Blog do Roberto Leite

March 15, 2009

Acordei invocado.

Filed under: ABOBRINHAS, ARTIGOS, governo, política, Ética — rlaf44 @ 7:19 pm

Acordei invocado.garfield

Esta é uma das frases preferidas do Lula, quando se encontra em algum problema e não tem alguma resposta apropriada.

Realmente, ele não tem resposta para quase nada, gosta de fazer metáforas idiotas, como a do “SIFU”, ou a do J. Bush, onde disse que acordou invocado e ligou para o Bush.

Pode ser que para alguns de seus eleitores com pouca educação isto possa parecer verdade, mas a realidade é que para ligar para o Bush, primeiro tinha que falar inglês o que o Lula não fala, e nem o bush fala português. Aí a mentira cai por terra ou caiu antes de ser anunciada.

Mas algo o Lula está fazendo certo, não sei bem o que será, mas 85% de aprovação de seu governo está duro de engolir.

Hoje lendo o Blog da Adriana, (http://www.prosaepolitica.com.br/) encontrei este artigo do Chico Bruno que está muito bem escrito e atual de verdade.

Leiam o Texto do Chico:

ppernas-curtasÉ por isso que acordei invocado

Por Chico Bruno

Hoje acordei invocado, como diz o presidente que nos guia. Passei uma vista d’olhos nas primeiras páginas dos jornalões e fiquei mais invocado ainda.

É que as manchetes dos paulistas Folha e Estadão e do carioca JB tratam de dar vazão a megalomania lulista. Nosso Guia, como diz o Elio Gaspari, antes de tomar o Aerolula arrotou um monte de bravatas para cima do presidente dos EUA.

Ora, todo mundo que tem juízo, sabe que Lula fala da boca para fora, que ao ficar frente a frente com Obama vai se comportar como manda o figurino de todos os presidentes de todos os presidentes brasileiros que bateram as portas da Casa Branca.

No popular, vai colocar o galho dentro ou o rabo entre as pernas. É assim que as coisas funcionam.

A nossa metamorfose ambulante saiu do país ciscando para dentro e quando chegar a Casa Branca vai ciscar para fora. Vale frisar, que o verbo ciscar foi reintroduzido pelo Collor no linguajar diário do país, no momento em que ele era reintroduzido no noticiário graças ao perdão de Lula aos seus antigos desafetos. Interessante que a cada dia essa lista só cresce.

A jornalista Mônica Bergamo publicou que o Lula anda descendo a ripa no camarada Fidel pelo tratamento dado a dois ministros exonerados pelo Raul Castro. Isso é apenas uma amostra da megalomania que atinge a nossa metamorfose ambulante.

A última piada do governo é a criação da carteirinha do torcedor, o que me deixou muito irritado, por que descobri que a idéia foi vendida ao Orlandinho, aquele que é ministro do Esporte por obra e graça do PC do B, por um lobista de uma empresa que fornece torniquetes e cartões magnéticos para universidades e colégios particulares só permitirem o ingresso as aulas de quem esteja em dia com as mensalidades.

Imaginem quando esse pessoal vai faturar e quando vai render para a próxima campanha eleitoral.

A sacanagem vai funcionar assim:dando-instrucoes

Cada torcedor vai se cadastrar e receber uma carteirinha. De posse do “documento” ele vai comprar o ingresso (cartão magnético) em qualquer casa lotérica, que carregará eletronicamente, como ocorre com um telefone celular, o dito cujo.

Como a divisão do bolo é grande, o cartão magnético será de uso obrigatório para todas as pessoas que quiserem frequentar estádios com capacidade superior a 10 mil a partir do Brasileiro de 2010, valendo para as séries A e B, pois abaixo disso não valerá a pena.

Agora, imaginem se isso não é abolir o direito de ir e vir aos estádios.

É por essas e outras sacanagens, como a insistência da VEJA em misturar alhos com bugalhos no que tange a Operação Satiagraha, como esclarece o jornalista Leandro Fortes, em matéria (abaixo) na Carta Capital, que acordei invocado e com vontade de distribuir bordoadas a torto e a direito.

É mole ou quer mais! Se quiser veja o vídeo.

Memória: Visita de Lula a Bush não rendeu nada

O primeiro encontro do presidente Lula com o então presidente dos EUA George W. Bush, em 20 de junho de 2003, terminou sem resultados concretos.

O Brasil prometeu “cooperar para a conclusão exitosa” da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) até 2005, o que não aconteceu, e pediu apoio para obter uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, que nunca se concretizou.

Bush disse a Lula que os dois tinham de mudar sua imagem: “Você, de esquerdista que não entende de economia, e eu, de fanático que não tem interesse pelo social”. O brasileiro foi o primeiro presidente de um país a se opor à Guerra no Iraque a encontrar Bush após a invasão.

Lula disse a ele que a relação entre os países poderia “surpreender o mundo” e o convidou a visitar o Brasil, que, “além de Carnaval e futebol, tem coisas maravilhosas”. Bush riu e afirmou que Lula tinha “um grande coração”. (Folha de São Paulo)

conversa-com-obama

October 26, 2008

Podem escrever….

Filed under: ABOBRINHAS, ARTIGOS, CRISE ECONÔMICA, anedotas, governo, política — rlaf44 @ 11:58 am

Podem escrever….

Quando perguntaram ao Lula sobre as eleições em São Paulo para prefeito, ele saiu com esta:

“- Vocês podem escrever isto, a próxima prefeita de São Paulo será a Marta.”

Isto é uma afirmativa muito forte, para quem sabia que nas pesquisas de preferência, naquele momento, a Marta andava mal, uns 16 pontos abaixo de seu opositor o atual prefeito Kasab.

Ou o Lula não acredita nas pesquisas, onde ele tem uma aprovação de 80% (eu não acredito também), ou ele sabe que de uma forma ou de outra eles vão virar a mesa e ganhar na marra.

Isto me faz lembrar uma anedota muito contada em Nova York.

Nos Estados Unidos, principalmente na parte nordeste, o emigrante polonês leva afama de ser burro. (como o português no Brasil).

Então aí vai a piada:

Com se reconhece o polonês em uma rinha de galos?

Resposta:

È o que tem o pato debaixo do braço.

E como se sabe que a máfia está controlando a rinha?

Resposta:

O pato ganhou a briga.

Se a Marta levar esta eleição em Sampa, as cartas foram marcadas.

Se não levar, o Lula perdeu uma boa oportunidade em ficar calado.

E como bem sabemos não foi a única e nem será a ultima.

Falar asneiras é com ele mesmo.

Além de falastrão, ignorante e presunçoso, o Lula também é um hipócrita, e lendo a coluna da Adriana http://www.prosaepolitica.com.br/index.php

Encontrei este artigo do Raphael Curvo que fala justamente desta hipocrisia:

Hipocrisia, eu?

Por Raphael Curvo (*)

Estranhos movimentos estão a volver as ações e medidas legais, em tramitação, pelos bastidores do Congresso Nacional voltadas a “amparar” o sistema financeiro nacional contra a crise que, segundo o presidente, ainda não chegou ao Brasil. São “marolinhas”. Mal sabe que o “tsuname” econômico vem precedido de algumas marolas financeiras. Em seus discursos sempre prega a solidez do nosso mercado, das instituições bancárias e empresariais. No estilo do Galo da Madrugada, do carnaval de Recife, o governo botou o bloco da MP 443 na rua.

É notório que o discurso presidencial não tem seu devido lastro na realidade brasileira. O temor do resultado desta crise econômica nas eleições de 2010 está levando o governo à um processo de desespero político muito cedo. Isto se deve a aura criada em torno do mantra “nunca antes neste País”, que levou o governo e seus séquitos a imaginar longos anos no poder sob a égide do “mito”. Os processos e resultados eleitorais de 2008 estão traduzindo o momento político do Brasil. Percebe-se, com claridade, que a transferência de dinheiro, dos programas sociais e outros, não implica, necessariamente, em transferências de votos. Aí está o elo do desespero político atual e de 2010.

O presidente procura a todo custo desvincular a sua aprovação popular deste procedimento de distribuição de dinheiro. Quer fazer entender que, os índices das pesquisas, têm muito ou só a ver com a sua capacidade e competência de governar. Os seus ataques estão nitidamente inseridos de insegurança na manutenção do poder em 2010, via este fator. Fórmulas como as que foram apresentadas pelo governador Blairo Maggi, estender os mandatos até 2012, são de alta potência resolutória ao governo neste ponto e, também, para os acontecimentos que ainda estão a caminho em 2009 e seus efeitos nas próximas eleições.

Não é difícil entender, penso, que ao tomar tais atitudes contidas na MP 443, estas vão além do simples fato da crise. Há algo de podre no bojo dessa Maldade Pública 443. Basta atentar um pouquinho e veremos que lembra a “habilitante chavista” para o setor e perfumada com saudosas rosas vermelhas. Traz no seu bojo um forte cheiro de estatização. Não estabelece o retorno da participação, de forma concreta e real, às empresas atingidas pelos tentáculos oficiais. Oficializa, entendo, de forma disfarçada, a compra de empresas, financeiras ou de serviços, sem necessidade de qualquer ato legal de aprovação.

Essa história de que a MP 443 “é mais um instrumento de ajuda às instituições financeiras com problema de liquidez provocadas pela crise internacional” é a pura indicação da esperteza que está em curso para manutenção do controle do Poder nas próximas eleições. O sistema de apoio existente é suficiente para o atendimento das necessidades na área econômica e perfeitamente controlável.

Qual empresário da construção civil não vai querer a CEF como sócia? É um monstruoso arranjo financeiro e que tem um forte odor de caixa de campanha. Onde estão a robustez do mercado e a sólida economia esbravejadas nos discursos do presidente e nas entrevistas do ministro da Fazenda? Era mentira?

A verdade, que sempre esconderam e escondem, virá à tona antes do Natal de 2008. O Sr. Mantega será um dos bodes. Não é um exercício de adivinhação, é o sentido lógico dos acontecimentos. O nosso Ministro da Fazenda é uma fraude. Assim será considerado para proteger o “enganado”, que nada sabe. Alimentou falsas esperanças em toda população. Os interesses eleitorais e de poder, razão maior no cerne do governo, não permitiram a decência política em ser transparente à população. O desespero é grande. Já sabem o tamanho da pedra que engoliram, mas não avaliaram se tinham um canal de saída compatível.

A campanha do pré-sal foi ladeira abaixo. Este fato me leva a pensar que o governo e seus auxiliares nada sabiam do que andava se passando na economia mundial. Deixaram o presidente sonhando com o dinheiro do pré-sal, impossível àquela época e muito menos agora e por muitos anos. Presidente, onde está o hipócrita?

(*) Raphael Curvo é jornalista, advogado pela PUC-RJ e pos graduado pela Cândido Mendes-RJ.

October 17, 2008

O poder fazer…(Reedição)

Filed under: ARTIGOS, bons artigos, doutrinas, política, Ética — rlaf44 @ 1:34 pm

O poder fazer…

A diferença é poder fazer.

Eu nasci no ultimo ano da segunda guerra mundial, e lá pelos anos 50, em plena guerra da Coréia, eu já entendia um pouco das notícias do Repórter Esso.

O meu pai, que sempre foi professor universitário, (UFMG) na época ouvia todas as noites o Repórter Esso e fazia alguns comentários sobre a guerra da Coréia.

Um dos comentários que eu ouvi e que não entendi, ou entendi errado foi:

“Se esta guerra demorar muito, o Mac Arthur acaba jogando uma bomba atômica lá e aí sim acaba rápido.

Eu entendi assim:

“Se esta guerra não acabar rápido o macaco joga uma bomba lá… ETC.?

Eu perguntei para a minha mãe no dia seguinte:

“Mãe, quem é o macaco que joga bomba?

“Não sei meu filho, onde você ouviu isto?

“O papai disse isto ontem à noite depois do Repórter Esso.

“Então pergunte para ele na hora do almoço?

Esperei ansiosamente a hora do almoço, e assim que o meu pai chegou perguntei para ele:

“Pai quem é esse macaco que joga bomba?

“Que macaco filho?

“Este que você falou ontem depois do Repórter Esso?

“Eu não me lembro de ter falado nada de macaco?

“Falou sim, e disse que ele joga a bomba atômica para acabar com a guerra?

“Joga bomba atômica? - Ah sim, mas não é macaco, é o general americano Mac Arthur que comanda esta guerra, e se a guerra não acabar logo ele pode jogar uma bomba atômica como fez no Japão e a guerra acabou logo?

“E isto é bom?

“Não sei, respondeu meu pai e continuou” Se ele fizer isto, vai matar de uma morte horrível muita gente inocente, mas provavelmente vai acabar com a guerra.

“Porque ele quer matar tanta gente inocente?

“Ele não quer matar, mas quando existe uma guerra, muita gente morre mesmo os que não estão fazendo nada de mal.

“Ele pode matar gente como eu, o senhor, a mamãe que não estamos fazendo nada?

“Se existir uma guerra isto poderia acontecer”.

“Então eu não gosto dele”.

“Dele quem?

“Do general macaco americano.

“Meu filho, o nome do general é Mac Arthur e não macaco.

Aí terminou o nosso diálogo, e eu saí dali não entendendo como pede haver pessoas que matam em nome da guerra outras pessoas que não fizeram nada. Eu não sabia ainda o que seria uma bomba atômica, mas sentia que era uma coisa muito ruim para as pessoas.

E eu não gostava dos generais macacos americanos.

Depois disto, em pouco tempo faleceu o meu avô paterno, figura que eu tinha como homem sério que ele era e apesar de severo muito bom comigo e que senti muita falta nos anos que se seguiram. Esta foi minha primeira experiência em perder uma pessoa querida.

Depois disto os fatos que me marcaram foram a morte do Getúlio Vargas, a Martha Rocha, ganhando o concurso de Miss Brasil e São Paulo fazendo 400 anos de vida.

A eleição do Juscelino Kubitschek foi a primeira fase política da minha vida, principalmente porque o Juscelino era conhecido da família.

Ele tomou posse em 31 de janeiro de 1956

Em outubro de 1956 Aí houve a invasão da Hungria pela Rússia, e houve protestos nas ruas de Belo Horizonte, comandados pela Embaixada Americana.

Neste momento, veio na memória os fatos sobre o General macaco americano. Que matava os inocentes.

A revolução cubana e a vitória de Fidel Castro em 1959 foram divisórias quando os meus amigos e companheiros começaram a se definir entre direita e esquerda, na escola, clubes etc.

Em 1961, A União Soviética coloca Yuri Gagarin em órbita, na frente dos americanos e então, ponto para a esquerda que com isto tenta provar a superioridade do regime estatal russo.

Eu neste ponto estava muito indeciso sobre o assunto político internacional. De um lado, vários amigos, portando teorias de Carl Max e Engels como a esperança da raça humana. De outro lado, a sociedade americana, que representava o oposto do regime comunista e de onde eu conhecia através da revista Mecânica Popular em espanhol que o meu pai assinava. Eu gostava da idéia de fazer as coisas como havia aprendido com meu avô e meu pai, de não ter que depender de ninguém para desenvolver minhas idéias. Eu gostava dos projetos da revista e quando às vezes dependia de suprimentos encontrados apenas nos Estados Unidos, sentia vontade de ir para lá para poder concluir estes projetos. Aí eu me recordava da minha conversa com o meu pai sobre o General macaco e mudava de opinião.

Meus amigos, definidos como de esquerda, me estimulavam a ler Max e Engels, mas eu apesar de tentar, não consegui ver na teoria deles muita esperança para a humanidade.

Eu sabia então como sempre soube e até hoje de que os homens eram e são diferentes, e com diferentes capacidades de pensar e de se desenvolver e que a tão falada injustiça social popular, não poderia se somente culpa dos patrões mesquinhos, mas era a diferença entre os próprios homens que criava as escalas sociais. A mudança de escala e condições sociais ficava mais difícil uma vez estabelecida a condição de inferioridade, mas se houvesse uma pessoa com uma capacidade muito melhor do que a sua classe social, este indivíduo tinha chance de se sobressair e mudar de classe. Então os seus descendentes poderiam ser parte de outra classe melhor.

Eu sempre pensei que os valores individuais e que deveriam reger a divisão das classes sociais.

Com este pensamento, as teorias onde o estado controlaria tudo e onde não poderia haver diferença de classes sociais, pareciam no mínimo utópicas demais e que não teriam possibilidade de acontecer. Primeiro é que os indivíduos de melhor desempenho teriam que ou trabalhar por outros ou se igualarem aos outros para se comportarem dentro de uma classe única. Seria fazer a média por baixo e desta forma negar a possibilidade de progresso.

Nesta época, eu tinha lido praticamente todos os livros clássicos brasileiros como Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar, Érico Veríssimo, e os contemporâneos como Rachel de Queirós, Graciliano Ramos, Estanislau Ponte Preta, Fernando Sabino, e os estrangeiros como Eça de Queirós, Tolstoi, Esteinbeck, Dumas, Twain, Exuperry, e havia olhado de forma breve, sem me aprofundar muito, os trabalhos dos filósofos gregos e alemães como Sócrates, Aristóteles, Kant, Nietzsche e outros. Eu lia e leio o tempo todo. Eu encontrava alegria em todos os livros, mas os meus amigos que pregavam as doutrinas de Max, não conheciam quase nada dos outros autores, e quando eu perguntava por que não liam outras coisas, eles vinham com as desculpas de que não eram relevantes.

Isto para mim estava ficando com cara de fanatismo ideológico e eu me afastei destas idéias políticas de esquerda. Mais tarde, fui morar nos Estados Unidos,e me encontrei com os sindicatos americanos, com suas idéias sociais muito parecidas com as dos meus amigos da juventude de esquerda, onde um comando único poderia fazer muito mais por mim . A força da massa, etc. E que deveria participar do sindicato pára poder sobreviver, ETC. Eu então comecei a ver que os sindicalizados trabalhavam menos sim, mas não melhoravam muito e que os líderes não trabalhavam , mas melhoravam muito e comecei a ver tudo diferente.

Eu pensava: “Se eu que estou aqui para trabalhar de qualquer forma, provar ao meu patrão que eu posso fazer o trabalho de quatro sindicalizados, e pedir para ganhar o dobro do que ganho, vou conseguir? e dito e feito, em menos de um mês estava ganhando muito mais sem a ajuda do sindicato. Sofri com isto, fui perseguido, mas os valores individuais sempre foram a minha idéia de vencer e melhorar na vida.

Este é o resumo de como me orientei entre esquerda e direita, dando mais peso aos valores individuais do que os valores políticos sociais. Eu não gosto muito do estado. De nenhum estado. Mas por mais que busque ver um meio da sociedade viver sem o estado, não consigo enxergar. Então eu penso: “Se a sociedade necessita de um estado para sobreviver, que este seja o menor possível?

E eu comungo nos ideais do pensamento anarquista:

“O estado é o maior opressor do homem.

Roberto Leite de Assis Fonseca

Brasília dia 1º de janeiro de 2007.

Depois de escrever este resumo, encontrei este bom artigo de outro autor com um tema parecido:

CONFISSÕES DE UM EX-COMUNISTA.

Por Adauto Medeiros, engenheiro civil e empresário

Eu era um jovem sonhador quando li o livro “O que você sabe sobre o petróleo, de Gondin da Fonseca. Nele as multinacionais do petróleo eram a causadora de todos os males do mundo. Nesta época o Brasil estava começando a fomentar e criar sua grande riqueza que era o petróleo com a criação de uma estatal chamada Petrobrás. Na época não havia capitais nem financeiros nem humanos nacionais para bancar a exploração do ouro negro, como se dizia naqueles dias.
Trouxeram então um diretor da Standar Oil chamado Walter Link, que presidiu a Petrobrás e deu toda a estrutura administrativa que ela tem até hoje. Na época um barril de petróleo custava em torno de U$ 2,00, mas mesmo assim ela sobreviveu especialmente porque ao emplacar um carro a pessoa era obrigada a comprar ações da nova empresa monopolista. O monopólio levou 50 anos para promover a auto-suficiência.
Mas o livro de Gondin da Fonseca me influenciou tanto que para ser comunista foi um passo. O que de fato ocorreu.

Na Universidade juntei-me à esquerda e passei a achar e ter certeza que o comunismo era a única solução para resolver os problemas da miséria, não só no Brasil como no mundo. No auge da Guerra Fria li um pronunciamento de John Foster Dulles, Secretário de Estado de Eisenhower dizendo que a guerra seria vencida pelos americanos porque os russos não tinham economia para enfrentar a economia americana. Ele estava certo, mas na época, como bom comunista não acreditei e passei a ler compulsivamente os escritos de Lênin, Trotsky, sem falar em Marx, Engels e Hegel. Finalmente, como jovem, tinha encontrado o caminho da salvação da classe trabalhadora.
Na Universidade o diretório acadêmico era dirigido pelos comunistas, não só os filiados do PCB, como aqueles que como eu nunca tinham pertencido aos quadros do partidão. Eu era comunista, acreditava firmemente, mas sempre quis ser um uma espécie de livre-pensador, algo que entrava em conflito, porque esse tipo de mentalidade não se coaduna com filiação nem em religião e nem em partido político.
Mas em 1962, a União Soviética estava patrocinando o Festival da Juventude e desta feita foi em Helsink, Finlândia. Lembro que ela dava hospedagem apenas, mas para ir até o Festival cada um pagava suas despesas. Não hesitei e vendi uma modesta casa que tinha recebido como herança de meu pai (o que me levou no futuro a refletir e a entender que se não houvesse propriedade privada não teria como ter vendido e sem democracia não teria liberdade de ir e vir), troquei o dinheiro em dólares, e juntamente com mais dois colegas do Partido fomos para Viena e lá encontramos a cúpula da UIE (União Internacional dos Estudantes) que na época era dirigida por Marco Jamovich, um judeu brasileiro muito influente no comunismo internacional, e que depois foi trocado pelo embaixador americano.
Nesta viagem estavam os cantores (na época faziam um sucesso máximo) Nora Ney e Jorge Goulart e o famoso (logo ficaria famoso) ator de novelas Lima Duarte, além do Fernando Mesquita que depois viria a ser porta voz do presidente Sarney. Apanhamos o trem e quando cheguei na Rússia tomaram todos os passaportes e nos colocaram próximo da divisa com a Finlândia. Logo de cara, percebi que as estações eram todas cercadas com arame farpado, isto para que os russos não tivessem contato com os estrangeiros, pois eles podiam trazer (era essa a mentalidade na época que nós ouvíamos) o micróbio do capitalismo. Nos parecia estranho, uma vez que nós também éramos estrangeiros.
Mas o que nós encontramos e isso ficou na minha mente, foram cidades pobres, não havia estradas de rodagem e uma burocracia terrível igual à de Brasília. Aliás, hoje Brasília é pior. Em Helsink hospedei-me em um colégio juntamente com a delegação de Angola e da Guiné, onde conheci os principais líderes dos dois países, inclusive Agostinho Neto e Marcelino Serafim Goia que foram presidente e vice respectivamente de Angola e Guiné. Através de Marco Jamovich fui convidado para visitar a Tchecoslováquia como convidado do governo, onde passei 12 dias. Tive a oportunidade de conhecer desde as fábricas, passando pelas fazendas coletivas, até boates. Tudo era estatal e controlado pelo governo, desde o garçom até as músicas. Como só havia em cidade grande, portanto, só havia também uma boate grande; a fila para entrar nela era enorme e levava-se (fiquei sabendo) às vezes até mais de duas horas para conseguir entrar, e como tinha um número definido de pessoas para freqüentar, muitos que estavam na fila voltavam porque não havia mais lugar. As coisas aos poucos foram ficando mais claras para mim, e o que era uma crença inabalável nos regimes de esquerda, começou a ser posta em xeque, e comecei a me perguntar se uma sociedade toda regida pelo estado não conseguia resolver nem os problemas básicos quanto mais de laser.
Minha viagem à Rússia para participar do Festival da Juventude comunista, aconteceu em 1962. E foi nessa viagem a Rússia que vi no que havia resultado a revolução. Em 1960 Kruchev já havia denunciado no famoso XX Congresso comunista, mas no Brasil ainda não se sabia por inteiro da paranóia e dos crimes de Stalin. De qualquer forma fiquei decepcionado com a vida dos camponeses, em especial suas casas que eram construídas de feno e com sanitário ao ar livre. Aquilo chamou minha atenção e fiquei impressionado como um país que tinha mandado Yuri Gagarin ao espaço poderia ter uma população no campo tão pobre e vivendo em condições tão subhumanas. Depois descobri que 80% do orçamento russo era para a defesa. A guerra fria havia destruído a tentativa de construir o paraíso comunista. Mas não só isso, claro. A economia americana conseguia fazer tudo isso e ainda proporcionar um bem estar social ao seu povo. Isto me fez enxergar na deficiência do sistema econômico centralizado e dirigido por funcionários públicos. Hoje ninguém mais acredita nisso, mas na época todos os dogmas das esquerdas eram verdadeiros. Isto, ninguém acredita, com exceção certamente ainda da América Latina.
No entanto, lembro-me de um judeu russo que tinha ido estudar nos USA, no começo do século. Chegando na casa do tio, este perguntou o que ele queria estudar e jovem disse que ia fazer medicina porque queria estudar os micróbios. O tio disse que os micróbios estavam na terra e portanto ele deveria ser agrônomo. De fato, o futuro agrônomo descobriu a terramicina. E foi esse judeu russo que disse certa vez que o homem que aos 20 anos não é comunista é um homem sem coração, e que aos 40 anos se continuar sendo é um homem sem juízo. Quando agora o nosso presidente disse algo parecido, um plágio grosseiro sem saber a fonte, nisso ele estava certo.
O que todos perguntam, é porque mesmo dizendo isso, ele estar perto de Hugo Chaves, Fidel, Evo Morales, e Cia. Coisas do nosso presidente, certamente.
Bom, eu terminei meu curso de engenharia em 1963, na Politécnica de Campina Grande, e nesta época a política ideológica fervia dentro da Universidade. Eu que já voltara da Rússia decepcionado, não via no comunismo mais a solução para os problemas materiais da humanidade. Portanto, eu e quatro alunos começamos a fazer oposição a esquerda e conseguimos colocar como diretor da Escola de Engenharia, o professor Linaldo Albuquerque que era um homem integro e não era ligado aos comunistas. Foi nomeado e transformou a universidade da Paraíba a segunda do Brasil perdendo apenas para a UFRJ. Na época já havia professores do ITA, mas depois veio gente da França, Canadá,
India, trazidos por Linaldo que transformou a Universidade como um todo, e não só num grande centro de engenharia e matemática. As escolas pertenciam a Universidade da Paraíba, hoje Universidade Federal de Campina Grande. Há poucos meses a Google recrutou um de seus professores para trabalhar nos USA, o que dá uma idéia de sua pujança.
Depois de formado comecei um pequeno negócio com uma pequena construtora. Eu tinha como contador um senhor que pertencia ao partido comunista que foi preso em 1967 e o levaram para João Pessoa. Fui a policia federal visitá-lo e tentar negociar mas não me deixaram falar com ele. Num sábado a tarde estava eu em casa quando fui preso pela policia federal pelo agente federal
Í
ndio Bugre, hoje aposentado. Preso fui levado para o Batalhão de Engenharia do Exercito em Campina Grande. Sei o quanto é desagradável um cidadão ser tirado de sua casa por forca do arbítrio e ter que prestar depoimento por algo que ele não sabe. Mesmo assim, apesar de ter sido preso político, nunca pedi indenização ao contribuinte e nem aposentadoria gorda como fizeram muitos e ainda continuam fazendo. Aliás eu não tenho nem mesmo aposentadoria, nem do INSS. Hoje aos 71 anos me considero um pequeno empresário, amante da livre iniciativa, pois tenho a consciência que o único meio de elevar o padrão material de um povo é pela democracia e pela geração de riquezas, e não somente sua divisão como os comunistas pensam, pois apenas ela pode dar ao homem a capacidade de criação e de gerar novas riquezas. Mas também sei que o capitalismo não é um sistema econômico capaz de resolver tudo, ele exige trabalho, talento e sobretudo talento para enfrentar as diversidades do mercado e as mudanças constantes. Mas só ele pode fazer migrar classes pobres para a classe média. Alias foi o capitalismo que criou a classe media. E basta um exemplo: a China antes da abertura capitalista tinha 1% de classe media, após a abertura já tem 11%. Eu costumo a dizer sempre que no capitalismo ou cresce ou empobrece, mas no comunismo nem cresce e portanto todos empobrecem. Trabalho todos os dias e acho ótimo a iniciativa privada, que junto com a democracia constituem o único sistema econômico e político em que um individuo pode viver sua plena cidadania. Neles, de fato, o contribuinte é valorizado. Por outro lado, é triste ver que a sociedade brasileira ainda não se definiu por nenhum sistema econômico. Aqui há uma democracia sem voto e um capitalismo sem lucro. Temos um regime em que a classe política vive como Reis olhando a ralé se debatendo com fome. Não é à toa que estamos parados no tempo há no mínimo 400 anos.

A força da lei

Filed under: ARTIGOS, Crime e vergonha, governo, política, Ética — rlaf44 @ 1:27 pm

A força da lei

Eu não entendo porque em uma campanha política, acirrada coma a de São Paulo, não aparecem todos os fatos ligados à infração da lei de responsabilidade fiscal pela candidata Martha Favre, quando prefeita da capital paulista.

O desdém à lei foi muito fragrante e propiciou a emissão de uma medida provisória Nº 237 pelo executivo para se evitar e descartar a possibilidade de uma condenação de Marta.

Existe uma sentença de 2005 pelo supremo que arquiva o processo contra Martha, mas também admite que houve transgressões da lei pela então prefeita.

Bem aqui se pode notar que a medida provisória, com força de lei, Praticamente obrigou ao Ministro do Supremo Eros Grau, relator do processo contra Martha, a arquivar o processo.

Se fosse considerado processo antes da medida provisória, Martha correria sim o serio risco de ir para a cadeia.

O blog do marido dela, apenas fala que ela foi absolvida de qualquer crime pelo supremo.

Isto não é verdade, e pode-se notar isto na sentença. Ela foi absolvida do crime constante do processo porque depois de feito o processo pelo MP, apareceu a modificação na lei, com a medida provisória, que levou o relator do supremo a arquivar o processo.

Mas mesmo assim consta da sentença que existiam outros crimes na administração de Martha, mas que não constavam deste processo.

As despesas assumidas por Martha pouco antes de sair do governo, foram amenizadas pelo conteúdo da medida provisória.

Parte final da sentença:

. Em suma, embora se tenham verificado algumas irregularidades de cunho formal, a Corte de Contas constatou a necessidade da execução das despesas realizadas e dos procedimentos adotados para a contínua atuação da Administração em satisfação ao interesse público.

9. Nos termos do art. 359-C, do Código Penal, dispositivo que tutela a observância da LRF, constitui crime:

´Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano de mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa.

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.´

10. No caso em tela, as irregularidades apontadas no julgamento das contas do exercício de 2004 não foram suficientes para configurar o descumprimento do art. 42 da LRF, o que afasta o crime previsto no art.359-C acima transcrito. Inclusive, a Assessoria Jurídica de Controle Externo asseverou estar caracterizada conduta ativa do Executivo para o atendimento da LRF (fls. 70, do apenso 01).

Determino o arquivamento do feito.

Junte-se a petição protocolada sob o n. STF-182.694/2007.

Publique-se.

Brasília, 11 de fevereiro de 2008.

Ministro Eros Grau

- Relator -

Medida Provisória nº 237, de 27 de janeiro de 2005

DOU de 28.1.2005, Edição Extra

Autoriza a União a prestar auxílio financeiro aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, com o objetivo de fomentar as exportações do País, e dá outras providências.

Alterada pela Medida Provisória no 240, de 1 de março de 2005.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:

Art. 1o Fica a União autorizada a entregar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, no exercício de 2005, o montante de R$ 900.000.000,00 (novecentos milhões de reais), com o objetivo de fomentar as exportações do País, de acordo com os critérios, prazos e condições previstos nesta Medida Provisória.

Art. 2o A parcela pertencente a cada Estado, incluídas as parcelas de seus Municípios, e ao Distrito Federal será proporcional aos coeficientes individuais de participação discriminados no Anexo desta Medida Provisória.

Parágrafo único. O montante citado no art. 1o será entregue aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios na razão de um doze avos no último dia útil de cada mês, observado o disposto no art. 6o.

Art. 3o Do montante dos recursos que cabe a cada Estado, a União entregará diretamente ao próprio Estado setenta e cinco por cento, e aos seus Municípios, vinte e cinco por cento.

Parágrafo único. O rateio das parcelas dos Municípios obedecerá aos coeficientes individuais de participação na distribuição da parcela do ICMS de seus respectivos Estados, a serem aplicados no exercício de 2005.

Art. 4o Para a entrega dos recursos à unidade federada, a ser realizada por uma das formas previstas no art. 5o, serão obrigatoriamente considerados, pela ordem e até o montante total da entrega apurado no respectivo período, os valores das seguintes dívidas:

I - contraídas junto ao Tesouro Nacional pela unidade federada, vencidas e não pagas, computadas primeiro as da administração direta e depois as da administração indireta;

II - contraídas pela unidade federada com garantia da União, inclusive dívida externa, vencidas e não pagas, computadas inicialmente as da administração direta e posteriormente as da administração indireta; e

III - contraídas pela unidade federada junto aos demais entes da administração federal, direta e indireta, vencidas e não pagas, computadas inicialmente as da administração direta e posteriormente as da administração indireta.

Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso III deste artigo, ato do Poder Executivo Federal poderá autorizar:

I - a inclusão, como mais uma opção para efeito da entrega dos recursos, e na ordem que determinar, do valor correspondente a título da respectiva unidade federada na carteira da União, inclusive entes de sua administração indireta, primeiro relativamente aos valores vencidos e não pagos e, depois, aos vincendos no mês seguinte àquele em que serão entregues os recursos; e

II - a suspensão temporária da dedução de dívida compreendida pelo inciso III do caput, quando não estiverem disponíveis, no prazo devido, as necessárias informações.

Art. 5o Os recursos a serem entregues mensalmente à unidade federada, equivalentes ao montante das dívidas apurado na forma do art. 4o, serão satisfeitos pela União pelas seguintes formas:

I - entrega de obrigações do Tesouro Nacional, de série especial, inalienáveis, com vencimento não inferior a dez anos, remunerados por taxa igual ao custo médio das dívidas da respectiva unidade federada junto ao Tesouro Nacional, com poder liberatório para pagamento das referidas dívidas; ou

II - correspondente compensação.

Parágrafo único. Os recursos a serem entregues mensalmente à unidade federada equivalentes à diferença positiva entre o valor total que lhe cabe e o valor da dívida apurada nos termos do art. 4o, e liquidada na forma do inciso II deste artigo, serão satisfeitos por meio de crédito, em moeda corrente, à conta bancária do beneficiário.

Art. 6o Para efeito de aplicação desta Medida Provisória, o Ministério da Fazenda definirá, em até sessenta dias a contar de sua publicação, as regras da prestação de informação pelos Estados e pelo Distrito Federal sobre a efetiva manutenção e aproveitamento de créditos pelos exportadores a que se refere o art. 155, § 2o, inciso X, alínea “a”, da Constituição.

Parágrafo único. O ente federado que não enviar as informações referidas no caput ficará sujeito à suspensão do recebimento do auxílio de que trata esta Medida Provisória.

Art. 7o A regularização do envio das informações de que trata o art. 6o permitirá o recebimento dos recursos no mês imediatamente posterior, observado o disposto no parágrafo único do art. 2o.

Art. 8o (Revogado pela Medida Provisória no 240, de 1 de março de 2005).

Art. 9o O art. 8o da Medida Provisória no 2.185-35, de 24 de agosto de 2001, fica acrescido de § 2o, passando o seu parágrafo único a vigorar como § 1o, com a seguinte redação:

“§ 1o Excluem-se das vedações a que se refere o inciso II:

I - a contratação de operações de crédito instituídas por programas federais, destinadas à modernização e ao aparelhamento da máquina administrativa dos Municípios;

II - os empréstimos ou financiamentos junto a organismos financeiros multilaterais e a instituições de fomento e cooperação ligadas a governos estrangeiros, que tenham avaliação positiva da agência financiadora, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES e à Caixa Econômica Federal, desde que contratados dentro do prazo de seis anos contados de 30 de junho de 1999 e destinados exclusivamente à complementação de programas em andamento; e

III - as operações de crédito destinadas à implantação de projeto de melhoria em sistemas de iluminação pública, no âmbito do Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente - Reluz.

§ 2o Os efeitos da exclusão a que se refere o inciso III do § 1o retroagem a 29 de junho de 2000.” (NR)

Art. 10. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 27 de janeiro de 2005; 184o da Independência e 117o da República.

Agora leiam este artigo que encontrei no blog do Noblat, de autoria da Lúcia Hippolito:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=marta_suplicy_a_irresponsabilidade_fiscal&cod_Post=30593&a=111

Marta Suplicy e a irresponsabilidade fiscal

Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN:

” Antes tarde do que muito tarde. Finalmente, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou um pedido ao Ministério Público de São Paulo para que abra inquérito contra a ex-prefeita Marta Suplicy por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O assunto ainda tem que ir ao plenário, mas é sintomático que a ex-prefeita só tenha obtido o apoio dos quatro senadores petistas que são membros da CAE. O restante votou contra ela.

A ex-prefeita pode ser condenada até a dois anos de prisão e, principalmente, poderá ter que dar adeus ao sonho de ser candidata do PT ao governo de São Paulo.

No início do ano passado, Marta contratou uma operação de crédito para ampliar um programa em andamento na Prefeitura de São Paulo, mas sem autorização prévia da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, como manda a lei. A CAE é responsável pela análise e aprovação dos pedidos de créditos feitos pelas Prefeituras.

O Ministério da Fazenda fez tudo para ajudar a ex-prefeita, chegando inclusive a editar a Medida Provisória nº 237, para tentar ajeitar a irregularidade.

Mas a Câmara de Vereadores de São Paulo e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado não concordaram.

É verdade que a atitude de Marta Suplicy não contribuiu para melhorar as coisas. Convidada várias vezes a comparecer à CAE para se explicar, Marta preferiu desconsiderar o chamado dos senadores e enviar uma correspondência, que foi considerada insuficiente.

O relatório aprovado na CAE pede ao Ministério Público que processe a ex-prefeita por improbidade administrativa, crime de responsabilidade e descumprimento do Código Penal.

Em sua defesa, Marta Suplicy argumentou que as Prefeituras do Rio de Janeiro, Salvador, Campinas, Araçatuba e Valinhos fizeram a mesma coisa.

Com todo o respeito por essas valorosas cidades, alguém acha mesmo que se Marta Suplicy não estivesse correndo o risco de ir para a cadeia, o governo Lula ia se lembrar de fazer uma Medida Provisória para salvar o prefeito de Araçatuba e de Valinhos?!”

September 10, 2008

A esquizofrenia da obsessão

Filed under: ABOBRINHAS, ARTIGOS, bons artigos, educação, governo — rlaf44 @ 11:37 am

A esquizofrenia da obsessão

Quando eu estava cursando o quarto ano primário, no Grupo Escolar Barão Do Rio Branco em Belo Horizonte/MG, a minha professora, uma paulista muito simpática de Campos do Jordão, e que se chamava (ou chama) Dona Maria Passos, passou para a nossa turma como dever de féria de julho, uma composição com o título “A esquizofrenia da obsessão”.

Pode até parecer uma loucura, mas é a mais pura verdade.

Com esta incumbência em foco, fui logo perguntar para minha mãe o que era isto. Ela me sugeriu procurar no dicionário.

O melhor dicionário que havia na minha casa, era uma coleção do “Laudelino Freire”.

Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa (1939-1944), de publicação póstuma, em cinco volumes.

Não tenho mais acesso a este dicionário, e como tenho o Aurélio no computador vamos às definições sobre o tema de acordo com o tio do Chico Buarque:

Esquizofrenia

[De esquiz(o)- + -fren(o)- + -ia1.]

Substantivo feminino.

1.Psiq. Termo que engloba várias formas clínicas de psicopatia e distúrbios mentais próximos a ela (v. distúrbio esquizotípico); sua característica fundamental é a dissociação e a assintonia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade.

Esquizofrenia hebefrênica. 1. Psiq. Forma de esquizofrenia observada, em geral, em adolescente, e que se caracteriza por distúrbios da afetividade, regressão e hipocondria; hebefrenia.

obsessão

[Do lat. obsessione.]

Substantivo feminino.

1.Impertinência, perseguição, vexação.

2.Psiq. Pensamento, ou impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, e que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo; idéia fixa, mania.

Eu me recordo bem que cheguei à conclusão que o tema deveria se referir, a uma loucura temporária sobre um assunto qualquer, em que o indivíduo perdia o contato com a realidade, se dedicando a uma idéia sua sobre qualquer assunto, mas que obstruiria as outras visões sobre o mesmo assunto. Em resumo, uma espécie de mania temporária. Se esta mania persistisse, poderia ser considerada uma loucura.

Foi o que escrevi sobre o tema em pauta. Uma análise pessoal sobre o significado do título proposto. Não se esqueçam que eu tinha apenas 10 anos de idade.

Dona Maria Passos, aceitou a redação, mas se mostrou desapontada, pois não era o que tinha em mente.

Dos 45 alunos, apenas três entregaram os trabalhos

Até hoje penso nisto e não sei qual era a idéia de dona Maria Passos sobre este tema.

Aí penso no Brasil, o mesmo Brasil do Laudelino Freire, o mesmo Brasil do Aurélio Buarque de Holanda, o mesmo Brasil de dona Maria Passos, o mesmo Brasil seu e o meu.

Vejo na televisão, uma propaganda caríssima do Ministério da Educação sobre o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Uma simpática e sorridente senhora aparece falando sobre este indicador, que em 2005 era de 3,8 e agora já está em 4,2 e que a meta almejada é de 6,0.

Enquanto fala, ela vai subindo uns degraus, e parece que a melhoria até o momento foi bem grande, mas não é. Prestem atenção de 3,8 para 4,2, é apenas um ganho de 0,4, mas na proporção do anuncio parece bem grande, e a distância da meta é proporcionalmente igual à distância percorrida nestes três anos. Mas, não é assim de 4,2 para 6,0 faltam 1,8 que significa 4,5 vezes o ganho em três anos. Neste ritmo levaríamos 13,5 anos para a meta de seis. Esta é mais uma propaganda enganosa e cara deste governo de mentiras.

Ficamos em ultimo lugar entre 56 países pesquisados sobre os conhecimentos do ensino médio, em quase todas as matérias, e nas matérias que não tiramos a pior nota ficamos bem próximas do final da escala.

O Brasil da atualidade, o mesmo Brasil do Pré-sal, o mesmo Brasil do futuro, o mesmo Brasil da erradicação da pobreza, está gastando com toda a educação pública, 2,5 do PIB (Produto Interno Bruto).

Os gastos com as propagandas enganosas com esta do IDEB somam três vezes mais do que o gasto com a educação básica.

Destes 2,5 do PIB (aproximadamente 62.000.000.000), 80% é gasto com a educação universitária, ou seja, 50 bilhões de reais. ( aí estão incluídos os cartões corporativos, as mordomias, e os desvios de praxe) Com a educação básica apenas esta merreca de 12 bilhões de reais.

Como poderemos esperar que o Brasil melhore, se os estudantes que chegam à universidade mal sabem ler e escrever?

Este governo está gastando muito com o ensino universitário (este dá votos), quando os alunos que lá chegam não foram preparados para absorver os ensinamentos universitários. Para se evitar uma reprovação geral, as universidades têm que abaixar o nível e formar estes ignorantes que serão o futuro do Brasil. Qual futuro?

O presidente Lula, umas das vítimas deste descaso escolar, não para de propagar o futuro do Brasil. Ele sim foi vítima do descaso, mas poderia ter se aplicado melhor, pois teve ampla oportunidade para isto, mas optou para continuar ignorante.

E apregoa aos quatro ventos o quanto está gastando com as universidades.

E o ensino básico senhor presidente? Este mesmo que lhe faltou e ainda faz falta quando em público sem nenhum pejo, recita estas abobrinhas que lhe parecem engraçadas, mas matam de vergonha os ex-alunos de dona Maria Passos, assim como matam de vergonha esta aluna da UFRG do curso de direito que escreveu a redação abaixo que me foi enviada por Email pelo meu amigo o Dr. João.

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES


Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para Professores. Isso é o que eu chamo de  jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases.   REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES


Tema:‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’

Por Clarice Zeitel Vianna Silva

UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ


‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez… Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil  está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos,
estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’ .

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com  outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

Se este tema da obsessão fosse dado nos tempos atuais eu certamente escreveria sobre a obsessão pelo poder do presidente Lula e da esquizofrenia para conseguir isto a todos os custos passando pelas mentiras, ridículos e tudo o mais, sem se importar realmente com o futuro da nação que sem dúvida nenhuma espera que algum mandatário se preocupe realmente com a educação básica, o que o Lula desconhece e por isto não está nem aí.

August 14, 2008

Revista velha…

Filed under: ABOBRINHAS, ARTIGOS, Cronicas, Curiosidades, Humor, anedotas, governo, política, Ética — rlaf44 @ 6:29 pm

Revista velha…

Outro dia, exatamente no dia 10 de agosto de 2008, fui a Belo Horizonte MG, para renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Este ano houve uma novidade, como a minha carteira é de 1962, tive de cumprir uma nova exigência do DETRAN e participar de 15 horas de curso de “Direção Defensiva”, fazer uma pequena prova sobre o assunto ensinado, e fazer o exame médico normal. Devo dizer que não foi uma coisa totalmente inútil como poderia ter sido. No pequeno tempo disponível, houve até muita informação trocada sobre o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), e algo de útil ficou gravado na memória minha e espero de outras pessoas que participaram do mesmo curso. Pelo preço pago, R$ 43,00 foi uma educação barata e pela duração periódica do evento, de cinco em cinco anos, não é uma coisa muito exagerada como algumas coisas inúteis e burocráticas e caras, fruto das mentes doentias dos legisladores brasileiros. (eu por completar 65 anos no ano que vem, devo depois de 2009 fazer esta reciclagem de três em três anos – Acho justo).

Outra coisa antes de entrar no assunto do título. Foi em um dos exames médicos do DETRAN, em 1994, que descobri a minha hipertensão e iniciei o tratamento.

E também foi durante a espera para efetuar este novo exame médico, que deparei com uma edição de “VEJA” esquecida na cadeira ao meu lado. Fiquei surpreso pela capa, pois se tratava de grampos no supremo, e do Ministro Gilmar Mendes. Assuntos muito atuais e isto me fez pensar que fosse a VEJA da semana que alguém havia esquecido no consultório médico. Como sempre faço (eu e muitas pessoas que conheço) abri na parte da entrevista das páginas amarelas, e era uma entrevista de cunho científico, e um assunto também atual e li esta interessante entrevista, ainda pensando estar lendo uma revista nova. O entrevistado, o primatologista holandês “Frans de Waal”, tem muitas coisa novas e interessantes e atuais, portanto não levantou suspeita de que fosse uma entrevista antiga.

Depois, fui à coluna do Millor onde na maioria das vezes ele fala de algo ocorrido durante a semana ou pouco antes, dando assim uma dica sobre a data da revista. Desta vez, ele não falou sobre nada disto e falou sobre a crase e sua idéia sobre ela.

Do Millor, pulei para o Radar do Lauro Jardim – aí, não teve jeito as notícias pareciam um caso de “Deja vu”. Li sobre a compra da Suzano Petroquímica, sobre o Renan Calheiros dando calote no IPTU (Realmente ele pode – somente ele) sobre Luiz Paulo Conde e Furnas, sobre o padre Marcelo Rossi e pensei será? Voltei então para a capa da revista VEJA em minhas mãos e procurei a data – 22 de agosto de 2007 – edição 2022 - incrível, esta revista tinha quase exatamente um ano e as notícias estavam muito atuais, os assuntos dos colunistas, tudo parecia dentro das datas atuais um ano depois. Incrível. Na sessão “CARTAS”, um leitor comparou o governo Lula ao de Getúlio Vargas. Um entregou Olga Benário para ser torturada e morta e o outro fez o mesmo com os refugiados boxeadores cubanos. Outro leitor, desta vez um português disse com certa dose de propriedade, que o Brasil é um país de primeiríssimo mundo com políticos de terceiro mundo.

Uma interessante visão do motivo de nossos problemas.

Na parte internacional, sobre as eleições americanas, dava como certa a vitória da Hillary que teria uma disputa com o Ex-prefeito Rudolph Giuliani, para disputar aparentemente o cargo com o ex-governador de Massachusets Mitt Romney pelos republicanos. Nada disto aconteceu e nesta parte a história teve outro desfecho.

Na parte econômica, falou-se sobre a primeira crise do século e que é a mesma que continua a movimentar as especulações atuais. Sobre este assunto poderia alguém um pouco desinformado pensar se tratar de assunto atual.

Nas entrevistas a outros economistas sobre o assunto, incrivelmente todos acertaram em uma forma ou de outra.

Sobre o “Recall de Brinquedos”, acaba de haver outro pela mesma empresa, “MATELL”. Assunto atual novamente. Em “DATAS”, quero enfatizar um assunto curioso. Em 1979, quando o Maluf fundou a Paulipetro, eu trabalhava para uma empresa americana de porte médio para grande no ramo de exploração de petróleo. Na época eu fazia parte de um corpo de 9.000 empregados em todo o mundo o que não é pouco. Esta empresa publicava mensalmente uma revista sobre o nosso assunto, mas era uma revista de variedades e curiosidades e tinha a parte de economia e investimentos. Na época da fundação da Paulipetro, a nossa revista aconselhava muita caução em investir na empresa de Maluf, pois possuíamos relatórios sobre as pesquisas na área da Paulipetro, e todos eles demonstravam a não existência de petróleo na área. Na época a nossa revista dizia ser um provável “SCAM” que quer dizer um golpe. E assim foi.

No Mainardi, este assunto de bater no PT, é comum e está atual em qualquer época, portanto não houve nenhuma surpresa por ali.

Agora, como a veja faz, deixei para o ultimo um dos colunistas favoritos. Roberto Pompeu de Toledo.

Não é por ele ser um exímio escritor que realmente o é. Não é por dizer coisas novas e sensacionais por que de vez em quanto ele faz isto. O meu favoritismo em sua coluna, é que Roberto é um escritor muito eclético, aborda qualquer assunto com maestria, e em seus artigos, ele sempre compõe certa dose de justiça. Não chega a ser um justiceiro, mas um apaziguador. Sua posição sobre vários temas é uma posição correta sempre. Isto promove ao ler os seus artigos uma leveza de opinião sobre os mesmos por parte do leitor.

Pelo menos no que me toca é assim.

Este artigo da revista velha também está atual e por isto publiquei na íntegra. Em um país no qual o principal mandatário, ao inaugurar o início de uma obra (aqui somente se inaugura o início) abre o seu discurso com a singela frase:

“- Aqui está o meu discurso que mandei imprimir com letras bem grande pra mim não errar”

Antes de abrir o discurso ( que provavelmente alguém escreveu para ele) ele errou pelo menos duas vezes.

Realmente parece que o Brasil acabou.

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

“O Brasil é isso mesmo que está aí”

Terrível parecer, de alguém que conhece o assunto, reforça uma sensação que paira no ar

Os distraídos talvez ainda não tenham percebido, mas o Brasil acabou. Sinais disso foram se acumulando, nos últimos meses: a falência do Congresso e de outras instituições, a inoperância do governo, a crise aérea, o geral desarranjo da infra-estrutura. A esses fatores, evidenciados por acontecimentos recentes, somam-se outros, crônicos, como a escola que não ensina, os hospitais que não curam, a polícia que não policia, a Justiça que não faz justiça, a violência, a corrupção, a miséria, as desigualdades. Se alguma dúvida restasse, ela se desfaz no parecer autorizado como poucos de um Fernando Henrique Cardoso, cujas credenciais somam oito anos de exercício da Presidência da República a mais de meio século de estudo do Brasil. “Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí”, declara ele, numa reportagem de João Moreira Salles na revista Piauí.

Ora, direis, como afirmar que o Brasil acabou? Certo perdeste o senso, pois, se estamos todos ainda morando, comendo, dormindo, pagando as contas, indo às compras, nos divertindo, sofrendo, amando e nos exasperando num lugar chamado Brasil, é porque ele ainda existe. Eu vos direi, no entanto, que, quando acaba a esperança, junto com ela acaba a coisa à qual a esperança se destinava. É à esperança no Brasil que o sociólogo-presidente se refere. Para ele, o Brasil jamais conhecerá um crescimento como o da China ou o da Índia. “Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo”, diz. O prognóstico é tão mais terrível quanto coincide com – e reforça – o sentimento que ultimamente tomou conta mesmo de quem não é sociólogo nem nunca conheceu por experiência própria os mecanismos de governo e de poder.

O Brasil que “é isso mesmo” é o das adolescentes grávidas e dos adolescentes a serviço do tráfico, das mães que tocam lares sem marido, das religiões que tomam dinheiro dos fiéis, dos recordes mundiais de assassinatos e de mortos em acidentes automobilísticos, dos presos que comandam de suas células o crime organizado, dos trabalhadores que gastam três horas para ir e três horas para voltar do trabalho, das cidades sujas, das ruas esburacadas.

Procura-se o governo e… não há governo. Há muito que nem o presidente, nem os governadores, nem os prefeitos mandam. Quem manda é a trindade formada pelas corporações, máfias e cartéis. Não há governo que se imponha a corporações como a dos policiais, ou a dos professores, ou a dos funcionários das estatais. Não há o que vença as máfias dos políticos craques em arrancar para seus apaniguados cargos em que possam distribuir favores e roubar. Para enfrentar – ou, humildemente, tentar enfrentar – cartéis como o das companhias aéreas, só em época em que elas estão fragilizadas, como agora. Às vezes os cartéis se aliam às máfias, em outras se transmudam nelas. Em outras ainda são as corporações que, quando não se aliam, se transformam em máfias. Em todos os casos, o interesse público, em tese corporificado pelos governos, não é forte o bastante para dobrar os fragmentados interesses privados.

A tais males soma-se o cinismo. Não há outra palavra para descrever o projeto, supostamente de fidelidade partidária, aprovado na semana passada na Câmara. O projeto, muito ao contrário de punir ou coibir os trânsfugas, perdoa-lhes o passado e garante-lhes o futuro. Quanto ao passado, estão anistiados os parlamentares que trocaram de partido e que por isso, no entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, deveriam perder o mandato. No que concerne ao futuro, o projeto estabelece que a cada quatro anos os parlamentares terão folga de um mês na regra da fidelidade partidária, pois ninguém é de ferro, e estarão abertos a negócios e oportunidades. Estamos diante de uma das mais originais contribuições da imaginação brasileira ao repertório universal de regras político-eleitorais. Para concorrer a uma eleição, o candidato deve estar filiado a um partido há pelo menos um ano. Mas, segundo o projeto, no mês que antecede a esse ano de jejum o candidato pode trocar o partido pelo qual foi eleito por outro. Como a eleição é sempre em outubro, esse mês será o setembro do ano anterior. Eis o Carnaval transferido para setembro. O projeto é uma esposa compreensiva que, no Carnaval, libera o marido para a gandaia.

FHC não era tão descrente. No parágrafo final do livro A Arte da Política, em que rememora os anos de Presidência, escreveu: “Se houve no passado recente quem empunhasse a bandeira das reformas, da democracia e do progresso, não faltará quem possa olhar para a frente e levar adiante as transformações necessárias para restabelecer a confiança em nós mesmos e no futuro desse grande país”. Na reportagem da revista Piauí, ele não poupa nem seu próprio governo: “No meu governo, universalizamos o acesso à escola, mas pra quê? O que se ensina ali é um desastre”. Pálidos de espanto, como no soneto de Bilac, assistimos à desintegração da esperança na pátria, o que equivale a dizer que é a pátria mesma que se desintegra aos nossos olhos.

Outro assunto sem nenhum vínculo ao artigo do presente post mas que quero comentar, porque não sai de minha mente, é a coluna do Roberto Pompeu sobre a morte de D. Ruth Cardoso, que foi sensacional.

Acho que futuramente vou publicar este artigo.

Agora um pouco de humor para não deixar o Brasil acabar completamente.

Recebi por Email a seguinte frase muito sugestiva.

80% dos eleitores brasileiros não usam ler o jornal.

Usam sim o jornal para limpar o rabo.

Aí está simplesmente a razão do atual congresso.

July 27, 2008

Uma História do Norbelino

Filed under: ARTIGOS, Cronicas, Curiosidades, Humor, anedotas, bons artigos — rlaf44 @ 5:37 pm

Uma História do Norbelino

Recebi outro dia por Email, do meu amigo Dr. João, esta interessante história que estou reproduzindo:

Para os que não conhecem a figura, Norbelino é um engenheiro de Teresina que também comete alguns escritos.

Uma das Histórias do Norbelino…

Estava sentado no meu escritório quando lembrei de uma chamada telefônica que tinha que fazer. Encontrei o número e liguei.
Atendeu-me um cara mal humorado dizendo:
- Fale!!!
- Bom dia. Poderia falar com Andréa?
O cara do outro lado resmungou algo que não entendi e desligou na minha cara.
Não podia acreditar que existia alguém tão grosso.
Depois disso, procurei na minha agenda o número correto da Andréa e liguei. O problema era que eu tinha invertido os dois últimos dígitos do seu número. Depois de falar com a Andréa, observei o número errado ainda anotado sobre a minha mesa. Decidi ligar de novo.
Quando a mesma pessoa atendeu, falei:
- Você é um Filho da puta!!!
Desliguei imediatamente e anotei ao lado do número a expressão ‘Filho Da puta’ e deixei o papel sobre a minha agenda. Assim, quando estava nervoso com alguém, ou em um mau momento do dia, ligava pra ele, e quando atendia, lhe dizia ‘Você é um Filho da puta’ e desligava sem esperar resposta.
Isto me fazia sentir realmente muito melhor. Ocorre que a Telemar introduziu o novo serviço ‘bina’ de identificação de chamadas, que me deixou preocupado e triste porque teria que deixar de ligar para o ‘Filho da puta’.
Então, tive uma idéia: disquei o seu número de telefone, ouvi a sua voz dizendo ‘Alô ‘ e mudei de identidade:
- Boa tarde, estou ligando da área de vendas da Telemar, para saber se o senhor conhece o nosso serviço de identificador de chamadas ‘bina’.
- Não estou interessado! - disse ele, e desligou na minha cara.
O cara era mesmo mal-educado. Rapidamente, disquei novamente:
- Alô?
- É por isso que você é um Filho da puta!!! - e desliguei.
Aqui vale até uma sugestão: se existe algo que realmente está lhe incomodando, você sempre pode fazer alguma coisa para se sentir melhor: simplesmente disque 0xx86-xxxx.xxxx ou o número de algum outro Filho da puta que você conheça, e diga para ele o que ele realmente é.
Acontece que eu fui até o Teresina Shoping, comprar umas camisas.
Uma senhora estava demorando muito tempo para tirar o carro deuma vaga no estacionamento. Cheguei a pensar que nunca fosse sair.
Finalmente seu carro começou a mover-se e a sair lentamente do seu espaço. Dadas às circunstâncias, decidi retroceder meu carro um pouco para dar à senhora todo o espaço que fosse necessário: ‘Grande!’ pensei, ‘finalmente vai embora’.
Imediatamente, apareceu um Vectra preto vindo do outro lado do estacionamento e entrou de frente na vaga da senhora que eu estava esperando. Comecei a tocar a buzina e a gritar:
- Ei, amigo. Não pode fazer isso! Eu estava aqui primeiro!
O fulano do Vectra simplesmente desceu do carro, fechou a porta, ativou o alarme e caminhou no sentido do shopping, ignorando a minha presença, como se não estivesse ouvindo. Diante da sua atitude, pensei: ‘esse cara é um grande Filho da puta! Com toda certeza tem uma grande quantidade de
Filhos da puta neste mundo!’. Foi aí que percebi que o cara tinha um aviso de ‘VENDE-SE’ no vidro do Vectra. Então,anotei o seu número telefônico e procurei outra vaga para estacionar.
Depois de alguns dias, estava sentado no meu escritório e acabara de desligar o telefone - após ter discado o 0xx86-xxxx.xxxx do meu velho amigo e dizer ‘Você é um Filho da puta’ (agora já é muito fácil discar pois tenho o seu número na memória do telefone), quando vi o número que havia anotado do cara do Vectra preto e pensei: ‘Deveria ligar para esse
cara também’.
E foi o que fiz. Depois de um par de toques alguém atendeu:
- Alô.
- Falo com o senhor que está vendendo um Vectra preto?
- Sim, é ele.
- Poderia me dizer onde posso ver o carro?
- Sim, eu moro na Rua xx, n° xx. É uma casa amarela e o Vectra está estacionado na frente.
- Qual e o seu nome?
- Meu nome e Eduardo Marques - diz o cara.
- Qual a hora é mais apropriada para encontrar com você, Eduardo?
- Pode me encontrar em casa à noite e nos finais de semana.
- É o seguinte Eduardo, posso te dizer uma coisa?
- Sim.
- Eduardo, você é um grande Filho da puta!!! - e desliguei o telefone.
Depois de desligar, coloquei o número do telefone do Eduardo (que parecia não ter ‘bina’, pois não fui importunado depois que falei com ele) na memória do meu telefone. Agora eu tinha um problema: eram dois
‘Filhos da puta’ para ligar.
Após algumas ligações ao par de ‘Filhos da puta’ e desligar-lhes, a coisa não era tão divertida como antes. Este problema me parecia muito sério e pensei em uma solução: em primeiro lugar, liguei para o ‘Filho da puta 1′. O cara, mal-educado como sempre, atendeu:
- Alô - e então falei:
- Você é um Filho da puta - mas desta vez não desliguei.
O ‘Filho da puta 1′ diz:
- Ainda está aí, desgraçado?
- Siiimmmmmmmm, amorrrrrr!!! - respondi rindo.
- Pare de me ligar, seu filho da mãe - disse ele, irritadíssimo.
- Não paro nããão, Filho da putinha querido!!!
- Qual é o teu nome, lazarento? - berrou ele, descontrolado!
Eu, com voz séria de quem também está bravo, respondi:
- Meu nome é Eduardo Marques, seu Filho da Puta. Porquê???
- Onde você mora, que eu vou aí te pegar, desgraçado? - gritou ele.
- Você acha que eu tenho medo de um Filho da puta? Eu moro na Rua xx, n°xx, em uma casa amarela, e o meu Vectra preto está estacionado na
frente. Seu palhaço filho da puta. E agora, vai fazer o quê???? - gritei eu.
- Eu vou até aí agora mesmo, cara. É bom que comece a rezar, porque você já era. - rosnou ele.
- Uuiii! É mesmo? Que medo me dá, Filho da puta. Você é um bosta! E eu estou na porta da minha casa te esperando!!! - e desliguei o telefone na cara dele.
Imediatamente liguei para o ‘Filho da puta 2′.
- Alô - diz ele.
- Olá, grande Filho da puta!!! - falei.
- Cara, se eu te encontrar vou…
- Vai o quê? O que você vai fazer??? Seu Filho da puta!
- Vou chutar a sua boca até não ficar nenhum dente, cara!!!
- Acha que eu tenho medo de você, Filho da puta? Vou te dar uma grande oportunidade de tentar chutar minha boca, pois estou indo para tua casa, seu Filho da puta!!! E depois de arrebentar sua cara, vou quebrar todos os vidros desta porcaria de Vectra que você tem. E reze pra eu não botar fogo nessa casa amarelinha de bicha. Se for homem, me espera na porta em 5 minutos, seu Filho da puta!!! - e bati o telefone no gancho.
Logo, fiz outra ligação, desta vez para a polícia. Usando uma voz afetada e chorosa, falei que estava na Rua xx, n° xx, e que ia matar o meu namorado homossexual assim que ele chegasse em casa.
Finalmente peguei o telefone e liguei o programa da Cidade Verde do Amadeu Campos, para reportar que ia começar uma briga de um marido que ia voltando mais cedo para casa para pegar o amante da mulher que morava na Rua xx, n° xx. Depois de fazer isto, peguei o meu carro e fui para Rua xx, n° xx, para ver o espetáculo.
Foi demais, observar um par de ‘Filhos da puta’ chutando-se na frente de duas equipes de reportagem, até a chegada de 3 viaturas e um helicóptero da polícia, levando os dois algemados e arrebentados para a delegacia.

March 30, 2008

Tenha piedade.

Filed under: ARTIGOS, administração, economia, educação, governo, tributação, Ética — rlaf44 @ 2:04 pm

Tenha piedade.

Mas com muito cuidado!!!

Dê uma esmola a um pobre sem trabalho, e se ele o conhecer e souber o seu nome e vai sem dúvida falar bem de você.

É a natureza humana. Se por acaso o contemplado pela generosidade falar mal de você, pode acontecer, mas não é a regra.

Agora pergunto eu no caso do Rio de Janeiro:

-Quantas são as pessoas que estão sendo contempladas pela Bolsa Família o maior e mais custoso programa assistencialista do atual governo?

Eu realmente não sei, mas pela atenção dada pela mídia ao estado e à cidade do Rio de Janeiro, deduzo que sejam várias famílias atendidas por este programa que distribui em média R$ 170,00 por cada família inscrita no tal programa.

Se antes estavam desempregados e agora podem contar com esta renda esmola e que pode melhorar um pouco a miséria em que viviam antes, tanto melhor. Que falem bem do autor da esmola, que fiquem contentes com o seu presidente.

O Rio de Janeiro está vivendo uma das piores epidemias de Dengue de que se tem notícia, e este é o resultado de vários vetores independentes que se combinaram para chegarem ao resultado atual.

Vamos a alguns deles:xo-dengue.jpg

1. Para fazer frente ao derretimento do Dólar Americano, que dificultava as exportações brasileiras, o governo comprava dólares em quantidades cada vez maiores. Os dólares eram comprados internamente com títulos da dívida publica interna e se paga em média 14% ao ano por estes empréstimos para comprar dólares. As compras de dólares resultaram em uma reserva maior do que a dívida externa que por esta razão pode ser quitada e ainda sobra dinheiro.

2. De todo o dinheiro arrecadado com as maiores tarifas do mundo, forma-se um tremendo bolo tarifário que se aproximou em 2007 a 950 bilhões de reais dos quais aproximadamente 40% foram gastos em pagamento dos juros da dívida interna, 25% com a previdência social, 0.44% com a segurança pública 2,25% com a educação e 4,8% com a saúde.

3. Sem nenhuma ou quase nenhuma educação, noção de higiene, e comportamento social adequado, uma família dependente na Bolsa Família, compra com o novo poder aquisitivo refrigerantes embalados em garrafas PET, e as deixam descartadas em qualquer lugar nas proximidades de sua residência. Vem a chuva, vem os mosquitos e vem a dengue.

4. A família é vítima de uma infecção de dengue e vai para o hospital, onde sem verba não tem tratamento adequado e o membro da família vem a óbito.

5. Será que valeu a pena este dinheirinho miserável que o governo anda espalhando por aí com finalidade eleitoreira?

6. Os países como o México Argentina, Chile, gastam com estes três orçamentos obrigatórios Saúde, Educação e Segurança, aproximadamente 40% do PIB correspondente a cada país o Brasil gasta 9%. E o Brasil da atualidade arrecada muito mais do que estes países visinhos. A arrecadação brasileira em números totais está a 39% do PIB, mas o potencial pleno, que é a arrecadação sem nenhuma sonegação está a 80% do PIB. Isto quer dizer que uma pessoa que pague todos os seus impostos deixa nas mãos do governo 80% do que recebe, e com a pífia contrapartida de que deste confisco apenas 9% será usado em seu benefício e os demais para as mordomias do governo e os programas nocivos e eleitoreiros

Eta Brasil

O artigo abaixo do cientista político Francisco Marcos foi retirado do blog Prosa e Política

- http://pep-home.blogspot.com/ -

e postado por Adriana Vandoni.

Muito real e muito bom:

Por Francisco Marcos, cientista político

O texto abaixo e aspado é de Élio Gaspari e sobre o qual alinho considerações que julgo pertinentes à conjuntura que vivemos no surrealismo brasileiro.

“O governo decidiu segurar o preço da energia que vende aos grandes consumidores. Não faz isso só porque gosta deles mas também porque o megawatt-hora comprado a R$ 80 ajuda a baixar a inflação.

Essa filantropia transfere dinheiro do andar de baixo para o de cima. A patuléia, consumidora de energia nos relógios, paga de R$ 100 até R$ 800 pelo mesmo megawatt. Depois de pagar pela construção das hidrelétricas que produzem energia barata, a choldra se vê obrigada a financiar as térmicas do megawatt caro.”

O portento que há seis anos é inquilino do Palácio da Alvorada vive a apregoar que é o pai dos pobres, mormente defronte à uma platéia nordestina. Lembremos que o saudoso Getúlio Vargas era considerado como tal. Existe uma enorme distância entre as duas figuras. Gegê possuía visão de estadista, se comportava como tal, dotado de uma sagacidade política muito mais acurada do que o gnomo de boteco, fez-se chefe de uma revolução e venceu. A história se divide entre antes e pós Getúlio. A urbanização no Brasil teve início com ele, Volta Redonda e sua usina, a Petrobrás hoje tão cafetinada pelos “cultores da ética na política.” Fundou dois partidos: PSD voltado para os fazendeiros e elite política, e o PTB visando neutralizar o préstimo e monitorar o movimento trabalhista, bem como incomodar os industriais paulistas. Criou a CLT, mas para o campo criou o que?

O eterno candidato teflon distribui migalhas aos pobres e fartos banquetes aos que ele chama de elite, esquecendo que jamais teve pejo de aceitar doações contabilizadas ou não desta mesma elite. Dentro da minha ignorância e desimportância resolvi conceder-lo o título de “Mãe Amantíssima” das elites,destacando Andrade, Jereissati, Dantas, Setubal. Moreira Salles, magnatas espanhóis dos mais diversos segmentos econômicos e outros menos votados. Os conspiradores é que destilam ódio propagando inverdades: Dengue, Febre Amarela, Alta Arrecadação Tributária, Estradas mal cuidadas, Portos obsoletos, Ferrovias abandonadas, Falência do ensino público. Domínio do crime organizado, Corrupção endêmica, Mau caratismo, Mentira travestida de verdade.

“Talvez a maior lição da história seja a de que ninguém aprendeu as lições da história.”

January 1, 2008

Contradições.

Filed under: ARTIGOS, administração, legislação, política, Ética — rlaf44 @ 7:00 pm


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Não sendo eu instruído na carreira legislativa ou legal, fico sempre imaginando o significado amplo da palavra democracia sem na verdade encontrar uma coerência final no o que realmente significa este sistema de governo.

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As pessoas e jornalistas que dentro de suas colunas, citam este sistema, dizem ou escrevem uma visão geral, com poucos detalhes e apenas superficial mais para ilustrar o tema em que se baseia a notícia.

Outro dia herdei de um primo recentemente falecido, alguns livros interessantes, e entre eles, um que se destaca é o “Dicionário de Política” editado pela UNB, e tendo como autores: Norberto Bobbio, Nicola Matteucci, e Gianfranco Pasquino.

Este exemplar é a 8ª edição de um livro originalmente italiano e magistralmente traduzido, editado pela gráfica da Universidade de Brasília.

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Procurei então neste livro a definição de Democracia.

É um tema extenso e complicado, sendo que este tema foi durante séculos discutido entre os povos, sem que se chegasse à uma conclusão inteiramente óbvia sobre a melhor maneira de governo popular.

Sendo a sociedade como um todo muito mais dinâmica do que as leis, algumas idéias que poderiam ter dado certo entre uma sociedade, ficaram datadas com o passar dos tempos, e foram então distorcidas e modificadas por ação do próprio povo. Estas modificações em curso, feitas geralmente por pessoas visando algum interesse próprio, levam à modificações do sistema do povo para um sistema menos participativo que nos casos extremos termina com uma ditadura déspota, onde os direitos cidadãos não são respeitados.

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Pelo que eu pude vislumbrar dentro dos ensinamentos deste tema, a democracia atual se baseia em dois itens:

1. Voto popular – o mandatário é escolhido por votação popular voluntária.

2. Independência entre os poderes – Os três principais poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, têm que ser totalmente independentes entre si.

As democracias existentes atuais, que governam as repúblicas, têm algumas características próprias de cada uma delas, e das 165 atuais, apenas 11 mantêm um regime democrático à mais de 30 anos.

A mais duradoura de todas é a republica dos Estados Unidos da América, que instituiu a sua constituição em 1789, e que nela especificou o seu tipo de governo e que é respeitado até hoje.

Existem atualmente algumas distorções sociais no sistema americano, que são constantemente discutidos em sua suprema corte, mas em síntese o sistema prevalece.

Desde que em uma democracia o poder emana do povo, e sendo que nos países modernos o desejo do povo é manifestado pelos representantes deste povo, a promiscuidade entre o executivo e o legislativo prejudica esta relação.

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O judiciário, que seria o responsável para julgar procedentes as modificações necessárias para a adaptação do sistema democrático ao dinamismo social, deve ser o mais afastado possível do sistema executivo para se evitar decisões parciais ou privilegiadas.

As principais distorções do sistema atual brasileiro são as seguintes:

· Obrigatoriedade de voto –

o A prática do voto obrigatório remonta à Grécia Antiga, quando o legislador ateniense Sólon fez aprovar uma lei específica obrigando os cidadãos a escolher um dos partidos, caso não quisessem perder seus direitos de cidadãos. A medida foi parte de uma reforma política que visava conter a radicalização das disputas entre facções que dividiam a pólis. Além de abolir a escravidão por dívidas e redistribuir a população de acordo com a renda, criou também uma lei que impedia os cidadãos de se absterem nas votações da assembléia, sob risco de perderem seus direitos.

o No Brasil, o voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos, e opcional para cidadãos de 16, 17 ou acima de 70 anos. Críticos dessa lei argumentam que ela facilita a criação de currais eleitorais, onde eleitores de baixo nível educacional e social são facilmente corrompidos por políticos de maior poder financeiro, que usam técnicas de marketing (quando não dinheiro vivo ou favores diretos) para cooptá-los. Ainda de acordo com os críticos, o voto obrigatório é uma distorção: o voto é um direito, e a população não pode ser coagida a exercê-lo.

· A compra de votos –

o Sempre vai existir um pequeno percentual de votos comprados. A justiça está de olho e alguns parlamentares que foram pilhados comprando votos perderam os seus mandatos. Agora depois da reeleição para presidente da republica, os programas sociais do governo, estão descaradamente sendo usados para comprar votos. Pelas ultimas estatísticas do IBGE, são 47 milhões de pessoas diretamente inscritos nos programas sociais do governo, principalmente o “Bolsa Família”. Com a obrigatoriedade do voto e com um benefício como esta esmola dada sem nenhuma contrapartida, fica evidente que a máquina federal está aparelhando uma grande parte da população para mascarar a democracia, e cinicamente comprando votos. Se considerarmos que pelo menos a metade desta população vivendo à custa do governo, e ouvindo nos programas de campanha eleitoral que um novo governador ou presidente vai acabar com a mamata. Votam com o governo para garantir a manutenção da mamata.

o Sendo as máquinas de votar muito sofisticadas hoje em dia, seria bem fácil cruzar os votos dados com os participantes dos programas sociais do governo, e anular estes votos, para que depois das eleições não exista a possibilidade de um impedimento por votos comprados.

o O TSE deveria ficar atento a esta possibilidade para que a tênue democracia existente atualmente, não fique travestida de legalidade sendo que na verdade, a maioria dos votos foi comprada com dinheiro dos impostos.

· A impunidade –

o Durante a campanha para presidente, ficou constada uma situação de caixa dois pela campanha do Lula para presidente. Comparado com as cifras faraônicas das campanhas, o valor em pauta era apenas de R$20.000,00.

o Diante desta possibilidade, de impugnação da chapa do Lula, o simpático TSE decidiu que como era apenas uma questão de vinte e poucos mil reais, isto não representaria uma vantagem real para o Partido dos Trabalhadores, e arquivou o processo.

o E aqui fica a pergunta para o Ministro Marco Aurélio Mello (O autor da decisão): e a quebra da lei? Se for pequena pode ficar impune? E onde na constituição existe alguma clausula sobre isto? E onde no código penal existe a estipulação de que se o delito for por questão quantitativa monetária inferior aos milhões gastos em campanhas políticas pode ficar impune? E onde em algum lugar exista uma decisão de que se o valor do roubo for pequeno, que o perpetrador do delito pode ficar com a vantagem da pilhagem?

· O governo por decreto –

o Existe uma possibilidade dentro da nossa constituição que está definitivamente sendo usada pelo poder executivo para mascarar a democracia e fazer dela um sistema esdrúxulo e espúrio, sem realmente uma das características de separações entre os poderes. São as medidas provisórias editadas sem critério ou sem limites, fazendo do executivo um legislador das próprias decisões.

o Este aparato está sendo usado indiscriminadamente pelo governo, às vezes em claro detrimento da constituição, sem as necessárias causas e motivos emergenciais, para parar a pauta do congresso, em certas decisões que não favorecem ou fazem parte dos planos do executivo. E quando aparecem votações interessantes aos interesses do executivo, elas são cinicamente retiradas e a pauta fica então liberada para a votação que favorece os interesses do executivo.

o Esta promiscuidade entre poderes, tira do povo a possibilidade de interferência em assuntos de interesse popular direto, e deveria sem perde de tempo ser modificada, limitando imediatamente o número de medidas provisórias que o executivo poderia emitir. Um bom número seria apenas seis por ano ou uma a cada dois meses, apenas para os assuntos de real emergência. Este excesso de medidas provisórias criou um governo por decreto e a representatividade democrática fica definitivamente abalada.

Bem por hoje, são estas divagações sobre os regimes democráticos existentes e entre eles o do Brasil que está rapidamente se modificando para ficar parecido com a democracia de Hugo Chaves, Fidel Castro, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Sadan Hussein, entre outros déspotas onde de acordo com eles estes mandatários foram eleitos com os votos populares, e então este era um sistema democrático.

Nem sempre a pura manifestação do povo pelo voto se traduz em uma democracia.

Um bom 2008 para todos os participantes deste local de desabafo, e um agradecimento pelas visitas e pelos comentários enviados.

Um grande abraço

Roberto Leite

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December 24, 2007

As verdades!…..

Filed under: ARTIGOS, economia, política, Ética — rlaf44 @ 10:55 am

As verdades!…..

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Outro dia, um comentarista do blog, meu homônimo, (agradeço o comentário e a visita e o comentário está publicado) comentou que a oposição é muito cara de pau, por querer pautar o Brasil com a agenda derrotada em 2006.

Eu não me considero oposição política, sou sim oposição desta corja que o MP reconheceu como a maior quadrilha já posta em prática para roubar o erário.

A oposição não perdeu em 2006 com uma agenda derrotada, perdeu simplesmente por não saber fazer a campanha política necessária, por pensar que os problemas que envolviam o governo Lula iriam derrotá-lo por si só, e perdeu por excesso de selo em fazer uma campanha limpa e politicamente correta.

Perdeu por não insistir que o Lula explicasse a súbita fortuna de seu filho Luiz Flávio. Perdeu por não insistir que o Lula explicasse a reforma de seu apartamento com os cartões corporativos. Perdeu por deixar que os beneficiados pelos programas como a “Bolsa Esmola” pudessem votar.

Pelas ultimas contas, os beneficiados pela “Bolsa Família” são mais de 40 milhões, e estes quarenta milhões, como não poderia deixar de ser votaram no Lula.

Outro dia um prefeito perdeu o mandato por usar uma publicação oficial para fazer campanha política. Se estes quarenta milhões de beneficiados, que são realmente votos comprados, fossem impedidos de votar, o Lula iria ter somente 18 milhões de votos e perderia.

O TSE viu tudo isto de olhos fechados, e fez vista grossa quando a campanha do
Lula insinuou que se o opositor fosse eleito, o programa da esmola iria acabar.

A oposição viu tudo isto, e não fez nada e mereceu perder.

A agenda da oposição é a mesma do atual governo, pois o governo do Lula não tem agenda própria e segue na mesma política do governo anterior só que um pouco pior. E isto não quer dizer que a agenda do governo anterior está correta.

Está realmente parcialmente correta, mas também tem erros incríveis e distorções fantásticas que deveriam ter sido corrigidas se este atual governo tivesse competência para tal.

Os índices favoráveis da atual política estão assim porque o mundo permitiu e está crescendo como um todo. Poderia ter sido mais bem aproveitada se existisse um mínimo de boa vontade e competência por parte do governo.

Com a preocupação do governo em re-estatizar o país, aparelhar a máquina, e ao mesmo tempo se locupletar, esqueceu de governar.

E não foi falta de conhecimento, pois pessoas capazes e conhecedoras do problema não faltaram para não apenas criticar, mas oferecer as soluções cabíveis que colocariam o Brasil em um patamar superior frente ao mundo.

Leiam abaixo o artigo do economista Rodrigo Vieira de Ávila, permeado de pesquisas e verdades, que se fosse levado em conta poderia ter havido uma melhora considerável no Brasil.

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PAC: Programa de Atendimento aos Credores

Rodrigo Vieira de Ávila (*)

Dia 22 de janeiro de 2007, o Governo Federal anunciou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que consiste na suposta realização de investimentos de R$ 503 bilhões até 2010. Tais investimentos estariam dividos em três grandes áreas: “Logística” (transportes), “Energia” e “Infra Estrutura Social e Urbana” (habitação e saneamento). Com este Programa, o governo busca obter taxas de crescimento econômico maiores que as pífias taxas ocorridas nos últimos anos.

À primeira vista, esta quantia de R$ 503 bilhões parece algo monstruoso (valor este equivalente a quase 70% de todos os gastos do governo federal em 2006[1]), e sugeriria que o governo estaria realmente empenhado em melhorar a infra-estrutura do país, e as condições de vida da população brasileira. Mas o PAC não significa isso. Na realidade, o PAC aprofunda a política de superávits primários e de priorização aos gastos com a dívida pública, adotando medidas que implementam a proposta feita recentemente por Delfim Netto, do chamado “Déficit Nominal Zero”. Esta proposta consiste em aumentar o superávit primário de forma a viabilizar o pagamento de todos os juros da dívida. Visto que hoje o superávit equivale a menos da metade dos juros, a proposta de Delfim prega a realização de um ajuste fiscal de longo prazo, que busque cortar os gastos sociais (principalmente os da previdência, salário mínimo e dos servidores públicos) por um período de 10 anos, de forma a viabilizar o total pagamento dos encargos da dívida.

Para implementar a idéia proposta por um dos maiores ícones da ditadura militar, o governo Lula incluiu no PAC medidas que visam cortar gastos sociais pelos próximos 10 anos. Não por acaso, um dos itens do Programa denomina-se “Medidas Fiscais de Longo Prazo”, e prevê a limitação por 10 anos dos gastos com os servidores públicos, a limitação do reajuste do salário mínimo a índices pífios até 2011 e a criação do Fórum Nacional da Previdência Social, que visa propor uma nova Reforma da Previdência, para retirar mais direitos duramente conquistados pelos trabalhadores.

A Dívida Pública, o verdadeiro entrave ao desenvolvimento

Em 2006, o país sofreu uma sangria nunca antes vista na história. Os gastos federais com juros e amortizações das dívidas interna e externa[2] atingiram nada menos que R$ 275 bilhões, valor este equivalente a 37% do Orçamento de 2006. Parece impossível acreditar que esta fortuna, que beneficia uma elite de rentistas, foi muito maior que todos os gastos em 2006 da Previdência Social (R$ 193 bilhões), que atenderam a 24,2 milhões de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e suas famílias, além de mais de um milhão de servidores públicos federais inativos e seus pensionistas. O gráfico da página seguinte mostra como os gastos com a dívida em 2006 foram muitas vezes superiores aos gastos destinados a importantes áreas sociais.

Estes R$ 275 bilhões, gastos com a dívida apenas em 2006, equivalem a mais da metade do valor anunciado para o PAC para os próximos 4 anos (R$ 503 bilhões). Enquanto limita pesadamente os gastos sociais, o PAC, assim como todas as medidas econômicas deste governo e dos anteriores, não traz limite algum aos gastos com a dívida pública. Como veremos a seguir, esse Programa implementa, por lei, limitações nunca antes feitas aos gastos sociais, razão pela qual o PAC representa, na realidade, um verdadeiro “Programa de Atendimento aos Credores”.

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Orçamento Geral da União – 2006 – Executado até 31/12/2006

Fonte: Orçamento Geral da União (Sistema Access da Câmara dos Deputados)

Nota: Não inclui o Refinanciamento da Dívida

Limite para os gastos com servidores

Uma das medidas do PAC é o Projeto de Lei Complementar (já editado) que limita os gastos com servidores. Ele altera a “Lei de Responsabilidade Fiscal”, e diz que o gasto com funcionalismo somente poderá aumentar pela inflação mais 1,5% de aumento real, pelos próximos 10 anos (dentro da idéia do Déficit Nominal Zero). Esta medida elimina a possibilidade da recuperação, pelos servidores, das perdas passadas, uma vez que o próprio crescimento do número de servidores (pela realização de concursos públicos) ou a progressão na carreira dos servidores em atividade já consome a maior parte deste 1,5% de aumento real anual.

Importante lembrar que, em 1995, os gastos com pessoal equivaliam a 56,2% da Receita Corrente Líquida[3] do Governo Federal. Em 2005, equivaliam a apenas 30,9% (segundo o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, de março/2006). E os neoliberais de plantão continuam apregoando que os gastos com pessoal são o grande problema das contas públicas. Mas o pior é que o governo adota esta idéia, e ainda propõe limitar de forma inédita (por meio de Lei Complementar) os aumentos dos servidores pelos próximos 10 anos.

Um detalhe importante dessa medida é que este limite - de aumento real de 1,5% ao ano - é para a folha de pagamento como um todo, ou seja: algumas categorias de servidores podem receber aumentos diferenciados. Ou seja: trata-se de incentivar uma guerra entre os próprios servidores, que terão de disputar entre si os parcos recursos para seus respectivos reajustes.

Um pequeno atenuante desta medida é o fato dela excluir do limite o impacto financeiro das alterações de legislação (resultantes das negociações com os servidores) efetivadas até 31 de dezembro de 2006.

Limite para o aumento do salário mínimo

Com relação ao salário mínimo, o PAC transforma em Lei o recente acordo com centrais sindicais, segundo o qual o índice anual de reajuste nos próximos quatro anos será baseado na inflação mais a variação real do PIB de dois anos atrás. Ou seja: dadas as últimas projeções para o crescimento econômico brasileiro nos próximos anos, o mínimo apenas crescerá cerca de 3% ao ano em termos reais. Sempre é bom lembrar que o “salário mínimo necessário” (calculado pelo DIEESE) era de R$ 1.510 em outubro de 2006. Este é o valor que garante o cumprimento do Artigo 7º da Constituição, segundo o qual é direito do trabalhador o salário mínimo capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Porém, com este índice de reajuste definido pelo governo e centrais sindicais, serão necessários 50 anos para que o mínimo atinja R$ 1.510. Isso considerando que o PIB crescerá 3% ao ano no período.

Essa limitação ao salário mínimo também segue a lógica do “Déficit Nominal Zero”, uma vez que visa impedir o aumento, como proporção do PIB, dos gastos com a Previdência. Dentro desta visão neoliberal, a Previdência seria a grande vilã das contas públicas, pois apresentaria imenso “déficit”, que teria de ser combatido com a redução dos benefícios previdenciários. Porém, sabemos que este “déficit” é fabricado através da mera comparação entre benefícios previdenciários e contribuições sobre a folha de salários. Esta falsa comparação omite escandalosamente que a Constituição de 1988 definiu que as fontes de financiamento da Seguridade Social (que inclui as áreas de saúde, assistência e previdência) não seriam apenas as contribuições sobre a folha, mas também contribuições como a Cofins, a CPMF e a CSLL. Quando computamos estas outras fontes de receita, verificamos que a Seguridade Social é altamente superavitária.

Criação do Fórum Nacional da Previdência Social

A Reforma da Previdência também é um dos pontos centrais da proposta de Déficit Nominal Zero, de Delfim Netto, e adotada por Lula. Por Decreto Presidencial de 22/01/2007, o PAC criou Fórum para a elaboração de uma proposta de Reforma da Previdência, tanto para o setor privado (INSS) como para os servidores públicos.[4] Para não ter de assumir o ônus político de propor a Reforma, Lula cria um Fórum que contará com a participação das centrais sindicais, governo e empresários. Em notícia do jornal Estado de São Paulo, de 23/01/2007, o Secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, diz abertamente que um dos objetivos do governo com o Fórum da Previdência é estabelecer a idade mínima para a aposentadoria no INSS. A notícia mostra também que o governo ainda vai “subsidiar” o Fórum com estudos encomendados. Ora, já vimos este filme. É claro que estes estudos tendenciosos irão justificar uma nova reforma. É claro também que tudo isso não passa de encenação para que o governo tente fazer a reforma sem “sujar as mãos”.

Em notícia do jornal Investnews, no dia 24/01/2007, representante do setor financeiro afirma que “O Fórum permitirá a reunião de amplos setores da sociedade para discutir medidas polêmicas, que o governo não consegue adotar unilateralmente. Entre elas, por exemplo, o aumento da idade mínima para aposentadoria e o fim da aposentadoria especial para as mulheres (…) Com o Fórum poderão ser encontradas soluções consensuais, fazendo com que o Congresso acolha as medidas”. Está claro que os bancos, que terão assento garantido no Fórum (ao lado dos empresários, que também defendem pesadas reformas da Previdência) irão buscar a deterioração da previdência pública, para que possam ganhar rios de dinheiro explorando a previdência privada.

Resta saber qual será o papel das Centrais Sindicais neste Fórum. Irão novamente contra o interesse dos trabalhadores, assim como o foram na Reforma da Previdência de 2003?[5] Irão legitimar uma nova reforma, para livrar a cara do governo? Irão novamente se utilizar de um Fórum para tentar criar um falso consenso, como no recente episódio da Reforma Sindical?

É importante ressaltar também a contradição no fato do governo estar criando um Fórum para a discussão da Previdência e estar, ao mesmo tempo, impondo a aprovação do projeto da “Super Receita”, já em fase final de tramitação no Congresso. Ora, se a unificação dos fiscos já está concentrando no Tesouro os recursos da Previdência, qual a utilidade da criação deste Fórum, senão para implementar uma reforma previdenciária?

O PAC e a falsa redução do superávit primário

Apresentado pelo governo e pela imprensa como um Programa ambicioso de meio trilhão de reais em investimentos, o PAC, na verdade, é mais do mesmo. Nada menos que R$ 274 bilhões (dos R$ 503 bilhões totais) são investimentos em energia, oriundos de empresas estatais - principalmente a Petrobrás, cujos investimentos já estavam previstos antes do PAC - e outras fontes (fora do Orçamento Geral da União), ou seja: isso não representa um aumento significativo nos investimentos públicos. Outros R$ 146 bilhões referem-se a supostos investimentos em habitação e saneamento. Porém, não se trata de investimento público, e sim, preponderantemente, de financiamentos a empresas e pessoas físicas, que podem não ser contratados, e caso o sejam, terão de ser reembolsados ao governo. Outros R$ 58,3 bilhões são investimentos em transportes, em obras que, na maioria das vezes, já estavam previstas no Plano Plurianual de Investimentos (2004-2007).

A única fonte adicional relevante de recursos do Orçamento Geral da União para o PAC é o Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que fornecerá R$ 52,5 bilhões nos próximos 4 anos, que não são contabilizados no cálculo do superávit primário. O PPI subirá dos atuais 0,2% do PIB para 0,5% do PIB nestes 4 anos, o que reduziria o superávit primário de 4,25% para 3,75% do PIB. O governo e setores da mídia apregoam que, desta forma, o governo Lula estaria priorizando os gastos sociais ao invés de gastar com a dívida. Errado. Em primeiro lugar, esta suposta redução no superávit se equivale a “retirar o bode da sala”, ou seja, reduzir o superávit para os níveis ocorridos durante o governo FHC. Em segundo lugar, por imposição do FMI, o PPI somente pode abranger empreendimentos que tenham retorno financeiro, principalmente por meio da cobrança de pedágios e tarifas. A maior parte destes investimentos se dá no setor de transportes, com a recuperação ou construção de rodovias. Após o Estado fazer os maiores dispêndios, estes empreendimentos podem ser repassados à iniciativa privada, que cobrará tarifas ou pedágio. É bom lembrar que o governo já anunciou que vai conceder à iniciativa privada 7 trechos de rodovias, onde serão instalados pedágios.

Ou seja: o PPI é, na verdade, mais uma forma de financiar privatizações, e esta suposta “redução” no superávit é falsa, pois o povo pagará por isso na forma de pedágios e tarifas. Ao mesmo tempo em que destina a maior parte do orçamento para o pagamento da dívida e contingencia os recursos da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), criada exatamente para custear as melhorias na rede viária, o governo obriga as pessoas a pagarem mais uma vez para poderem trafegar em estradas com boas condições.

Crescimento Econômico: para quem?

Em sua obsessão em atingir um crescimento econômico de 5% ao ano, o governo esquece de uma questão fundamental: quais seriam os setores que deveriam ser beneficiados? O PAC não questiona o modelo econômico brasileiro, que serve principalmente ao pagamento da dívida. Para tanto, este modelo privilegia os setores exportadores (que garantem as divisas necessárias para o pagamento aos credores externos) e o setor financeiro. É bastante ilustrativo o fato de que, logo após a divulgação do PAC - que teria por objetivo o aumento dos investimentos - o Banco Central reduziu o ritmo de queda das taxas de juros brasileiras, que são as maiores do mundo.

Na área de energia elétrica, por exemplo, o PAC prevê facilidades para os financiamentos concedidos pelo BNDES. A idéia seria afastar a hipótese de um novo apagão. Porém, temos de entender a lógica do sistema elétrico brasileiro, que hoje privilegia o atendimento das indústrias eletro-intensivas (como por exemplo as de alumínio, papel, celulose, etc), que consomem cerca de 32% da energia utilizada no Brasil[6]. São indústrias que produzem preponderantemente para a exportação, causam danos ambientais e geram poucos empregos, e ainda se beneficiam de tarifas baixíssimas de energia, muito menores que as pagas pelos consumidores residenciais. Ao invés de reverter este modelo que está depredando o meio ambiente e privilegiando pouquíssimos, o PAC faz o contrário: altera a legislação ambiental, de forma a agilizar os processos de licenciamento de empreendimentos energéticos.

Outra característica do PAC que ilustra a manutenção do modelo econômico é a ausência total do tema da Reforma Agrária, que, este sim, teria papel fundamental no desenvolvimento do país. Pesquisas comprovam[7] que os assentamentos de Reforma Agrária promovem uma dinamização da economia local e a distribuição de renda, diferentemente do chamado “agronegócio”, que não gera emprego e produz para a exportação. Ilustra bem esse aspecto a inclusão, no PAC, do Projeto de Transposição do São Francisco, que afetará seriamente o meio ambiente, para beneficiar o agronegócio.

No setor de transportes, a prioridade também é a facilitação do escoamento da produção nacional para o resto do mundo, através de ferrovias, hidrovias, rodovias e melhoria de portos. Alguns destes projetos são altamente danosos ao meio ambiente, como a hidrovia Paraná-Paraguai e o complexo do Rio Madeira, formado pelas hidrelétricas do Jirau e Santo Antônio, que visa também a criação de um grande sistema de hidrovias. Estes projetos visam escoar uma produção principalmente de minérios e commodities agrícolas, que beneficiam poucas empresas (muitas delas transnacionais), e não o povo brasileiro, que apenas fica com os danos ambientais causados por tais empreendimentos.

Outra prova de que o PAC não muda a lógica econômica é a ausência de uma reforma tributária realmente distributiva. As medidas tributárias do PAC se limitam a pequenas isenções fiscais a determinados setores, muitos deles altamente oligopolizados (como os do aço) que irão simplesmente embolsar tais isenções, não as repassando para o consumidor final.

Mudar o modelo de desenvolvimento

Para o Brasil realmente se desenvolver, é necessário alterar o modelo econômico, baseado no atendimento aos credores financeiros e exportadores. Para isso, deve alterar a política relativa ao endividamento. Não é possível que um país continue gastando 37% de seu orçamento anual (o equivalente a mais da metade dos supostos investimentos do PAC em 4 anos) para remunerar os rentistas. Os gastos com a dívida impedem os verdadeiros investimentos nas áreas que o país precisa, como educação, saúde e reforma agrária que, não por acaso, estão de fora do PAC.

A política de priorização aos rentistas impede os verdadeiros investimentos públicos, enquanto o nível altíssimo de endividamento brasileiro deixa o governo na mão do mercado financeiro, que assim continua cobrando altos juros para rolar a dívida. O Banco Central continua alheio aos anseios do país, mantendo e aprofundando a política dos juros mais altos do mundo, o que impede também o investimento privado.

Sem enfrentar o endividamento, não há mágica que faça o país se desenvolver. E para enfrentar o endividamento, o estoque atual da dívida deve ser questionado. Do contrário, continuaremos a pagar juros para sempre, pois, mesmo que a taxa Selic fosse drasticamente reduzida, o enorme estoque do endividamento nos obrigaria a gerar superávits primários monstruosos para pagarmos apenas os juros desta dívida.

E para questionarmos de forma soberana o estoque desta dívida obscura e repleta de irregularidades, nada melhor do que uma ampla e profunda auditoria com a participação da sociedade civil. Temos de identificar, por exemplo, as responsabilidades da ditadura militar sobre a dívida externa, uma vez que seu estoque atual decorre da elevação unilateral e ilegal das taxas de juros pelos EUA no final dos anos 70. Temos de identificar as irregularidades na sua contratação, já denunciadas em relatórios do Congresso Nacional. Temos de identificar como este endividamento externo implicou no enorme endividamento interno, provocado pelas altíssimas taxas de juros brasileiras, uma vez que estas foram estabelecidas para se atrair o capital estrangeiro, garantindo-se assim as divisas necessárias ao pagamento dos credores externos.

Temos de identificar também porque as dívidas dos estados foram completamente assumidas pelo Governo Federal no final dos anos 90 (quando já se encontravam infladas pelas atronômicas taxas de juros do governo federal), sem nenhum questionamento da origem obscura e muitas vezes ilegal destas dívidas. Temos também de questionar a legalidade das taxas de juros da dívida interna, uma vez que caracterizam crime de usura. Temos também de questionar os pagamentos antecipados da dívida externa, uma vez que foram feitos por meio da geração de mais dívida interna, mais cara e com prazos mais curtos.

É necessário uma auditoria sobre a dívida para que possamos recuperar o dinheiro que foi saqueado dos cofres públicos por todas estas décadas, punirmos os responsáveis por tais crimes, e, principalmente, mudarmos nosso modelo de desenvolvimento, por outro que não implique na depredação ambiental, na concentração de renda e no privilégio a um pequeno grupo de rentistas.

Brasília, 26/01/2007


(*) Economista da Campanha Auditoria Cidadã da Dívida, inserida na Rede Jubileu Sul Brasil.

[1] Exclusive o gasto com o Refinanciamento da Dívida (ou seja, a troca de títulos velhos por novos).

[2] Idem nota acima. Fonte: Orçamento Geral da União (Sistema Access da Câmara dos Deputados, 31/12/2006)

[3] A Receita Corrente Líquida do Governo Federal equivale às receitas menos as transferências a estados e municípios, a contribuição para o PIS/PASEP e os benefícios previdenciários do INSS.

[4] Em seu Artigo 1º, inciso I, o Decreto diz que o objetivo do Fórum é “promover o debate entre os representantes dos trabalhadores, dos aposentados e pensionistas, dos empregadores e do Governo Federal com vistas ao aperfeiçoamento e sustentabilidade dos regimes de previdência social e sua coordenação com as políticas de assistência social” (grifos nossos). Ou seja, a Fórum abrangerá tanto o Regime Geral de Previdência Social (INSS) como também o Regime Próprio de Previdência dos Servidores.

[5] O presidente da CUT, Luiz Marinho, chegou a ser contrário à greve dos servidores públicos pela retirada da proposta de Reforma da Previdência em 2003. Ver notícia da Folha de São Paulo, de 12/06/2003, “Protesto opõe direção da CUT e servidores”.

[6] Dado fornecido pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), no site http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=1143&alterarHomeAtual=1

[7] Ver, por exemplo, pesquisa do NEAD (Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural), “Impactos dos Assentamentos: Um estudo sobre o meio rural brasileiro”, de 2004.

December 9, 2007

Profecia?

Filed under: ABOBRINHAS, ARTIGOS, CPMF, educação, política, Ética — rlaf44 @ 10:30 pm

Profecia?

Será que o Barão de Itararé seria um profeta?

Ele cunhou esta frase:

Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio.

Nome:

Aparício Fernando
de Brinkerhoff Torelly -
Nascimento: 29/01/1895
Natural: Rio Grande do Sul Morte: 27/11/1971

Mais sobre o Barão de Itararé em:

http://www.releituras.com/itarare_bio.aspbarao-de-itarare.jpg


Foi em meados de 1930 quando o Barão de Itararé escreveu esta frase, aproximadamente uns dez anos antes do Lula nascer. Quanta verdade contém esta frase.

Ouvindo o Apedeuta dizer suas besteiras defendendo o indefensável que é a permanência da CPMF, ele já se considera um imperador.

Fazendo ameaças por todas as partes, e seguido de perto por seu séquito de ignorantes e aproveitadores, dizendo e repetindo as mesmas ameaças.

Outro dia surgiu na mídia uma matéria sobre o MMM (Ministro Mantega Mentira), dizendo que o plano emergencial já está pronto, se perderem a aprovação da CPMF, eles vão criar um imposto igualzinho por medida provisória.

Que grande cara de pau desta gente, medidas provisórias são medidas emergenciais e estão sendo usadas para tudo desde manipular as votações no congresso ou para arrancar mais dinheiro do povo. Outro dia escutando um economista na CBN, gostaria de lembrar o nome, mas estava dirigindo e não pude pegar, disse uma frase que resume tudo sobre a necessidade de se abolir a CPMF:

“A CPMF retira 40 bilhões da sociedade, e coloca nas mãos do governo para gastar como quiser, e o governo gasta mal”

O presidente Lula mente muito para enganar os incautos sobre o imposto:

“Somente 14 milhões de pessoas pagam a CPMF” – Mentira deslavada e cínica:

Divide-se 40 bilhões de Reais por 14 milhões de pessoas ou correntistas, e consegue-se uma média de R$ 3.000,00 por cada conta corrente. É muito dinheiro para ser retirado das contas dos correntistas, e será muito mais do que os 0.38% que é o imposto. De onde vem esta diferença? Do povão que paga por tudo o que consome e em cascata o valor da CPMF multiplicado por tantas vezes quanto a mercadoria trocou de mãos. Outra mentira:

“Sem a CPMF, não haverá dinheiro para a saúde” – Mentira deslavada e cínica:

Pela constituição o governo tem obrigação de gastar 20% do PIB com a saúde pública, tenha CPMF ou não e se não gastar, como não gasta, este governo deveria ser impedido como queria o Novo Ministro do SEALOPRA Mangabeira Unger em 2005, e estes irresponsáveis deveriam ir para a cadeia.

“A CPMF é um imposto pequenino que não onera ninguém” – Mentira deslavada e cínica:

Se for um imposto tão insignificante, porque será que o Imperador Lula está se esforçando tanto para que ele continue? Porque será que ele cancelou o que mais gosta de fazer, e que é viajar pelo mundo à custa do erário, para ajudar a lutar para a permanência deste imposto indecente? E se é um imposto pequenino, como será que chegou a quarenta bilhões?

“Se os senadores não tiverem juízo, votam contra. Se tiverem juízo, eles aprovam e podem dizer para o povo que graças a eles a gente aprovou recursos para ajudar os pobres deste país. Se fosse para ajudar rico, ninguém votaria contra. Mas para conseguir um centavo para o povo pobre, é uma guerra” - Mentira deslavada e cínica:

“Eles quando eram da oposição, votaram em massa e fechados contra a CPMF, porque eram da “OPOSIÇÃO”. Queriam era ver o circo pegar fogo o que agora usam para explicar a atitude da oposição. E a CPMF é um imposto contra os pobres principalmente porque os ricos que colocam seu dinheirinho lá no exterior como fez a sua filha Lurian Cordeiro com os sete e meio milhões de Reais da sua ONG a “Rede 13” que quebrou e não prestou contas dos repasses que totalizaram esta quantia. Agora dizem que é imposto para ajudar pobres. Pobres aspones que ganham em média R$5.000,00 por mês, e que o Lula não para de contratar.”

“A CPMF arrecada R$ 40 bilhões e metade deles é para a saúde. Só o Bolsa Família utiliza 76% de dinheiro da CPMF” – Mentira deslavada e cínica novamente:

Metade é 50% com os 76% da bolsa esmola, seria 126%, portanto as contas do imbecil além de mentirosas não estão batendo. E Bolsa família é problema dele, não da CPMF e se a CPMF fosse totalmente usada na manutenção e melhoria da saúde, seria ainda ilegal, mas seria mais simpática, e a saúde estaria melhor do que o marasmo atual.

“Os deputados já votaram, não é possível que alguém não tenha a responsabilidade de saber que nenhum governo pode prescindir de R$ 40 bilhões”. – Mentira deslavada e cínica:

“Nenhum governo”, faltou completar “irresponsável como o nosso”, porque a arrecadação de impostos sem a CPMF, está 125% superior do que no governo FHC, e a infra estrutura está pior, as estadas estão pela morte, os portos inadequados, a energia está por uma pequena seca, a produção da Petrobrás caiu pela primeira vez em 30 anos, a educação está muito pior, a saúde está pior.

“- Quem não quer a CPMF é quem sonega imposto, porque a CPMF é um imposto que vai detectar quem está sonegando –“ - Mentira deslavada e cínica.

Se isto fosse a verdade, os mensaleiros e aloprados, que movimentaram bilhões de reais, seriam pegos e com provas irrefutáveis pois durante os golpes a CPMF estava em pleno vigor.

O dinheiro dos aloprados está até hoje na PF, onde ninguém reclamou a posse. Nas fotos divulgadas, os dólares têm um rótulo do Banco Central e os reais também são rotulados pela Caixa Econômica e pelo BC. E nem assim se consegue encontrar a origem deste dinheiro. E o marqueteiro do PT, o Duda Mendonça que foi receber seus honorários nas ilhas Cayman, onde não cobram CPMF. E quando eles eram contra? Eram eles sonegadores ou apenas caixa dois que o presidente disse na França ser coisa normal?

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Outras máximas do Barão de Itararé

Barão de Itararé

De onde menos se espera daí é que não sai nada.

Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.

Quem empresta, adeus…

Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

Quando pobre come frango, um dos dois está doente.

Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.

Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.

Quem só fala dos grandes, pequeno fica.

Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.

Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra).

Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.

Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.

O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

Os juros são o perfume do capital.

Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.

Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.

Cobra é um animal careca com ondulação permanente.

Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.

É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.

A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.

Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.

O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.

Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

Mulher moderna calça as botas e bota as calças.

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.

Pão, quanto mais quente, mais fresco.

A promissória é uma questão “de…vida”. O pagamento é de morte.

A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.




Uma ficção dantesca!

Filed under: ARTIGOS, IMPUNIDADE, Justiça, educação, política, Ética — rlaf44 @ 5:20 pm

Uma ficção dantesca!

Outro dia recebi por Email, uma carta entrevista, no formato Power Point da Microsoft, em que um reporter sem nome entrevista o criminoso Marcola.

Era uma entrevista impressionante, com recheios de realidade e fantasia erudita, coisa que eu duvido muito que seja da capacidade mental do Marcola.

Especialmente o final em Latim.

Surpreso pela possibilidade de ser real esta entrevista, eu pesquisei na internet, e descobri que era uma obra de ficção do colunista e cineasta Arnaldo Jabor, mostrando no formato Orson Wells (A Guerra dos Mundos), o desmando e a realidade da sociedade brasileira, quando joga para debaixo do tapete os problemas imediatos e colhe em futuros bem próximos os frutos desta opção.

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A educação, por exemplo, está totalmente desprestigiada. Seja ela qual forem pública ou privada, nossos alunos estão cada vez menos conscientes da realidade.

Para ser coerente com a atual realidade o governo deveria aplicar no mínimo 20% do PIB para a educação. (Coréia do Sul, Chile, Argentina, Índia, Rússia, e China, investem pelo menos 10% do PIB em educação) (A Coréia vem investindo 23% do PIB por mais de 25 anos)

Destes 20%, deveria ir para a educação Elementar, Básica e Secundária a maioria destes recursos.

A educação superior gratuita e totalmente financiada pelo governo deveria ser abolida a favor de uma educação paga, com as escolas produzindo recurso, pois seus laboratórios têm esta capacidade.

As escolas de medicinas podem ter seus próprios hospitais pagos ou em convênios mais baratos, mas deveriam ser auto-suficientes.

As escolas de engenharia poderiam ter seus laboratórios de pesquisas fazendo pesquisas para a indústria privada.

E por aí vai. As escolas primárias, não podem gerar recursos e devem ser custeadas com os impostos pagos pelo cidadão.

No Brasil as universidades públicas consomem 80% da parca verba da educação, que não passa de 5% do PIB.

Em contrapartida a Bolsa Família consome mais de 10% do PIB. E não ensina a pescar, é pura assistência permanente tipo esmola. E sem contrapartida. O único requisito é praticamente estar desempregado.

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Quando foi criada no governo FHC tinha a finalidade de manter na escola os menores de idade.

Para freqüentar escolas, primeiro é preciso ter escolas, professores, merenda.

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Não tendo escolas decentes, como vamos obrigar os alunos a freqüentarem?

Esta inversão de coisas no Brasil de deve exclusivamente ao fato de que os alunos das escolas primárias e secundárias, não podem votar e os universitários votam. Portanto os políticos em sua conhecida demagogia dão preferência para as leis que podem ajudar os alunos universitários.

Eles se esqueceram de que a base da universidade é simplesmente o ensino elementar e secundário. E sem uma base boa, a descriminação é maior, a ignorância maior e o despreparo para uma realidade atual é muito grande.

Os testes de conhecimento internacionais e nacionais mostram como andamos em comparação com o resto do mundo.

Quando não se dedica muito esforço para a educação, a sociedade fica segregada e despreparada.

Reflete em tudo na vida. O lixo nas ruas, os pequenos furtos, as pichações, que são pequenos delitos, que são admitidos por falta de educação, que se migram para delitos mais graves, que se migram para o crime organizado como na ficção do Jabor.

Vou reproduzir a ficção do Jabor e depois dois comentários a respeito desta ficção:

http://portal.an.uol.com.br/2006/mai/23/0opi.jsp

Artigos

Estamos todos no inferno Entrevista ao Jornal O GLOBO por “Marcola”marcola.jpg

Arnaldo Jabor jornalista e cineasta

a.j.producao em uol.com.br

- Você é do PCC?

- Mais que isso, sou um sinal de novos tempos. Era pobre e invisível… Vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

- Mas…a solução seria…

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir?; se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do País, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (fazer até conference calls entre presídios…) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria uma mudança psicossocial profunda na estrutura

política do País. Ou seja: é impossível. Não há solução.

- Você não tem medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar…mas eu posso mandar matar vocês lá fora… Somos homens-bomba. Na favela tem 100 mil homens-bomba… Estamos no centro do “Insolúvel”, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.

Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o “presunto” diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em “luta de classes”, em “seja marginal seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Há há… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?

Sou inteligente. Leio, li 3 mil livros e leio Dante…mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto deste País. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feita “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

- O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem 40 milhões de dólares como o Beira-mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado?

Somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas… há,há… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.

Temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Lutamos em terreno próprio. Vocês em terra estranha. Não tememos a morte. Vocês morrem de medo.

Somos bem armados. Vocês vão de “três oitão”. Estamos no ataque. Vocês na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade.

Vocês nos transformam em superstars do crime. Fazemos vocês de palhaços. Somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados.

Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora; somos globais. Não nos esquecemos de vocês; são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

- Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.

Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O País está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a Guerra”. Não há perspectiva de êxito… Somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha” daquelas bombas sujas mesmo… Já pensou? Ipanema radioativa?

- Mas…não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência.

Mas vou ser franco…na boa…na moral… Estamos todos no centro do “Insolúvel”. Só que nós vivemos dele e vocês…não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela.

Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: Lasciate ogni speranza voi che entrate! Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

…………………………………………….

PURA FICÇÃO

Ainda sobre a entrevista do pseudo-Marcola

Por Olívio Tavares de Araújo em 18/7/2006

Sinal dos tempos e da sina brasileira. Antigamente usávamos o adjetivo pseudo para textos clássicos aos quais durante algum tempo se atribuiu uma autoria que depois se verificou ser falsa: o pseudo-Plutarco, o pseudo-Plotino. No Brasil temos agora o pseudo-Marcola. Também eu fui vítima dessa confusão internética que – nunca descobriremos como, com que objetivos nem por quem – atribuiu ao bandido Marcola uma apocalíptica entrevista em O Globo. Agora sabemos que no original foi obra de ficção de Arnaldo Jabor – como tal, brilhante, irretocável. Inclusive nas improváveis mas afinal convincentes provocações estéticas. O pseudo-Marcola é quase um poeta: “Meus comandados … são fungos de um grande erro sujo”. “Chapeaux bas, messieurs!” – como disse Schumann diante de Chopin.

Entretanto, enquanto acreditei que a entrevista fosse verdadeira (felizmente, não mais que algumas horas), o que mais senti foi tristeza e medo. Tanta inteligência, tal precisão na anamnese e diagnóstico, domínio tão absoluto da palavra, conhecimento de causa, do ser humano e da história, porém num desesperado, convicto de que não existe solução e de que o inferno neste país é inevitável: seria esse, enfim, o nosso destino de líder revolucionário? Mas para os verdadeiros líderes revolucionários a esperança não constitui pré-requisito? Ademais um líder, lembremos, confessadamente criminoso e cruel, capaz de qualquer ato em função de seus propósitos, que reconhece mandar liquidar e colocar no ‘microondas’ as peças ineficientes de sua máquina de droga e morte? Um hitlerzinho porém com o sinal trocado – porque fundado em verdades?

Tiro errado

Tive tristeza e medo. Medo de classe? Um pouco, sem dúvida. Nunca passei fome. Financiado por meu pai, pude aprender inglês, francês, espanhol, italiano. Acabo de ser curador de uma exposição das obras caríssimas de Volpi num museu cuja presidente é banqueira, ouço com gáudio Mozart, Beethoven, Brahms, Schubert, Corelli, e estou relendo Anna Akhmatova e Konstantinos Kaváfis, este na impecável tradução de José Paulo Paes. Tudo isso certamente não me credenciaria a ser querido num futuro Estado pseudo-marcolês. Sou um intelectual brasileiro, essa categoria que o pseudo-Marcola tão percucientemente ironiza: “Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em ‘seja marginal, seja herói’? Pois é: chegamos, somos nós!” (Em tempo: enquanto grito de guerra, “seja marginal, seja herói” nunca me pareceu senão a imbecilidade que é, e que só transitou incólume porque durante a ditadura militar talvez não fosse mesmo de boa tática investir contra ele).

Ah, sim, ia-me esquecendo: sou também – ou pelo menos me considero – de esquerda. Quem sabe, então, não deveria ficar mais tranqüilo – já que a esquerda, supõe-se, seria a aliada histórica natural do pseudo-Marcola?

Ah, não, infelizmente essa ingenuidade já não tenho. Nada, nem no discurso do pseudo-entrevistado nem na lição do passado, me permite supor que, por ser de esquerda, eu seria poupado. Ser ou não de esquerda não iria servir a ninguém para nada. Na implantação do estado pseudo-marcolês não haveria tempo para questões de justiça, aliança, lealdade, princípios, ideologia – essas inúteis sutilezas de classe dominante. Assim como, garanto-lhes, não houve tempo para que Hitler e sua tchurma examinassem prévia e criteriosamente a lista dos mortos no expurgo de Roehm. Foi como deu, e pronto. Nessas, o crítico musical Willi Schmidt levou um tiro enquanto tocava seu violoncelo, antes que o executor percebesse que o nome na lista não era exatamente aquele. Havia uma diferença de um L e um D a mais ou a menos, uma coisa qualquer, assim. Uma pequena distração. E o Willi errado se foi.

O holocausto dos intelectuais humanistas

Voltando um pouco atrás. Resta outra hipótese. Quem sabe não valeria a pena o holocausto de minha classe, dos intelectuais humanistas e iludidos como eu – animais pré-históricos, diante dessa “terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias”, com toda propriedade (e de novo alguma poesia) descrita pelo pseudo-Marcola? Quem sabe não valeria a pena imolar tanto esquerdas como direitas, às tontas e às cegas, com a solene indiferença de um deus bárbaro, em prol do novo Estado pseudo-marcolês?

Mas será que temos motivos para crer que ele seria melhor e mais justo? Revoluções muito mais bem nascidas deram no que deram. Os 50.000 guilhotinados da Convenção deram em Napoleão, que deu nos 3,5 milhões de mortos do 18 de Brumário ao Grand Empire, que deu no Congresso de Viena, na reorganização reacionária da Europa, na restauração dos Bourbon na França, e na maravilhosa frase de Talleyrand sobre eles – que, essa sim, valeu a pena: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”. Lênin, coitado, deu em Stalin, que entre as repressões no campo, os expurgos e o Gulag parece que ultrapassou a marca dos 39 milhões de assassinados. Por enquanto o verdadeiro Marcola e o PCC não chegaram sequer às centenas. Mas se Marx tiver razão quanto à história se repetir como tragédia, antes de repetir-se como farsa…

Há alguns dias, neste mesmo Observatório da Imprensa a psicanalista Anna Verônica Mautner, uma criatura adorável, afirmou da pseudo-entrevista [ver remissão abaixo]: “Amei”. Declarou-a “maravilhosa”, e diante de sua apocrifia lamentou: “Queríamos todos que fosse verdade”. Todos quem, cara-pálida? Eu não, querida Anna Verônica. Não amei coisa nenhuma – e que maravilha que tudo era mentira! Estou agradecendo a Deus porque o pseudo-Marcola não existe. E a Arnaldo Jabor por toda a penosa mas excitante experiência.

“ENTREVISTA´´ DE MARCOLA

Onde começa e onde termina o virtual

Por Anna Veronica Mautner em 27/6/2006

Um belo dia, há duas semanas se muito, começou a aparecer entre meus e-mails, vindo de conhecidos e também de conhecidos de conhecidos, um texto de três páginas que continha – segundo o título – uma entrevista realizada por um repórter da Globo, anônimo, com o prisioneiro Marcola.

Confesso que fui tomada por um mecanismo que na psicanálise é chamado “mecanismo de negação”. Isto é, apaguei o fato de ter estranhado que uma entrevista tão importante não tivesse o nome do jornalista que a tivesse realizado. Preferi não acreditar nesta minha observação que mais tarde, como veremos, teria tudo a ver.

Li e reli a entrevista. Amei. Entre surpreendida e estonteada, andei dias com o papel na mão. Como eu sou analfabeta em máquinas e não sei usar o “encaminhar”, só sei usar o “responder” e o “imprimir” – a corrente parou na minha mão. Outros, mais hábeis que eu, continuaram espalhando a entrevista pelo mundo afora. Conversei até não mais poder a respeito do significado de tão maravilhosa entrevista, de tantas respostas pertinentes e argutas.

Quando já parecia estar passando o efeito, eis que me chega na forma de comunicado: a entrevista chegando às mãos de determinado jornalista, parou. Este esclareceu a uma de minhas amigas da corrente que o tal texto era da lavra de Arnaldo Jabor. Este meu amigo, Jabor, tinha inventado uma entrevista fictícia para sua coluna semanal. As perguntas e as respostas eram da lavra dele.

Criação de diálogos

O que de fato me deixou perplexa, me aturdiu, foi que todo um grupo de brasileiros, urbanos, alfabetizados, nível superior, gente do mundo, gente nada ingênua, tenha aceito que a produção intelectual de Jabor poderia ter sido gerada por Marcola que vive, sempre viveu, em um outro universo onde vigoram outros parâmetros e conceitos. Se fosse de verdade, com certeza teria o nome do entrevistador e ainda teria tido seguimento da imprensa.

Dias depois, encontro pessoalmente com Jabor, que tinha ouvido falar de uma certa entrevista do Marcola que estaria circulando, mas ainda não tinha chegado até ele. Ele confessou que não imaginou que se tratasse de sua própria obra de ficção. E assim se fechou a corrente.

Uma dramaturga disse que poderia ter desconfiado, pois a entrevista era obra de alguém afeito à criação de diálogos. Muita gente, pelo visto, estranhou. Contudo, queríamos todos que fosse verdade.

Por quê? Ainda não tenho resposta.

June 20, 2007

Filed under: ARTIGOS, bons artigos, educação, Ética — rlaf44 @ 2:28 pm

Classificação social.

Esta semana, alem da quantidade enorme de “Spams“, também recebi inúmeros Emails de grande valor e de informações preciosas e diversas. Foi de verdade uma boa mistura de correspondência.

A minha prima Claudia, que mora em Juiz De Fora MG, me enviou esta descrição de classificação social inusitada, mas cheia de verdades e vou publicar para compartilhar com vocês de uma boa teoria.

È de acordo com o Email enviado de Autoria de Martha Medeiros.

Estou repassando os créditos em confiança à origem, mas se houver alguém que saiba mais a respeito da origem pode reclamar que eu corrijo

Os ricos e os pobres - Martha Medeiros

Anos atrás escrevi sobre um apresentador de televisão que ganhava R$ 1 milhão por mês e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como um exemplo de pessoa pobre.

Agora leio uma declaração do publicitário Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que há no mundo os ricos-ricos (que têm dinheiro e têm cultura), os pobres-ricos (que não têm dinheiro mas são agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas idéias) e os ricos-pobres, que são a pior espécie: têm dinheiro mas não gastam um único tostão da sua fortuna em livrarias, shows ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignorância e a grosseria.

Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educação e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons hábitos. Os pobres-ricos não têm saldo invejável no banco, mas são criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos está na qualidade da informação que possuem, na sua curiosidade, na inteligência que cultivam e passam adiante. São estes dois grupos que fazem com que uma nação se desenvolva. Infelizmente, são os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira.

O que temos aqui, em maior número, é um grupo que Olivetto nem mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baixíssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso à cultura, infelizmente não ganham, não gastam, não aprendem e não ensinam: ficam à margem, feito zumbis.
E temos os ricos-pobres, que têm o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste país um lugar que mereça ser chamado de civilizado, mas que nada: eles só propagam atraso, só propagam arrogância, só propagam sua pobreza de espírito.

Exemplos? Vou começar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atrás de um Audi preto do ano. Carrão. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, não teve dúvida: abriu o vidro automático, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira pública. O Audi é só um disfarce que ele pôde comprar, no fundo é um pobretão que só tem a oferecer sua miséria existencial.

Os ricos-pobres não têm verniz, não têm sensibilidade, não têm alcance para ir além do óbvio. Só têm dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o garçom com desdém, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e não sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tevês de plasma em todos os aposentos da casa e só assistem programas de auditório, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reunião da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha para eles, pelo amor de Deus.

O Brasil tem saída se deixar de ser preconceituoso com os ricos-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve não só para proporcionar conforto, mas também para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que são aqueles inúmeros indivíduos que fazem malabarismo para sobreviver mas, por outro lado, são interessados em teatro, música, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante. É este o luxo de que precisamos, porque luxo é ter recursos para melhorar o mundo que nos coube. E recurso não é só Money: é atitude e informação.


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March 25, 2007

A PREPOTÊNCIA DO GOVERNO LULA

Filed under: ARTIGOS, Ecologia, administração, política, Ética — rlaf44 @ 6:33 pm

A prepotência do governo.

Na sexta feira passada, dia 23 de março, foi anunciado pela mídia de que foi dado pelo IBAMA a licença para construção do desvio das águas do Rio São Francisco.

O Brasil deveria estar de luto. Logo o IBAMA, subordinado ao Ministério do Meio Ambiente e à ministra Marina Lima. Como foi que se conseguiu isto? Ameaçaram a Ministra com algo terrível? Aparelharam todo o IBAMA para cuidar dos interesses do governo em vez de olhar os interesses da nação?

Existem centenas de estudos sobre a inviabilidade deste projeto louco e sem a menor chance de dar certo. A verba orçada para este projeto de 6,2 bilhões de reais, será toda desviada para campanhas políticas e benefícios sociais para os políticos.

Depois de comprovadas as inúmeras corrupções na SUDENE, e sem saber como lidar com tanto desvio, o governo FHC, acabou comeste órgão que roubava toda as verbas para a indústria da seca. Com ele e já tarde, foi também desarticulado o DNOCS. Desta forma se inibiu um pouco a roubalheira. O que faz o governo (?) Lula?

Recria os dois órgãos para beneficiar apoiadores políticos de seu governo.

E são estes órgãos que vão administrar esta fantástica verba para a construção destas obra faraônica que está natimorta.

Que a maioria dos brasileiros esta totalmente desinformada sobre assuntos técnicos e políticos, é fato conhecido. Apostando nisto os políticos espertalhões, dão os seus golpes e conseguem o apoio da cidadania enganada pela falsidade das informações, e conseguem seus intentos para os ganhos pessoais.

Mas isto tem que acabar, existe artigos e mais artigos escritos por pessoas de conhecimento técnico, que devem ter peso considerável nas decisões do governo em gastar dinheiro para destruir um patrimônio histórico, como o Rio São Francisco.

A quem serve a transposição do São Francisco?,

24-02-2005

A quem serve a transposição do São Francisco?, artigo de Aziz Ab’Saber Aziz apresentou este texto no debate na ‘Folha de SP’ sobre a transposição do Rio São Francisco, em que se manifestou contrário à obra Aziz Ab’Sáber é geógrafo, professor-emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, professor convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP, ex-presidente e presidente de honra da SBPC. Artigo publicado pela ‘Folha de SP’:

É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas idéias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas.

Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.

Tem faltado a eventuais membros do primeiro escalão dos governos qualquer compromisso com planificação metódica e integrativa, baseada em bons conhecimentos sobre o mundo real de uma sociedade prenhe de desigualdades.

Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Pessoalmente, estou cansado de ouvir propostas ocasionais, mal pensadas, dirigidas a altas lideranças governamentais.

Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar.

Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil. Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do país, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo.

O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte.

Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.

Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio -Paulo Afonso, Itaparica, Xingó.

Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.

De forma que o novo projeto não pode, em hipótese alguma, prejudicar o mais antigo, que reconhecidamente é de uma importância areolar. Mas parece que ninguém no Brasil se preocupa em saber nada de planejamentos pontuais, lineares e areolares. Nem tampouco em saber quanto o projeto de interesse macrorregional vai interessar para os projetos lineares em pauta.

Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas? Uma interrogação indispensável em qualquer projeto que envolve grandes recursos, sensibilidade social e honestas aplicações dos métodos disponíveis para previsão de impactos.

Os ‘vazanteiros’ que fazem horticultura no leito dos rios que ‘cortam’ -que perdem fluxo durante o ano- serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: ‘A cultura de vazante já era’.

Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados.

De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm. É possível termos água disponível para o gado e continuarmos com pouca água para o homem habitante do sertão.

Nesse sentido, os maiores beneficiários serão os proprietários de terra, residentes longe, em apartamentos luxuosos em grandes centros urbanos.

Sobre a viabilidade ambiental pouca coisa se pode adiantar, a não ser a falta de conhecimentos sobre a dinâmica climática e a periodicidade do rio que vai perder água e dos rios intermitentes-sazonários que vão receber filetes das águas transpostas.

Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste.

No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses. Trata-se porém do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. Trata-se de um impasse paradoxal, do qual, até agora, não se falou.

Por outro lado, se esta água tiver que ser elevada ao chegar a região final de seu uso, para desde um ponto mais alto descer e promover alguma irrigação por gravidade, o processo todo aumentará ainda mais a demanda regional por energia.

E, ainda noutra direção, como se evitará uma grande evaporação desta água que atravessará o domínio da caatinga, onde o índice de evaporação é o maior de todos? Eis outro ponto obscuro, não tratado pelos arautos da transposição.

A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes.

Existindo dinheiro - em uma época de escassez generalizada para projetos necessários e de valor certo -, todos julgam que deve ser democrática a oferta de serviços, se possível bem rentosos. Será assim, repetindo fatos do passado, que acontecerá a disputa pelos R$ 2 bilhões pretendidos para o começo das obras.

O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da chapada do Araripe -com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política. No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.
(Folha de SP, 20/2)

Existe até estudos onde a dessalinização das águas do Oceano Atlântico, para abastecer o nordeste brasileiro com água potável seria muito mais viável e barata e com mais possibilidades de sucesso do que simplesmente acabar com um rio maravilhoso em um projeto faraônico e impensado.

Outro dia assisti a uma entrevista de um técnico do governo confirmando que os estudos de engenharia podem demonstrar a viabilidade do projeto.

Tudo bem eu sou engenheiro e poderia fazer um projeto destes sem sair de casa.

Pode-se fazer um projeto de uma aeronave que sem dúvida alguma poderá voar.

Se não se fizer também um projeto para o aeroporto para esta aeronave, que é o projeto de viabilidade geral do projeto da aeronave, mecanicamente La pode voar mas não vai sair do hangar por falta do projeto.

Para o projeto da transposição do São Francisco se usaram como medidas de cálculo a média de vazão do rio nos últimos 10 anos. Para um projeto destes, isto não vai funcionar porque durante as cheias do rio não se precisa irrigar a região nordestina porque nesta época os rios de lá também estarão cheios. Para este projeto deveria ser levado em consideração os períodos de vazão mínima do Rio São Francisco. Feito desta forma se verificará que a região não terá energia suficiente para tocar as bombas e nem água suficiente para bombear. Este é um projeto falido. Este é um avião sem pista para decolar ou pousar.

E esta consideração é a parte mecânica do projeto.

A licença ambiental concedida leva a entender que o Rio São Francisco está todo despoluído e com seus afluentes em ordem.

Mentira, um de seu principal afluente, o rio Paracatu, um rio anteriormente caudaloso e até perigoso, devida ao volume de água e a profundidade, está totalmente assoreado e vazio. Pode-se atravessar este rio a pé em qualquer lugar. Visitei este rio recentemente e fiquei triste pelas condições que encontrei.

O São Francisco em Pirapora/MG, um dor principais portos deste rio, somente é navegável em período chuvoso e as praias do rio têm quilômetros de largura, devido ao assoreamento das margens.

E o IBAMA agora dá uma licença ambiental para seguir a destruição do Rio São Francisco. E o governo mentiroso do Lula que prometeu ao Bispo Cáppio, que iria fazer uma revitalização do rio antes da consideração do desvio e não fez nada pois os afluentes estão assoreados e poluídos, as matas ciliares não existentes e as nascentes comprometidas estando a maioria morta ou quase morta.

Esta posição do IBAMA deveria ser investigada pelo MP, para saber se houve pressão para coagir a emissão desta licença.

Os links abaixo nos dão uma idéia sobre o estado do rio e as possibilidades desta obra com os danos previstos. Evidentemente o IBAMA nunca leu nada a respeito.

http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/fran.html

http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/simposio.html

http://www.educacional.com.br/noticiacomentada/051007not01.asp

A maioria destes artigos foi escrita entre 1998 e 2002 e a situação desde então piorou, mas o IBAMA finge que não vê e não sabe.

Como podem observar os links superiores são de órgãos governamentais e os artigos são escritos por profissionais do assunto e nem assim o IBAMA sabe.

Saber ele sabe como o Lula que apesar de saber a origem do dinheiro do dossiê fingiu não saber de nada. O IBAMA aprendeu a mentir, mas vai ficar desmascarado.

É PRECISO SABER.

Filed under: ARTIGOS, REFORMAS, administração, política, tributação, Ética — rlaf44 @ 3:44 pm

É preciso saber.

Na primeira vez em que foi eleito, Lula em campanha, rodeado por seus futuros ministros, quando argüido sobre a necessidade de uma melhor educação formal para governar Lula dizia: “Eu conheço o Brasil como poucos através das caravanas que faço. E eu tenho ao meu dispor, a melhor equipe de governo que um poderia desejar. Portanto a educação formal que me falta, posso dispensar e gastar o meu tempo com os problemas do Brasil? Em uma das ocasiões que disse esta frase tinha ao seu lado o senador Cristovam Buarque, e mencionou que para o seu ministério da educação, tinha reservado o melhor educador do Brasil.

Coitado do Cristovam, o Zé Dirceu que não gostava dele pessoalmente, contingenciou toda a verba da educação e quando o Cristovam reclamou de público, foi despedido por telefone.

Quanto a conhecer o Brasil de ponta a ponta através das caravanas, não é o bastante para saber como resolver todos os problemas. Eu tenho comentado que um motorista de ônibus da empresa Itapemirim que percorre todo o país, conhece o Brasil melhor do que muita gente, mas isto não o classifica para dirigir a nação. Dirigir ônibus e dirigir o Brasil é discretamente diferente. As caravanas do Lula foram apenas uns passeios à custa do PT. O grande guru ministro da economia Palocci se tornou um criminoso comum, indiciado pelo MP. O seu amigo e praticamente um primeiro ministro do governo, se apresentou também como chefe de quadrilha e mencionado pelo MP.

Lula se apresentou para o país, como um cachaceiro comum, mentiroso, e um mal administrador, de tudo, de crises ao mínimo problema. Para muitos de seus seguidores, ele se tornou um traidor e para os pobres de Pernambuco, seu estado natal, ele os esqueceu em uma das cheias que afligiu o estado. Para seus irmãos, ele se tornou ingrato, pois depois de presidente não mais se comunicava com eles. Para os cartunistas de plantão, ele se mostrou uma tremenda e inesgotável fonte de trabalho, com suas abobrinhas, cada vez mais ousadas.

A mídia mais esclarecida se refere a ele como Apedeuta. E eu também.

Em um país com o nível de analfabetismo do Brasil, temos um presidente que acaba de descobrir que a massa encefálica fica dentro do cérebro, que não vê a necessidade de ler, que acredita que o estudo apesar de aconselhável pode ser dispensado, e que ele é o dono da verdade.

Com estas posições, pode-se chegar a entender a falta de entrevistas à mídia, as tentativas de comprar o congresso, as tentativas de censura prévia, e a falta de pulso quando apareceu a única crise social de seu governo, o Apagão Aéreo. As crises legais e criminais ele apenas ignora e não dá explicação nenhuma. Chama cinicamente os amigos íntimos de aloprados, e, pronto está resolvido o problema. Ele está com medo da CPI do Apagão, com receio que esta entre nos superfaturamentos na reforma dos aeroportos, beneficiando seus amigos e partidários.

E agora na formação do seu ministério, Lula por falta de experiência política, está refém dos partidos coligados, que se sentindo prejudicados na distribuição de cargos, ameaçam com dificuldades nas votações das emendas do governo.

Até o seu partido o PT conseguiu empurrar para dentro da administração a incompetente da Martinha Sex Pot, que somente não foi presa em São Paulo em sua administração fajuta porque o governo do PT conseguiu com seu genial advogado Marcio Thomas Bastos, uma mudança na interpretação da lei de Responsabilidade Fiscal.

Agora leiam mais um artigo sobre a incompetência pelo advogado Paulo Castelo Brtanco.

Este artigo foi retirado das páginas do Site Congresso em foco - http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=15724

As frágeis fundações do ministério de Lula

Paulo Castelo Branco *

Na reforma que o presidente Lula fez no seu ministério ficou faltando um projeto de fundações, uma planta baixa do que pretendia construir, além das especificações dos materiais que deveriam fortalecer as estruturas para receber o telhado.

O presidente, por mais de uma vez, se referiu simbolicamente à construção de uma casa para desenvolver seu raciocínio e explicar como pretende construir um país mais justo e democrático. Qualquer mestre-de-obras sabe que não bastam recursos para fazer uma boa obra, e dinheiro é a principal carência do governo. No orçamento da União, faltam recursos para quase tudo, apesar de o presidente estar sempre criando um novo programa de desenvolvimento que, para funcionar, necessitará ser aprovado pelo Congresso Nacional. Dessa forma, quando tudo estiver resolvido, sobrará para o ministro da Fazenda fazer os cortes para a adaptação do sonho à realidade.

Na nova composição do governo, o presidente está criando secretarias com status de ministério para atender aos muitos interesses políticos, gerando despesas incompatíveis com os recursos que possuímos. A fórmula mágica será o aumento de impostos para suportar os novos cabides de emprego. Dessa forma é que o governo, em oito anos, conseguirá criar os 10 milhões de empregos prometidos na primeira campanha. Não há razão para Lula praticar a pior das medidas na realização dos seus projetos; afinal, é sabido que ninguém pode gastar mais do que arrecada, e o próprio presidente já alertou para este fato. No entanto, apesar de saber quase tudo sobre quase todas as coisas, Lula insiste em gerar despesas e esmagar os contribuintes com a maior carga de impostos de toda a nossa história.

Se ainda vivêssemos na época de Tiradentes, com certeza o governo teria que enforcar, esquartejar e salgar um número enorme de cidadãos revoltados com tanto imposto. Como não estamos mais naquela época de barbárie, o governo se esforça em minguar as condições do povo através de pequenas intervenções que se multiplicam e acabam desanimando todos na luta pelos direitos fundamentais.

O ministério que o presidente apresenta é a caricatura de um governo que chegou trazendo esperança de mudanças radicais na vida nacional. A técnica usada na composição do ministério serve somente para atender aos interesses político-partidários e não para aprovar uma legislação ágil e eficiente que modifique os trâmites no Judiciário e encerre, de vez, a lentidão que afoga os juízes e serventuários. A presidente do Supremo Tribunal Federal anunciou que temos cerca de 60 milhões de processos em tramitação; quase o mesmo número de votos que reelegeram Lula. Como superar essa barreira? Só se desistirmos de buscar a Justiça, que em todos os tempos sempre condenou os absurdos confiscatórios dos governos. A salvação para aposentados e pensionistas é a decisão judicial que lhes garanta o direito de receber seus pequenos proventos. Pode ser que nunca recebam as diferenças; mas morrerão sabendo que a justiça prevalecerá.

No primeiro mandato, o presidente colocou ao seu lado somente os amigos. Entregou os postos mais importantes àqueles que, desde os tempos de sindicalismo, estavam juntos na busca de soluções para seus próprios problemas. Depois da vitória, os problemas continuaram a existir, só que passaram a ser dos outros. Não sobrou quase ninguém no governo. Agora, no segundo mandato, o presidente optou, para ajudá-lo na difícil missão de governar, pelos adversários. Melhor seria se tentasse composição com os da social-democracia e os democratas; pois, assim, estaria, com aqueles que realmente se opuseram à sua candidatura. É certo que o presidente de uma república tão complexa como a brasileira necessita de diversidade entre seus auxiliares, mas não precisava exagerar a ponto de quase não conseguir nome de expressão nacional para compor seu ministério e, ainda, perder os que o ajudaram no primeiro mandato. Sem fundações firmes, o telhado vai cair, especialmente se for de vidro.

* Paulo Castelo Branco é advogado, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e autor dos livros Brasília 2030 – a reconstrução, A morte de JK e A poeira dos dias.

March 19, 2007

Duas mortes iminentes?…

Filed under: ARTIGOS, Ecologia, Justiça, administração, notícias, política, Ética — rlaf44 @ 10:54 pm

Duas condenações à morte? Sem nenhuma apelação?

Uma do Bispo Cáppio outra do velho Chico.

Nos dois links abaixo, escrevi e publiquei artigos contra o famigerado projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.

http://robertoleite.assisfonseca.com.br/?p=150 –o velho Chico e o bispo

http://robertoleite.assisfonseca.com.br/?cat=26- projeto mirabolante

Este projeto, já nasceu como o tal PAC, natimorto, pois os estudos existentes, por vários órgãos responsáveis mostram a inviabilidade deste projeto monstruoso e idiota que o presidente também monstruoso e idiota vai tentar levar em frente na marra.

Sua ganância é insaciável e estes cinco ou seis bilhões de reais que estão orçados para o projeto falam mais alto em sua ética (?) do que o bom senso e os estudos técnicos de viabilidade sobre o assunto.

Para ele, apedeuta, não importa a morte do Bispo Cáppio que provavelmente ocorrerá, e também a morte lenta do Rio São Francisco que também provavelmente ocorrerá. Para ele apedeuta com sua tradição sindical, o que importa e unicamente o que importa é o imediato resultado das comissões e desvios desta enorme verba para este projeto mirabolante. Pelas tradições brasileiras em projetos desta natureza se foi orçado em seis bilhões, vai terminar em quinze ou vinte bilhões sem resultado prático e seus amigos, sua conta bancaria seu filhinho empresário todos vão se beneficiar destas mortes impunes, e deste enorme orçamento.

O reaparecimento da SUDENE e do DNOS, durante este governo calhorda, foi planejada e desejada para comandar e distribuir esta enorme verba.

Eta Brasil…..!!!!

Recebi um Email de minha irmã Sônia que mora em BH/MG sobre este assunto e vou publicar na íntegra porque está bom e dentro da parte responsável que ainda resta de bom no Brasil.

Não sei se vai dar resultado, mas vamos fazer pressão.

?gua mole em pedra dura (cabeça e ética do Lula) tanto dá até que fura.

Vejam agora o Email da Sônia:

Paulo Nogueira Batista - Jornal A Tarde (15/03/2007)

Dom Luiz e o São Francisco

Retomo um tema que sempre me causa certa angústia. Anteontem, o governo publicou no Diário Oficial o edital para o início das obras do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco. Estão previstos gastos de R$3,3 bilhões para as obras. O governo estima que a despesa total alcance R$6,6 bilhões, incluindo, além da construção de canais, gastos com projetos executivos, supervisão das obras e aquisição de equipamentos, entre outros. Desde o início da semana, centenas de representantes de movimentos sociais estão acampados em Brasília, reivindicando a retomada do diálogo com o governo, a revitalização do São Francisco e o arquivamento do projeto de transposição.

A minha atenção para o drama do São Francisco e das populações que dele dependem foi despertada pela greve de fome realizada pelo bispo Luiz Flávio Cappio em outubro de 2005, em Cabrobó. A greve foi suspensa por acordo negociado pelo então ministro Jaques Wagner, atual governador da Bahia. O ponto mais importante do acordo foi a promessa do governo de “prolongar o debate” sobre a transposição das águas do São Francisco, “ainda na fase anterior ao início de obras, para o esclarecimento amplo de questões que ainda suscitem dúvidas e divergências”, conforme documento negociado com dom Luiz pelo ministro Wagner e aprovado pelo presidente Lula.

Até onde sei, esse debate apenas começou. O ano de 2006, dominado pelas eleições, não foi propício ao aprofundamento da discussão.

A polêmica é intensa e o projeto vem dividindo o Nordeste. Em artigo publicado há poucos dias pela Agência Carta Maior, Leonardo Boff advertiu que, se o governo levar adiante o projeto sem levar em conta a existência de alternativas que muitos especialistas consideram mais baratas e socialmente mais eficazes, “podemos contar com nova greve de fome do bispo”. E acrescentou: “Entre o povo que não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas, dom Luiz ficará do lado do povo. E irá até o fim. Então, a transposição será aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico.

Estará o governo disposto a carregar esta pecha pelo futuro afora?”.

Um bispo “santo e evangélico”.

Em minha vida, já conheci homens de grande espírito público (Octávio Gouvêa de Bulhões e meu pai, por exemplo), já conheci figuras heróicas (Dilson Funaro), mas devo dizer que nunca havia conhecido um santo, o que não é de espantar, dada a extraordinária raridade do fenômeno. No ano passado, contudo, tive a honra de me encontrar diversas vezes com dom Luiz. Quem sou eu para dizer quem é ou não é santo? Mas Leonardo Boff tem autoridade e conhecimento para tal. Conhece dom Luiz há muito tempo, foi seu professor no seminário de teologia em Petrópolis, no início dos anos 70, e tornou-se seu amigo e admirador. Desde aquela época, relembrou Boff em artigo escrito na época da greve de fome, dom Luiz se destacava por “uma aura de simplicidade e santidade”.

No final de fevereiro, dom Luiz esteve em Brasília para protocolar carta ao presidente da República. A sua disposição é retomar o debate sobre o São Francisco e as soluções para o Semi-árido.

Nessa carta, o bispo observa, por exemplo, que a Agência Nacional de ?guas propõe 530 obras para solucionar os problemas de abastecimento hídrico até 2015 em todos os núcleos urbanos com mais de cinco mil habitantes do Semi-árido. “Essas obras beneficiariam as populações mais necessitadas e custariam R$ 3,6 bilhões, sendo portanto mais baratas, mais abrangentes, mais eficientes do que qualquer obra de transposição hídrica”, argumenta.

Dom Luiz não faz ameaças. Pede apenas “que se retome o diálogo e que se garanta que seja amplo, transparente, verdadeiro e participativo, incluindo toda a sociedade do São Francisco e do Semi-árido, conforme foi pactuado em Cabrobó em outubro de 2005″.

Se as dúvidas são tantas, se há tanta incerteza sobre os méritos do projeto de transposição, esse apelo precisa ser atendido. Trata-se de cumprir o que foi acordado pelo governo, em negociação difícil e até dramática, graças à qual se preservou a vida de dom Luiz e se abriu a perspectiva, ainda não concretizada, de uma discussão profunda sobre a transposição e as alternativas.

“A minha atenção para o drama do São Francisco e das populações que dele dependem foi despertada pela greve de fome realizada pelo bispo Luiz Flávio Cappio”

Transposição das águas do Rio São Francisco: Um novo desfile e a mesma fantasia, por Washington Novaes

5/03/2007

[O Estado de S. Paulo] Haja fôlego, paciência, persistência. Há uns 15 anos vem o autor destas linhas transcrevendo periodicamente graves questões levantadas por cientistas, administradores públicos, Tribunais de Contas, a respeito do famigerado projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. A todas responde a administração federal - quando responde - com argumentos do tipo “não se pode negar uma caneca de água a 12 milhões de vítimas da seca”. E vai em frente, até que surja uma nova barreira - como foi a greve de fome do bispo dom Luiz Flávio Cappio.

Agora, esquecido o bispo e derrubadas na Justiça medidas liminares, anuncia o ministério da Integração Nacional que fará imediatamente licitações (no valor aproximado de R$ 100 milhões) para contratar empresas que façam os projetos executivos da obra, orçada em R$ 6,6 bilhões nesta etapa. E o bispo manda nova carta ao presidente, lembrando que o Tribunal de Contas da União diz que o projeto não beneficiará o número de pessoas que se alardeia, que a Agência Nacional de ?guas propõe obras em 530 municípios para solucionar os mesmos problemas com metade dos recursos previstos para a transposição e que populações a 500 metros do rio continuarão, apesar da transposição, a sofrer com a falta de água. Já o Comitê de Gestão da bacia (que por 44 votos a 2 foi contra a transposição) diz que esta atende a menos de 20% do semi-árido, que 44% da população do meio rural continuará sem acesso a água - “exatamente os que mais precisam” - e que a revitalização do rio prometida pelo ministério da Integração Nacional precisa “sair do campo da retórica”. E o ministério Público volta a recorrer à Justiça, lembrando que nos termos da Constituição, por atingir terras indígenas, a obra precisa de autorização do Congresso Nacional, o que ainda não aconteceu.

Como já foi dito aqui, parece uma assombração que some e reaparece de tempos em tempos. Sem falar no governo imperial, foi no começo da década de 1980, ainda nos tempos do “Brasil Grande” da ditadura militar, que o projeto ressuscitou, para uma vida muito breve. Pouco mais de uma década depois, embora o então ministro do Meio Ambiente Rubens Ricupero dissesse que o São Francisco já era “um rio ameaçado de extinção”, por causa do desmatamento nas regiões onde nascem e por onde passam seus formadores, o ministério do Interior voltou à carga, com um projeto de transpor 150 metros cúbicos por segundo, a um custo de US$ 1,5 bilhão. Mas ele foi fulminado por um parecer do Tribunal de Contas da União, que mostrava ser um fantasma esdrúxulo, pois o ministério do planejamento dele não sabia, assim como os ministérios da Agricultura (que cuida de irrigação), da Reforma Agrária e da Fazenda (que libera recursos). Além disso, o projeto implicava prejuízos de US$ 1 bilhão anuais na geração de energia, inviabilizava mais áreas para irrigação a montante do que beneficiava a jusante e concentrava os benefícios num pequeno número de grandes produtores rurais.

Foi para o limbo até 1998, quando ressurgiu em nova versão de túneis que levariam água para o abastecimento de cidades, ao custo de US$ 700 milhões. Durou pouco a reaparição. Mas já estava de volta no final de 2000, numa versão em que 127 metros por segundo transpostos beneficiariam 8 milhões de pessoas e o abastecimento de água de 268 cidades, além de irrigar 260 mil hectares. O professor Aziz Ab’Saber, da USP, lembrou na época que os beneficiados seriam menos de um terço das vítimas da seca (27 milhões). A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) observou que pelo menos 30% da água se perderia por evaporação. E a Cáritas mostrou que a solução para comunidades isoladas está na implantação de cisternas de placa (das quais já há 160 mil), não na transposição, que não chegaria a esses lugares.

Levou algum tempo para recuperar-se o combalido. Mas retornou em 2003. Dessa vez, teve a oposição do Comitê de Gestão da bacia, da CNBB, da OAB, das arquidioceses à beira-rio. Custaria R$ 4,2 bilhões para uma transposição de 53 metros cúbicos por segundo. Vários especialistas (professor Aldo Rebouças, da USP, professor Abner Curado, da UFRN, professor João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, entre muitos) mostraram a desnecessidade: o problema no semi-árido é de gestão, não de escassez.

Mesmo levantando mais de 40 questões, o Ibama concedeu em 2005 licença prévia. Sabendo que 70% da água seria para irrigação e 26% para o abastecimento de cidades, e não para proporcionar “uma caneca de água para as vítimas da seca”. Que não estava equacionada a questão dos subsídios necessários para uma água que poderia custar até cinco vezes mais que a então disponível. Que a maior parte da água transposta iria para açudes onde se perde até 75% por evaporação. Que havia enormes discrepâncias a cada citação do número de beneficiados (12 milhões? 7,24 milhões? 9,02 milhões? 7,21 milhões?) e dos hectares irrigados (161 mil? 186 mil?). Mais grave que tudo: o próprio estudo de impacto ambiental dizia que 20% dos solos que se pretendia irrigar “têm limitações para uso agrícola”; e “somados aos solos líticos, notadamente impróprios, respondem por mais de 50% do total” das terras que seriam irrigadas. Não bastasse, “62% dos solos precisam de controle, por causa da forte tendência à erosão”. Ainda assim, concedeu licença prévia ao projeto, pois as objeções do Comitê de Gestão haviam sido ignoradas pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde o governo federal, sozinho, tem a maioria dos votos.

Agora, o velho abantesma retorna à avenida, sem responder a nenhuma das muitas questões levantadas principalmente por cientistas.

E retorna com a mesma fantasia.

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

( www.ecodebate.com.br ) artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo - 02/03/2007

Se você é contra a Transposição do Rio São Francisco escreva para os deputados no site:

www2.camara.gov.br/internet/popular/falecomdeputado.html/

Ou mande diretamente para o presidente mostrando a sua posição:

https://sistema.planalto.gov.br/falepr/exec/index.cfm?acao=email.formulario&CFID=1006323&CFTOKEN=88203168

March 18, 2007

Dois bons artigos anteriores…. revolta

Filed under: ARTIGOS, Outros autores, administração, política — rlaf44 @ 3:18 pm

O perfil do brasileiro.

Autor desconecido.

Este artigo foi publicado no dia 11/12/06 neste Blog.

Outro dia o José Ronaldo o mandou novamente por Email, e decidi publicá-lo novamente.

Todos já sabemos da verdade, estamos batendo na mesma tecla, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, vamos continuar batendo e esperando que a tecla não quebre.

Estou publicando depois deste artigo um artigo de um professor de economia de Petrópolis/RJ, que também pegou pesado na realidade dos fatos atuais, e que foi publicado em,05/12/2006 neste blog.

É a mesma tecla.

Brasileiro é um povo solidário.  Mentira.

Brasileiro é babaca.

Eleger para o cargo mais  importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem  para ser gari , só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de  sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de  cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONGs de  direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa  criminalidade; não protestar cada vez que o governo compra um colchão  para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de  gente solidária.

É coisa de gente otária.

Brasileiro é um povo alegre. Mentira.

Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundícies que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar  bofetada na cara e dar risada.

Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.

Brasileiro tem um sério problema.

Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

Brasileiro é um povo trabalhador.  Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência.

O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar três dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe - lá no fundo - que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do programa bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira.

Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.

Se v. oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente v. irá preso.

Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o  mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha  dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua  cabeça.

90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora.  Mentira. Já foi.

Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram.

Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha alternativa e não concordava com o crime.

Hoje a realidade é diferente.

Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como aviãozinho do tráfico para ganhar uma grana legal.

Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam  existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque  podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.

Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os  de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um país democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei.

A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas  sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido  que foi morto numa troca de tiros, foi executado  friamente.

Num país onde todos têm direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.

Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe  democracia, mas um simulacro hipócrita.

Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal:

·        Um rei que detém o poder central (presidente e suas MP), seguido de  duques, condes

arquiduques e senhores feudais  (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).

·        Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem como único fim, o pagamento dos privilégios do poder.

·        E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso?

Pense nisso!!!

O famoso jeitinho brasileiro.

Em minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que  se tornou a política brasileira.

Brasileiro se acha malandro, muito esperto.

Faz um “gato” puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.

No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de  lá com a felicidade de ter ganhado na loto…malandrões, esquecem que  pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é  zero.

Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?

Afinal somos penta campeão do mundo né?

Grande coisa…

O Brasil é o país do futuro.

Caramba, meu avô dizia isso em 1950.

Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem  vivos.

Dessa vergonha eles se safaram…

Brasil, o país do futuro.

Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de  crescimento do mundo.

Deus é brasileiro.

Puxa,  essa eu não vou nem comentar…

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória no primeiro turno do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão.

O  brasileiro merece!

Como diz o ditado popular, é igual mulher de  malandro, gosta de apanhar.

Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo,

continuemos  fazendo nossa parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do  país novamente, aí sim teremos  todas as  chances de ser a maior potência  do planeta.

Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.

Temos petróleo, álcool, biodiesel, e sem dúvida nenhuma o  mais importante. ?gua doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

A DESFIGURAÇÃO MORAL E ÉTICA E UMA NAÇÃO DECADENTE.

 

Este professor, realmente pegou pesado. Mas, apesar de gostar de uma aproximação mais sutil de nossos problemas, não consigo encontrar nada de errado na posição do Professor Geraldo. Eu como ele estou descontente do rumo de nossa política e sinto revolta pelo estelionato eleitoral que democraticamente tem sido o cenário atual de nossa nação, onde somos obrigados a votar democraticamente.

Leia o seu exelente artigo:

Geraldo Almendra
Economista e professor de matemática
Petrópolis (RJ)

glaf@terra.com.br

Não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer“. Lula – depois das eleições.

O estelionato eleitoral de outubro de 2006 está sendo festejado com a união de oposições em torno do presidente reeleito. Não pode existir no processo político de um país, nada mais degradante do que o horror da aética e da imoralidade desta torpe coalizão que estamos presenciando, movimento antipatriótico que força uma covarde e absoluta maioria parlamentar a favor do fascismo populista, “maioria muito maior do que as urnas permitiram?.

“O que temem os traidores do país que patrocinam a coalizão espúria para acabar com a oposição ao desgoverno petista??.

Estamos próximos da segunda posse do pior presidente da República que os eleitores já colocaram no poder, eleito e reeleito por dois sucessivos e grotescos estelionatos eleitorais – mentiras vrs verdades e confirmação pública de mentiras –, aceitos e validados por uma sociedade apática, acovardada, aética e imoral, que está entregando sua pátria pacificamente nas mãos de um latente Estado Comunista de Direito.
Um homem criado no laboratório da traição aos nossos sonhos de democracia e liberdade, e principal agente da entrega do nosso país nas mãos sujas de uma esquerda fascista, decadente e corrupta, irá assumir, pela vontade majoritária de um povo comprado com um projeto preservador da pobreza e motivador, por opção, da indolência paga com o dinheiro dos contribuintes, o poder absolutista da prostituição da política por mais quatro anos, consolidando o projeto de domínio do país pela oligarquia petista da gang dos 40, seus cúmplices e seus lacaios.
Desde o fim do regime militar que acompanhamos a infiltração, na sociedade organizada, especialmente na administração pública, de gente da pior espécie da decadência da política, corja disfarçada de adoradores do povo e promotores da “democracia?.
A infiltração dessa gentaça vermelha, no submundo da prostituição política nos corredores do poder público, objetivou, explicitamente, viabilizar um projeto de um socialismo mentiroso, com o fito de chegar ao poder perpétuo, autocrático e autoritário, com a mensagem estelionatária de um assistencialismo fascista, hipócrita, leviano e picareta.
A desqualificação do homem de Caetés, que após sua chegada ao poder presidencial, se apresentou, sem meios termos, como uma grotesca fraude humana e política, não se deve ao fato de ser um retirante apedeuta, pois existem milhares de pessoas humildes de mesma origem que carregam valores fundamentados na ética e na moralidade, muitos agindo apenas por instinto, fruto de uma índole pura de gente simples, honesta e não prostituída em seus valores humanos, mas levados à convocação marqueteira do aceite ao espúrio usufruto dos favores de um desgoverno corrupto e populista, que transforma, sem controle, a compulsória assistência social aos excluídos, em assistencialismo fascista comprador de votos.
O “arauto? dos nossos sonhos “de sermos felizes novamente? já demonstrou ser, na verdade, um digno habitante do lado mais permissivo e prostituído da política, em que a leviandade, a falsidade, a hipocrisia, a mentira, e as meias verdades voláteis dos seus “comícios? de uma campanha eleitoral que nunca termina, formam um espírito político maligno – um anticristo da política –, que tem demonstrado um absoluto domínio maquiavélico do balcão de negociação com as prostitutas e os prostitutos das “Vitrines de Amsterdã?.
Sua desqualificação, enfim, se deve à traição de todos os princípios que devem nortear as ações de um presidente da República – um estadista –, e acabou se apresentando como um espelho de uma histórica decadência moral e ética do país que, no seu caso, foi “autopermitida? em nome e na defesa de uma gang denunciada, formada por seus melhores amigos, construtores comuns e parceiros do maior engodo político da história do Brasil.
Não existe prova mais evidente da relativização espúria e da falência da Justiça no desgoverno petista, do que a impunidade de todos os que foram denunciados pelo Procurador Geral da República como a gang dos 40, tendo como boi de piranha, para livrar a cara do verdadeiro chefe da máfia da prostituição da política – o deficiente mental, auditivo e mental – o seu antigo e poderoso “ex-primeiro-ministro?.
Os subprodutos mais pérfidos da degeneração política do nosso país são as prostitutas e os prostitutos das “Vitrines de Amsterdã? – merecido codinome para o Parlamento das Pizzas –, cooptados com sinecuras públicas temporais ou permanentes no jogo sujo do corporativismo bandoleiro, com o poder consentido dos cargos públicos, e com bilhões roubados dos contribuídos, dinheiro maquiado com a sacanagem da denominação de “recursos não contabilizados?, com suas cotas algumas vezes entregues no meio de cuecas ou festas com garotas de programa pagas pelos palhaços e imbecis dos contribuintes.
Depois de tantos escândalos – que continuam impunes à luz de uma Justiça relativista e inoperante – no mundo da prevaricação no poder público petista, como cidadãos contribuintes que trabalham mais de cinco meses por ano para pagar seus impostos escorchantes, não enxergamos mais muitos dos que habitam os Poderes da República, no papel de qualificados representantes das lutas da sociedade por um país mais justo e mais digno, mas sim, como habitantes coniventes de um antro, de um covil de malfeitores, uma horda de prostitutos e prostitutas da política, uma camarilha de corruptos ou, simplesmente, ladrões e bandidos.
Muitos desses vândalos dos nossos sonhos de democracia e justiça social estão vendendo quase coletivamente suas “ideologias?, suas responsabilidades de defesa da cidadania, e seus escassos sentimentos de patriotismo, nos balcões de negociação das almas espúrias, com seus agentes espalhados nos corredores do submundo do sujo jogo do poder, um sórdido ambiente corporativista público-privado mais calhorda de nossa história, semeado em desgovernos anteriores, depois do regime militar, e trazido à tona na sua face mais maquiavélica e cruel na administração petista.

 

Temos que continuar batendo, pois alguma coisa vai acontecer.

Somente espero que depois deste pesadelo, reste algo para alguém com capacidade e honestidade possa reconstruir o que o governo Apedeuta destruiu.

Vai ser difícil, mas o Brasil tem raízes profundas apesar da cobertura de mato daninho que está escondendo o solo fértil.

 

 

 

March 17, 2007

VISÕES.

Filed under: ARTIGOS, Outros autores, administração — rlaf44 @ 3:46 pm

Boas visões.

O Giulio Sanmartini do “Prosa e Politica?  http://pep-home.blogspot.com/ publicou um bom artigo do André Luiz Leite.

Procurei mas não encontrei uma identidade definitiva deste autor. No Google existem mais de dez páginas deste nome e homônimos, portanto não sei quem realmente é o autor do texto.

Sabe o que tem de errado com o texto? – Nada e por isto tomei a iniciativa de publicá-lo também em meu blog.

Por André Luiz Leite

Nos últimos anos o que não nos faltou foram escândalos de corrupção. O atual inquilino do poder, o partido dos trabalhadores, patrocinou desvios de recursos públicos das mais diversas formas. Sempre com auxilio luxuoso dos partidos de aluguel, PP (agora o PR), PTB, PL, etc…. Assunto enfadonho e velho, eu admito. Mas o foco do artigo não é esse. Apenas citei os inúmeros casos de corrupção para lembrar que apesar dos pesares, o nosso povo não foi para as ruas para protestar. Que eu me lembre, apenas o capo José Dirceu levou umas merecidas bengaladas cívicas de um senhorzinho.

Pois bem, na última semana tivemos a visita do presidente americano ao Brasil. Cinco mil desocupados foram para a Avenida Paulista em dia útil protestar (de forma violenta) contra a presença de George W. Bush em solo tupiniquim. Nosso povo é assim mesmo, pode ser roubado que nem liga. Até reconduz aos cargos eletivos os que assaltam o erário. Mas culpam os Estados Unidos de tudo de mal que nos acontece. Assim funciona a curta mente dos semoventes de esquerda. Assim funciona a limitada cabeça de nosso povo. Foi o Bush o culpado pela morte do João Hélio. Foi o Bush que roubou para pagar o mensalão. Foi o Bush que fez a sanguessuga. Foi Bush que superfaturou a reforma de Congonhas. Não juntou meia dúzia para dar um couro nos corruptos, mas juntaram cinco mil quadrúpedes para protestar contra Bush.

O brasileiro médio tem essa característica de avestruz. Ao menor sinal de problemas enfia a cabeça na terra e de preferência culpa aos outros pelas suas falhas. Os Estados Unidos são um povo admirável, que construíram a maior economia democrática do mundo. Podem falar mal deles, mas até hoje nenhum povo construiu nada nem parecido. São duros ao defenderem seus interesses? Sim. São protecionistas? Sim. Menos que os europeus, mas também protegem seus mercados. Nós é que deveríamos aprender com eles a defender nossos interesses. Não essa política externa vergonhosa onde apanhamos da Bolívia dia sim e dia sim também. O Apedeuta trouxe para o Itamaraty a política do perde-perde. Das grandes economias é difícil ganhar, das pequenas ele entrega o jogo, pois são coitadinhos. É o Brasil na vanguarda. Perder ou perder é o lema dos petistas no front externo.

Até na questão da violência vemos a característica procrastinadora do nosso povinho. Falam em combater a violência e pedem a paz. Palavras vazias e sem objetivos. Ora bolas, nosso problema não é a violência e sim o crime. Quais propostas práticas para encarceramos por mais tempo e de maneira mais rápida o maior número possível de bandidos? Isso ninguém fala, fica nesse trololó de pedir paz. Os bandidos adoram essa mania do brasileiro de não enfrentar o problema de frente. Os políticos que espoliam o estado também adoram essa mansidão abilolada do nosso povo.

Enquanto não atingirmos a maturidade de nos responsabilizarmos pelas nossas falhas e desvios de caráter, não vamos andar para frente. Chega de acharmos bodes expiatórios e inimigos imaginários. Nós somos o nosso problema. Um povo que reelege tantos corruptos tem sérios problemas. A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro tem 55% dos deputados respondendo a algum processo na justiça. O povo que os colocou (de novo) lá tem problemas de valores morais. Nas outras “Casas do Povo? os números são parecidos. Que eu saiba, Bush não tem título de eleitor brasileiro.

Parabéns André por tanta verdade dita de maneira tão concisa, equilibrada e balanceada.

Pelo andar da carruagem e o próximo mensalão dentro do DNIT, estamos prontos para mais quatro anos do mesmo, e o Brasil/PT vai continuar a buscar o culpado por suas mazelas nas outras freguesias, como sempre o fez.

Com a saúde e a educação não se brinca……?????

Luiz Inácio Lulla da Silva.

Pelo jeito que a coisa vai, o crescimento e o PAC não passam de brincadeira para o Apedeuta, assim como a CPI, qualquer uma, a política externa, o turismo que vai para as mãos da Martinha Sexpot, o DNIT que já está todo fatiado para a troca de partidos, vá para o PR e ganhe uma franquia, e tudo mais com exceção da saúde que está muito pior do que no governo FHC e a educação que o próprio Lula admitiu relutantemente que vai mal. Pensem nisto o que o presidente considera que não é brincadeira vai mal e as brincadeiras……??? Que mal gosto.

March 14, 2007

O MEU PAI.

Filed under: ARTIGOS — rlaf44 @ 9:53 pm

O meu pai.

O meu pai nasceu como o pai do Lula - analfabeto.

Aliás, o Lula deveria citar os nomes da Zelite que nascem falando e escrevendo dois ou três idiomas para não parecer apenas fofoca.

Meu pai veio de família pobre, o meu avô era funcionário público e com dificuldade educou e formou todos os filhos em universidade. O meu pai e todos os meus tios se formaram. Meu pai era dentista e professor catedrático das UFMG, Meu tio Petrônio era advogado e professor da UFMG, meu tio Francisco era engenheiro e professor de UFMG, meu tio Camilo era engenheiro agrônomo, e meu tio Guilherme era médico oculista.

Vivemos todos como pessoas da classe média, e fomos criados com alguma dificuldade pelos nossos pais que trabalhavam muito, mas eles conseguiram nos dar uma educação decente, com um pouco mais de facilidade do que meu avô.

E quando perguntado sobre o futuro, meu pai nos dizia que a única herança válida para se deixar para um filho, era o exemplo de honestidade, e uma educação, para que ele pudesse com estes dotes conseguir se sair bem na vida e conseguir criar uma família nos moldes da nossa criação.

De coisas materiais, meu pai acumulou muito pouco. E realmente nunca fez falta.

E eu vejo o Lula. E não gosto nem um pouco dele.

Não é por ele ser nordestino ou de família humilde. Não sou nordestino, mas venho também de família humilde. Não é por que ele é do PT que é um partido de esquerda.

Eu não entendo o que seja ser de esquerda. Eu penso que as pessoas devem honestamente procurar sempre melhorar para poder das honestamente aos seus descendentes uma vida sempre um pouco melhor.

As pessoas que eu conheço e se dizem de esquerda, falam em desigualdade social, de vidas miseráveis, de procurar uma vida melhor para a classe pobre, e ainda dizem que as doutrinas de esquerda têm esta visão. Uma visão preocupada com o bem estar geral do cidadão.

Nos regimes de esquerda que existiram no passado recente da história mundial, todos ou quase todos eram totalmente estatais e totalitários, e o estado comandava uma classe privilegiada que dentro destes privilégios descriminavam a outra classe que eram geralmente os trabalhadores.

Poderiam não ter muito dinheiro, mas era a mesma coisa, pois o dinheiro capitalista compra privilégios para os que o detêm e nos regimes totalitários de esquerda os privilégios eram dados aos amigos e parentes dos mandatários.

Os regimes de esquerda que floresceram no século XX, criaram e abusaram de uma classe social muito mais miserável do que qualquer classe menosprezada pelos regimes de direita.

A desigualdade social, sempre foi muito mais marcante nos regimes de esquerda, com uma diferença sutil (?), nos regimes de direita capitalistas poderia ser difícil, mas era possível se sobressair e melhorar de vida se houvesse esta muita vontade e esforço, mas nos regimes de esquerda, era simplesmente impossível, sair da classe proletária e pular para as elites privilegiadas.

Então quando eu vejo uma pessoa dizer que é de esquerda, realmente não entendo aonde quer chegar, pois eu não vejo nenhuma vantagem para ninguém na esquerda.

Bem depois desta divagação voltamos ao Lula. Eu não gosto dele mesmo, não é porque ele fundou um partido de esquerda, onde eu não vejo muita vantagem. Também não é porque ele seja analfabeto e fale tantas abobrinhas. Sinto um pouco de vergonha de pertencer a um país que elegeu democraticamente um sujeito tão ignorante e incapaz para ser o principal mandatário. Sinto tristeza, mas não e´ por isto tampouco que eu não gosto dele. Esta parte eu posso esperar que vá acabar um dia. Não gosto dele não é porque ele não gosta de ler e nunca tentou honestamente melhorar o seu conhecimento formal. Isto é problema dele.

Eu não gosto dele é porque sempre que o vejo mentir descaradamente sobre qualquer assunto, tirar vantagem de sua posição que conquistou com o voto do povo para melhorar e enriquecer os seus parentes, De não trabalhar nunca e de ficar milionário sem ter como demonstrar, de receber cinicamente uma pensão vitalícia de R$ 4.000,00 porque ficou preso com mordomias por 31 dias de sua vida, de beber cachaça e sair bêbado carregado por seguranças, de gastar o dinheiro público com festas e presentes como se ele fosse o dono do Brasil. Sempre que vejo estas coisas na mídia diária eu invariavelmente comparo o seu estilo de vida com a de meu pai e o contraste é marcante.

O Lula representa tudo o que meu pai mais detestava na classe humana, que era o homem ter o cinismo de tirar vantagem sobre seus cidadãos, com promessas vazias e mentiras descaradas.

O Lula representa exatamente as pessoas que o meu pai mostrava como exemplos de párias da sociedade e um exemplo a não ser seguido. Isto apenas no quesito honestidade e ética.

Agora ainda falta a educação formal que era na cabeça de meu finado pai, uma condição “si ne qua non? para que uma pessoa pudesse ser útil para a nação. Ainda bem que ele, o meu pai faleceu antes de presenciar a eleição do Apedeuta.

Eu não gosto do Lula é porque ele é desonesto, mentiroso e ignorante e exatamente o oposto da herança que obtive do meu pai.

E ele vai dançar sabe porque?

Perguntem a Abraham Lincoln:

“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” (Abraham Lincoln).

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