLANTE.

Filed under: Ecologia, Ética — rlaf44 @ 10:07 pm

Projeto Mirabolante e sem respaldo ciêntífico.

Hoje estava eu comentando com o Maurício, um amigo meu sobre o artigo anterior sobre o Bispo e o Chico, quando ele me disse que o Bisbo estava errado e que a água retirada do rio para abastecimento e irrigação, era apenas a água que já havia cumprido a sua função e depois estava indo para o mar. Ele disse que aquilo era demagogia barata e aquilo era vontade de aparecer como estas ONGs da vida.

Sem ter no momento argumento sobre o assunto, resolvi pesquisar um pouco e verifiquei que não é bem assim não.

A verdade, é que o ponto escolhido para extração da água fica entre as represas de Sobradinho e Xindó, restando entre o ponto de captação e o mar, dois sistemas de geração de energia, essenciais para a demanda energética do Nordeste e que já estão estressados ao máximo. Para se ter uma idéia, a estação geradora de Paulo Afonso, perderá com a captação desta água na quantidade especificada no projeto, um potencial energético que daria para uma cidade de 35.000 habitantes.

http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/simposio.html

Esta P?GINA ACIMA É UM ARTIGO RETIRADO DE:

http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/fran.html

Outra página no assunto, e muito interessante é:

http://www.educacional.com.br/noticiacomentada/051007not01.asp

Entre outros artigos lidos, verifiquei mais uma vez o perigo desta obra, que não vai beneficiar o Brasil mas sim terras e bolsos de políticos em detrimento do país.

Dizem que em terras férteis irrigadas com as águas do Chico serão criados milhares de empregos e que desta forma uma parte da constante migração nordestina ficaria contida.

Estes tão famosos empregos mencionados podem até ser verdade, mas serão subempregos onde se paga e quando pagam, um salário apenas.

Esta possibilidade de emprego também é desfavorável à outras opções como:

  1. Empregar pessoas para restabelecer as matas ciliares do Rio São Francisco.
  2. Empregar pessoas para trabalhar desassoreando o Rio São Francisco.
  3. Empregar pessoas para trabalhar despoluindo o Rio São Francisco e afluentes.
  4. Empregar pessoas para construir eclusas e cascatas para a vida fluvial poder desfrutar todo o rio como antes.
  5. Empregar pessoas para fazerem propaganda e falar sobre o projeto de revitalização viável do Rio São Francisco.

Poderia eu ficar falando sobre projetos que deveriam ser feitos antes de uma captação a toque de caixa como a proposta do governo, e que dariam muito mais resultados a médio e a longo prazo do que esta idéia de sangrar um rio agonizante, para pagar dividendos para políticos gananciosos e corruptos.

Tem mais polêmica sobre este assunto em:

http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article200

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto de integração do rio São Francisco “é uma questão humanitária?, pois ele foi concebido para “garantir que o povo nordestino, que tem outros problemas, não tenha o (problema) de água para beber?.

Este presidente adora estas palestras de efeito como o programa fome Zero, que acabou sendo o oposto do problema no Brasil. O maior problema do brasileiro não é a fome, mas a obesidade. Isto foi uma pesquisa do IBGE que é órgão do governo federal.

Os cinco bilhões, orçado para esta obra, será conforme norma nacional:

  1. Superfaturado.
  2. Negligenciado.
  3. Prazos indefinidos e não cumpridos.
  4. Cabide de emprego para filhos e parentes de políticos.
  5. E tudo isto para ajudar a matar o Rio São Francisco.

Um outro dado que acabei descobrindo enquanto pesquisava sobre o assunto:

    • A quantidade de energia necessária para bombear a quantidade de água proposta seria pouco menos do que a produção energética da Usina de Sobradinho/BA em pleno funcionamento. Se houver um período de seca semelhante ao ocorrido em 2000, não haveria nem energia para bombear água e nem água para ser bombeada.
    • Haveria, no entanto, políticos como o nosso presidente bem contentes com estas verba enorme e imunda que seria gasta com um projeto mirabolante que seria implementado antes da revitalização do Rio como foi prometido pelo presidente mentiroso Lula da Silva ao Bispo Cappio.

Roberto Leite em 24 de fevereiro de 2004.

February 22, 2007

O Bispo e o Velho Chico

Filed under: Ecologia, política, Ética — rlaf44 @ 10:51 am

O Bispo e o Velho Chico

Nos Estados Unidos já foram feitas obras caríssimas para a modificação da geografia original. Poucas destas obras deram certo.

O rio Colorado, uma vez foi desviado para irrigar as terras áridas do deserto da Califórnia chamado Vale Imperial.

O corpo de engenheiros do exercito, no fim do século XIX e início do XX, construíram um desvio do Rio Colorado, para irrigar as terras férteis, porém áridas do Vale Imperial.

Em 1905, uma enchente de proporções muito maiores do que a prevista derrubou a barreira de controle do desvio e quase todo o Rio Colorado despejou para dentro do vale.

Este vale está 65 metros abaixo do nível do mar e o desastre ecológico que poderia ser se o rio Colorado enchesse todo ele, seria difícil de prever. Os engenheiros do exercito, levaram quase dois anos para retornar o Colorado ao seu antigo leito. Neste período, o antigo colorado que abastecia parte do norte do México e desaguava na Bahia de Baja Califórnia, secou causando um enorme prejuízo aos Mexicanos, e que é recompensado até hoje pelos EEUU.

No tempo em que ficou jorrando para dentro do vale, o Colorado formou um enorme lago, que se chama “Salton Sea?. (mar Salton)

http://en.wikipedia.org/wiki/Salton_Sea

É o maior lago em Califórnia, mas tem muitos problemas ecológicos e tem que ser cuidado constantemente.

Outro problema causado pela mudança geográfica feita pelo homem nos EEUU, foi a drenagem das “Everglades?. As Everglades são umas terras alagadas no sul da Florida, muito parecidas com as terras do Pantanal. A biodiversidade nelas também é parecida com a do pantanal.

Em 1947, uma drenagem sistemática foi iniciada por ingerência do governo americano para aproveitamento para a agricultura das terras alagadas.

Vários canais, de diferentes tamanhos foram abertos e barragens foram feitas para desviar a água e direcionada para o oceano Atlântico ou o golfo do México.

Para a agricultura deu certo, as terras muito férteis, deram frutos e a produção agrícola da Florida aumentou e seu clima ameno proporcionou a possibilidade de cultivo o ano inteiro. Mas, para a ecologia foi um desastre, várias espécies de pássaros e animais foram extintos. As plantas também e com o enfraquecimento do ecossistema, plantas estrangeiras principalmente da Amazônia, invadiram este sistema enfraquecido pelo homem e progrediram se tornando praga e matando as espécies nativas. Não fosse o bastante, com a retirada da água doce das terras, o subsolo foi ocupado pelo, mar salgado que cerca as terras da Florida e todos os poços se tornaram salgados e água potável ficou escassa. Hoje, o corpo de engenheiros do exercito americano está desfazendo o que foi feito e tentando restaurar o estado original das coisas com um custo de bilhões de dólares.

http://en.wikipedia.org/wiki/Everglades

Estou citando os EEUU, por serem os mais ricos e onde as coisas mal sucedidas podem às vezes ser refeitas. Na Europa existem centenas de exemplos onde o homem tentou mudar a geografia e não deu certo. Na ?sia também e por aí vai.

Voltando ao nosso Brasil.

Encontrei hoje nas páginas noticiosas, uma referencia ao Bispo D. Luiz Flávio Cappio, que fez uma demonstração contra o desvio do Rio São Francisco para irrigar terras áridas do nordeste brasileiro. Ele fez uma greve de fome e o desvio ficou para depois.

Ele pedia apenas que o rio fosse tratado e sanado dos séculos de ofensas, antes de ser sangrado. O que ele pedia era e é o mínimo antes de se cometer o assassinato deste rio maravilhoso, que um dia se chamou o Rio da Unidade Nacional. O velho Chico já tem inúmeras barragens antiecológicas, está todo assoreado, não tem quase matas ciliares, e sobrevive por ter uma nobreza enorme. Não satisfeitos com este martírio ao rio, os engenhosos brasileiros (leia-se políticos nordestinos com interesse na transposição e nas terras a serem irrigadas), inventaram esta transposição que sem dúvida será um enorme gasto de dinheiro público com os seus desvios e superfaturamentos de praxe, e que não foi totalmente estudado e que tem mais chance de não dar certo do que o desvio do Rio Colorado nos EEUU. Como já foi mencionado, após o protesto do Bispo Cappio, o desvio ficou para depois e o depois é agora, com um novo governo irresponsável e um plano já falido denominado PAC.

Plano para Acabar com o Chico.

Eu estou muito mais radical do que o Bispo, eu sou de opinião que se deva sim restaurar as matas ciliares e criar eclusas nas barragens, subidas para os peixes, dragar os assoreamentos, despoluir os afluentes e em geral restaurar parte da antiga saúde do Chico. E só. Não fazer esta besteira de transposição nunca, porque a história mostra que terá que ser desfeito depois.

Apesar de a mídia ter também notícias contra atitude do Bispo Cappio,

este autor elogia a coragem e a dignidade desta pessoa que tomou as dores

e a defesa do Velho Chico

– Parabéns –

E continue sempre.

Leia agora a reportagem que gerou o artigo acima:

Bispo retoma polêmica sobre obra no Rio São Francisco

D. Luiz Flávio Cappio deve protocolar carta cobrando debate público sobre projeto

Leonencio Nossa

AE

D. Luiz Flávio Cappio

BRAS?LIA - O bispo de Barra, na Bahia, d. Luiz Flávio Cappio, protocola nesta quinta-feira, 22, no Palácio do Planalto uma carta cobrando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um debate público sobre o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.

Em 2005, Cappio ficou conhecido no País por ficar 11 dias em greve de fome contra as mudanças no curso do rio. A obra, que ficou inviabilizada por meio de liminares na Justiça, é uma das prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

A greve de fome de Cappio, numa capela de Cabrobó, no semi-árido pernambucano, levou o governo a suspender o início das obras. Depois, a Justiça impediu os trabalhos dos técnicos. Numa audiência no Palácio do Planalto no dia 15 de dezembro de 2005, Lula disse ao bispo que estava aberto ao debate sobre a transposição, mas não iria deixar de fazer as obras.

À época, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Santa Sé criticaram Cappio pela greve de fome. O religioso disse em entrevistas que não temia ameaças, especialmente do Vaticano.

Cappio conta agora com o apoio de dois governadores aliados de Lula. Jacques Wagner, da Bahia, e Marcelo Déda, de Sergipe, avisaram ao Planalto que não aceitam a transposição. Lula costuma dizer que Bahia e Sergipe deveriam olhar mais para o problema da falta de água em Estados como Ceará e Rio Grande do Norte, que seriam beneficiados com o projeto do São Francisco.

Em janeiro passado, numa visita à cidade cearense de Crateús, o presidente voltou a defender as obras. “Não é possível que milhões de brasileiros continuem vendo seu cabritinho morrer, vendo as famílias passarem necessidade, porque não tem água”, afirmou, à época, o presidente. “Então nós vamos fazer agora”.

Na carta, segundo pessoas próximas do religioso, Cappio observará que setores do próprio governo não mencionam a transposição como alternativa para acabar com a falta de água no semi-árido. O bispo conta com o apoio de entidades da área do meio ambiente. Ambientalistas e lideranças comunitárias argumentam que o projeto do governo não contempla a revitalização do São Francisco e medidas para conter a destruição da vegetação das margens do rio.

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