Blog do Roberto Leite

November 26, 2006

ANTES, LULA ACHAVA QUE ERA DEUS; AGORA TEM CERTEZA

Filed under: Outros autores, política — rlaf44 @ 11:50 pm
Por Josias de Souza na Folha de São Paulo

Lonardo Boff disse certa vez que tem o desejo de “ver Deus�. E, citando Freud, arrematou: “Se eu morrer e chegar à presença de Deus, terei muito mais coisas a perguntar para Ele do que Ele para mim.�
Embora ainda não tenha se dado conta, o companheiro Boff já viu Deus. Na verdade, priva da intimidade do Senhor. Lula II está se sentindo o próprio Todo-Poderoso. Foi o que deu a entender em sua mais nova seqüência de trololós.
A palavra da moda é “destravarâ€?. Sua Excelência o Magnânimo vem repetindo o vocábulo a mais não poder. “Neste primeiro mandato, eu já estou há dez dias fazendo reuniões setoriais para destravar esse paísâ€?, disse nesta sexta. “Quero começar o segundo mandato agindo de forma muito mais forte e ousada. Eu quero anunciar esse processo de desobstrução do Estado brasileiro ainda neste primeiro mandato.”
O caminho de um governante, disse Lula, é pontilhado de provações: “Quando a gente é oposição, está tudo na ponta da língua. Mas quando a gente é governo, tem que fazer as coisas. E ao tentar fazer as coisas, encontra uma série de obstáculos.”
Que obstáculos são esses? O presidente esclareceu: “As leis, as questões ambientais, a burocracia, a oposição, o Congresso, o Ministério Público e o TCU.” Ora, ora, ora. Nunca na história desse país um governante foi assim, digamos, tão explícito. Chama de obstáculos o que, em verdade, é salvaguarda da coletividade contra eventuais abusos de seus governantes.
Desejaria o presidente governar acima das leis, devastando florestas à revelia, livre de incômodos opositores, sem a intermediação congressual e imune a fiscalizações? Por sorte, a democracia brasileira já ultrapassou a fase do pé-de-cabra destravador.
Lula voltou a prometer um Éden que combina crescimento econômico com desenvolvimento social. Disse que “o Brasil já fez todos os sacrifícios que tinha que fazerâ€?. Precisa colher agora “um pouco de benefício.â€? Avalia que “o povo brasileiro já pagou todos os pecados que cometeu.” Será?
Roga-se a Leonardo Boff que, no próximo encontro que tiver com Deus, antes de perguntar qualquer coisa, faça uma recomendação a Ele: que tome uma xícara de chá de camomila antes de cada pronunciamento público.

O estoura da boiada num boteco do Leblon.

Filed under: Cronicas, Outros autores, política — rlaf44 @ 11:41 pm

O ESTOURO DA BOIADA NUM BOTECO DO LEBLON

João Ubaldo Ribeiro

- Tu hoje tá com uma cara como eu nunca te vejo, só me lembro dessa tua cara naquele dia em que teu cunhado bateu teu carro e o seguro não pagou porque a carteira dele estava vencida.- Tu tem que me lembrar? Tem que me lembrar? Já não basta eu saber que minha mulher continua dando dinheiro a ele sem me dizer? Não, tu pode não acreditar, mas minha preocupação é com o destino do País, tenho espírito público. Eu tou muito preocupado, esse negócio não vai dar certo.

- Que negócio que não vai dar certo? Pô, cara, sinceramente, hoje é domingo, tá todo mundo numa boa, tu vai querer ficar aqui falando mal do Lula novamente? Te conforma, cara, o homem ganhou, qual é a tua, tu não diz que acima de tudo é democrata? É a democracia, cara, o homem levou no voto, o resto é chiadeira. Eu também não sou esse fã todo dele, mas não tou falando. Tem que esperar pra ver, não pode sair logo descendo o cacete.

- Aí é que você se engana, eu não tou querendo descer o cacete nada. Até confesso que, em outra situação, eu estaria, mas no momento tou mesmo é até com uma certa pena dele.- Pena? O cara vai reeleito, está aí numa boa, que é que tu queria mais, que ele ganhasse o Prêmio Nobel?

- Qual é a boa em que ele está? Tu não tá vendo que ele não sabe o que fazer, tá feito barata tonta, perdeu os caras que faziam as coisas para ele e agora fica adiando tudo e não sabe como administrar o cesto de abacaxis que tem na mão?

- Também não é assim, ele está costurando as alianças, tá armando o esquema de governo dele.

- Ele está é armando o esquema dos outros. Cara, no lugar dele você ainda teria confiança em alguém? Confiança cem por cento, ali como ele tinha no pessoal que levou com ele da primeira vez? E, se alguém sabe que ele sabe de alguma coisa que ele não sabia, ele não está meio encurralado? Se um cara desses abrir o bocão, não vai sobrar feio pra ele?

- Lá vem você com teorias, você sempre gostou de umas teorias.

- Eu não estou fazendo teoria nenhuma. Ele agora está negociando com todo mundo. É político, ele conversa. Isso vai ser o governo dele ou dos de sempre?

- Bem, olhando assim…

- Os de sempre! E cada vez mais fortes! Não foi para fazer isso que ele se elegeu e reelegeu.

- Sim, você vai e volta e termina sempre na mesma coisa. Ele não cumpriu as promessas da campanha. Todo mundo sabe disso e, em certos casos, não dava mesmo, de fato não cumpriu, mas…

- Nem vai cumprir as desta. Com o País do jeito que está e esse pessoal que a gente já manja, não vai cumprir nada. Não tem nenhum partido aliado que esteja pensando em melhorar nada, a começar pelo dele mesmo, estão pensando é em cargos. Com uma situação assim, ninguém precisa de oposição. E não estão pensando em gente competente para os cargos, mas gente que tenha influência política. Ninguém está pensando em país nenhum, está todo mundo pensando no seu. Foi aberta a estação de caça de mamatas.

- Também não é assim, tem gente que…

- Tem gente que, tem gente que, sempre tem gente que, mas dois ou três gatos-pingados, que não podem fazer nada. Os deputados mesmo, o que estão fazendo agora? Cuidando primeiro do deles! Já são os mais bem pagos e beneficiados do mundo e agora, depois de uma grande medida moralizadora que foi devolver as pastas James Bond que cada um ia ganhar à nossa custa, resolveram dobrar os vencimentos. Uma bobagenzinha, só dobrar.

- Bem, realmente nesse ponto você tem razão. Os caras não aliviam. Trabalham três dias por semana, vivem fazendo CPIs que nunca dão em nada, têm direito a tudo, comem mulheres ótimas, é um festival. Nesse ponto você tem razão, esses caras só servem pra dar despesa e vergonha.

- Viu você, viu você? É verdade, eles vivem fazendo o possível para que o povo ache que não precisa de Congresso, que só faz trazer despesa e vergonha, além de atrapalhar o governo. E toda hora aparece confusão, como essa dos aviões. Ninguém consegue viajar e quem consegue viaja rezando. E tudo mundo tem cada vez mais medo de tudo, tem gente que não bota o pé fora de casa e cataloga quem pode entrar com um sistema eletrônico de impressão digital, nem amigo entra, se não estiver com a impressão digital cadastrada. Então eu fico com medo do estouro da boiada.

- Estouro da boiada, como assim?

- A boiada que é o povo brasileiro, nós sempre fomos boiada. Tu é do tempo em que a gente lia no colégio duas versões do estouro da boiada, uma do Euclides da Cunha, outra do Rui Barbosa. O estouro pode começar com qualquer coisinha besta, até o estalido de um graveto. Então é isso, eu fico com medo que, quando menos se espere, o graveto estale.

- Mas de certa forma isso seria até bom. Se houvesse uma verdadeira revolta popular, esses caras iam se mancar. Nesse caso, é uma coisa que ia te agradar, botar essa corja toda corrupta e incompetente para fora, eu vou lhe ser sincero, acho que está na hora desse estouro da boiada, acho que estamos precisando de um governo forte.

- É isso que a boiada já está começando a achar também. Pensando bem, eu não estou mais com pena nenhuma dele.

O Apagão de ideias

Filed under: política — rlaf44 @ 11:27 pm

O excelente Artigo do colunista Daniel Piza do Estadão, resume claramente as razões porque o Brasil não crescerá nos próximos anos. A mediocridade do crescimento vai seguir o mesmo ritmo atual ou piorar. A razão é simplesmente “a falta de competência da atual administração�.

No governo passado, que ainda está acontecendo, a incompetência se deu na tentativa de aparelhar idealisticamente toda a administração pública, com elementos do PT.

Somente o Dirceu, emplacou 40.000 praças, visando principalmente à ideologia partidária e a competência para o cargo era o de menos.

Neste segundo mandato, parece pelo andar da carruagem, que os 59.000.000 de votos obtidos pelo Lula, trouxeram de rebarba a turma da pesada: - Jader Barbalho, Delfin Neto, Orestes Quércia, Paulo Maluf, Newton Cardoso, Roseana Sarnei, etc.

Esta turma vai aparelhar o governo, adivinha com o que?

Leia o artigo de Daniel Piza:

APAGÃO DE IDÉIAS

Daniel Piza, no EstadãoSe existe algo em comum, apesar das doses variadas, em quem ‘governa o Brasil há 500 anos’, como gosta de dizer o presidente, é o que o próprio governo Lula demonstra à perfeição: a aliança entre a incompetência e o interesse. Desde o final das eleições, os exemplos foram muitos. Por mais que os ditos analistas insistam em detectar uma maturidade democrática no País e no presidente, ou prefiram olhar o pouco que se avançou em vez de tratar do muito que falta avançar, os fatos e os dados seguem refutando as ilusões. O governo, mesmo popular, continua perdido nas decisões e voraz nos desvios.

O apagão aéreo é lamentável não só pelo tormento que causa aos cidadãos, mas também pela maneira como o governo reagiu a ele. Quando escrevi que achava estranha a afobação com que se jogava a culpa exclusivamente sobre os pilotos americanos, que teriam desligado o transponder do Legacy e ainda brincado de piruetas, fui mais uma vez acusado de, digamos, nacionalismo insuficiente. Agora não há pessoa bem informada que não saiba que o maior acidente de avião da história do Brasil - ‘nunca antes’, etc. - deve-se ao colapso do sistema de controle de vôos, causado pelo corte de verbas e loteamento de cargos. Gente séria não sai decretando culpa sem posse de informações transparentes.Nessa odiosa praxe de transferir responsabilidades, Lula, aliás, é o exemplo número 1. Ele nunca assume nada; em toda crise se omite como um tatu-bolinha.

Até agora não vi uma declaração ou discurso em que trate do problema dos aeroportos e traga para si a tarefa de tomar e cobrar medidas com prazos. Só sabe ser líder na hora de pegar o microfone ou posar para as fotos. Como não aproveitou o tempo em que não exerceu cargos públicos para se preparar, parece incapaz de administrar uma padaria. Como vai saber o que fazer num tema complexo como esse? Melhor deixar o ministro, Waldir Pires, passar vergonha diante das câmeras. Eis a diferença entre delegar e disfarçar.Para quem fala tanto em Juscelino Kubitschek, foi constrangedor ver Lula culpando o câmbio fixo do primeiro mandato do governo anterior pela crise na agricultura, um dos fracassos mais ostensivos de sua gestão. (Isso para não falar na bravata de que queria a solução da crise do Incor ‘em 48 horas’ - e pelo jeito ela não virá nem em 48 dias.) Mais uma vez, o cerne do problema está no fato de que o governo não sabe o que fazer na área. Fala em agricultura familiar e dá dinheiro para o MST, mas não pode abrir mão dos dividendos dos grandes produtores, que fizeram do cerrado um dos principais fatores de melhora no IDH brasileiro. Entre José Rainha e Blairo Maggi, quem fica de fora é a exploração sustentável e democrática do potencial agrícola, bloqueado pela falta de infra-estrutura e pela desvalorização da Embrapa. Alguém imagina JK agindo da mesma forma?

Outro sintoma do despreparo desse governo é a quantidade de versões que surgem para cada questão importante do futuro breve. Há ministros contra e a favor da reforma política, da tributária, da previdenciária, etc. Ora se fala em cortar os gastos públicos, ora se diz que não é preciso cortá-los. Temas como Bolívia, meio ambiente, ‘democratização da informação’ e taxa de juros também levantam sinais dúbios. (Já outros temas, como cultura, esportes e turismo, nem sequer aparecem, reparou?) O resultado é que não existe uma agenda que permita planejar mudanças importantes para que o crescimento do PIB - que será igual ao do governo FHC, numa época em que o mundo cresce mais - se aproxime do ‘espetáculo’ prometido.

Ninguém sabe se é melhor tratar de pontos específicos em alguns setores para concentrar esforços na maior das prioridades. Por exemplo: em vez de reforma política, complicada até por ferir os planos de quem a decidiria (como a correção das representações estaduais), talvez fosse o caso de só instituir no momento a fidelidade partidária e investir na reforma tributária e trabalhista de verdade, que reorganizasse a federação, desonerasse o emprego, reduzisse a carga do contribuinte. Mas não; no Brasil sempre se opta por ajustes em vez de reformas, por conchavos em vez de consensos. (E mesmo os ajustes terminam não sendo respeitados: se a cláusula de barreira funcionasse, Aldo Rebelo, o Anacrônico, não poderia ser presidente da Câmara.)

A ligação com o PMDB é a melhor tradução disso. Lembro que escrevi que o PT seria um PMDB do século 21. Mas tantas foram as lambanças dos ‘companhero’ que Lula, fingindo não ter nada a ver com elas, botou o PT na parede, como retrato do passado, e fez do próprio PMDB - de Sarney, Barbalho e outros chefes de oligarquias que, como os mortos-vivos, sempre voltam - o suporte do lulismo, o único ‘ismo’ em vigor no Brasil. Enquanto isso, continuam debaixo do tapete as sujeiras cometidas no mensalão (ou ’sacolão’, como rebatizou o vice-presidente José Alencar), no dossiê Vedoin, etc. Delúbio, Valério, Waldomiro e Gedimar, para citar apenas quatro cavaleiros do apocalipse petista, continuam passeando pelas ruas como se nada tivessem feito. Mas a PF, sim, faz uma operação a cada dois dias… A história é, de fato, uma humorista.

É assim que começa….

Filed under: economia, legislação, política, tributação — rlaf44 @ 12:33 am

É assim que começa. Primeiro vem o teste depois as cobranças e uma vez iniciadas adeus, nunca mais param de cobrar. Em Brasília no governo do PT, o Atual Senador Cristóvam Buarque implantou os pardais como uma maneira de testar a sua eficácia como apaziguador do trânsito, mas a sua eficácia como veiculo arrecadador foi tanta, que nunca mais saiu de moda. O transito pouco mudou, mas os pardais proliferaram e hoje, eu duvido que exista uma pessoa que dirija em Brasília que não tenha levado uma multa. Isto é um imposto disfarçado em maneira de domar o transito selvagem.

Leiam o artigo abaixo, e vamos fazer algo para parar de pagar para sustentar os crápulas:

27/09/2005
Gestão Serra testa chip que monitora veículo

Tecnologia permite pedágio urbano eletrônico, mas governo diz que intenção é saber tempo gasto em percurso

Alencar Izidoro

O governo José Serra (PSDB) firmou uma parceria para a instalação de equipamentos que permitem a identificação e localização automática de veículos que circulam no quadrilátero das avenidas Rebouças, Nove de Julho, Paulista e marginal Pinheiros.

Trata-se de um sistema de radiofreqüência que prevê a colocação de antenas nessas vias e a instalação de etiquetas eletrônicas com chips em alguns automóveis e ônibus, cuja circulação nessa região passará a ser monitorada, sendo possível saber onde eles estão e seus tempos de percurso.

A empresa CCBR - Catel Construções do Brasil fará os testes por seis meses em até 500 veículos inicialmente, sem ônus para a prefeitura. Ela já participa da cobrança eletrônica de pedágio, conhecida como Sem Parar, nas estradas, por meio de etiquetas instaladas no pára-brisa dos veículos.

A tecnologia que será avaliada é a mesma que sempre foi apontada como uma das principais alternativas para a implantação de pedágios urbanos eletrônicos, forma de restrição veicular que prevê a taxação do uso do automóvel.

A escolha de um quadrilátero da cidade de São Paulo conhecido por seus congestionamentos para os primeiros testes reforçou essa suspeita dentro da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), mas essa intenção é negada com veemência pelo governo tucano.

A administração Serra diz que a implantação do projeto piloto de radiofreqüência visa estudar ferramentas de gerenciamento do trânsito e do transporte público.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal dos Transportes cita como exemplo a possibilidade de saber os tempos de deslocamento dos veículos monitorados, informação que, no futuro, poderia ser disponibilizada a todos os motoristas em tempo real.

Nos ônibus, a nova tecnologia poderia ajudar ainda a apontar sua localização, inclusive como forma de controle dos itinerários.
Técnicos municipais avaliam que, mesmo que a gestão Serra não tenha a intenção de adotar algum tipo de pedágio urbano no centro, a existência do sistema ao menos facilita a adoção de medidas semelhantes no futuro.

O atual presidente da CET, Roberto Scaringella, é defensor desde os anos 90 da implantação de pedágio urbano eletrônico nas principais vias da capital. No governo Serra, porém, diz que a proposta é descartada pelo prefeito.

A gestão tucana só admite estudos para construir novas pistas nas marginais, nas quais poderia haver uma cobrança localizada. Entre os lugares que já adotaram medidas de pedágio urbano para restringir os automóveis estão as cidades de Singapura e Londres.

O governo Lula começou a preparar uma legislação para dar respaldo aos municípios que queiram adotar propostas desse tipo. O plano do Ministério das Cidades fixará diretrizes da política de mobilidade nas quais recomenda às prefeituras a adoção de diversos instrumentos de racionalização do espaço viário, incluindo a taxação pelo uso dos carros.

O sistema que será testado pela Prefeitura de São Paulo é mais uma das tecnologias no trânsito adotadas em 2005. A principal novidade do ano foi a adoção de câmeras que fazem a leitura automática de placas, como maneira de flagrar infratores burlando as regras do rodízio de veículos.

A CET também reativou ontem mais 20 câmeras de fiscalização para multar quem ultrapassa no semáforo vermelho. No final de agosto, outras 20 tinham sido religadas. Dentro de um mês haverá mais 17 aparelhos, totalizando 57.

Fonte: Folha de São Paulo
Origem: São Paulo - SP

November 24, 2006

O fim da linha

Filed under: política — rlaf44 @ 11:15 pm

O Jornalista Jaime, tem toda a razão, o Ministro, apesar de sua comprovada competência como advogado do governo, no caso do caseiro ele quase dançou feio. No caso do dossiê, teve que andar na corda bamba e ainda está meio trêmulo e se continuar, um dia a casa cai porque os aloprados não têm limite para suas aventuras. Bom comentário o do Jaime. Leia abaixo:

Por Jayme Copstein - Rádio Gaúcha

O que mais tem mudado nos últimos quatro anos, e como nunca na história deste país, é a língua portuguesa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma de suas habituais discurseiras, anunciou ontem que deseja, para o segundo mandato, um governo mais ousado.
O que será que está palavra significa no discurso do presidente? Será, por exemplo, mais honrado?
A dúvida vem de recente pedido de demissão, do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sem repercussão maior fora das paredes envidraçadas do Planalto, o que dá margens a especulações.

Por que a decisão extrema, faltando menos de dois meses para o término do primeiro mandato? Terá o ministro cansado dos “aloprados�, que não cessam de fazer “trapalhadas�, sejam o que estas palavras agora signifiquem? Antigamente, isso se chamava corrupção, mas o dicionário foi realmente transformado como nunca na história do país.
Não são as águas passadas que importam no caso da demissão abafada do ministro Márcio Thomaz Bastos. É a correnteza do rio. Haverá outro mensalão, outro dossiê, prestes a estourar, e ele cansou de carregar o time das costas?
Seja como for, nestes anos de governo, o sr. Márcio Thomaz Bastos é autor de obras-primas, dignas de registro no anais internacionais do Direito Penal. Só este caso do dossiê, em que, apesar da abundância de delitos, nenhuma acusação pode ser formulada por não se conseguir saber a origem do dinheiro, garantiria sua imortalidade no Panteão.

November 23, 2006

Nuca neste país….

Filed under: Criminalidade, política — rlaf44 @ 9:51 pm

…e nunca na história deste país…..

Nunca na história deste país se prendeu tanto e se descobriu tanta coisa pela Polícia Federal, que em ações bem planejadas, continua desmoronando quadrilhas que lesam o erário, que prejudicam os cidadãos honestos, e que estão agindo por anos impunemente.

Nunca na histórias deste pais, foi criada uma cortina de fumaça como esta do momento, desenvolvida pelo excelente advogado criminal, o Ministro da Justiça, para esconder as trapalhadas criminais da turma do PT.

Infelizmente, os crimes cometidos por membros do governo, são porcamente investigados e as investigações são terminadas em geral com a total impunidade do criminoso.

No caso do dossiê, os petistas apanhados com a mão na massa, presos em flagrante com uma quantia de quase dois milhões em dinheiro vivo, é no mínimo crime de enriquecimento ilícito, pois era dinheiro não declarado, poderia ser crime de lavagem de dinheiro, pois havia moeda estrangeira no flagrante, poderia ser crime de contrabando, pois a origem dos dólares não foi explicada, poderiam ser muitos outros crimes, incluindo formação de quadrilha, pois havia mais de três pessoas envolvidas para cometer mais de um delito e, presos em flagrante delito. Com todas as evidências presentes, ninguém foi acusado de nada, não tem ninguém preso e pelo andar da carruagem, não vai ter ninguém preso e responsável pelos crimes em flagrante, muito menos pelos outros que porventura poderiam ser comprovados por uma investigação realmente séria.

As evidências são tão claras da parcialidade da PF que um delegado que ousou falar a verdade e mostrou as fotos do crime cometido, notas embaladas com rótulos do BC e da CEF, e os dólares com embalagem do Tesouro Americano foi perseguido e criticado. As fotos estavam sendo escondidas para se evitar perguntas embaraçosas de como se pode retirar tanto dinheiro de uma hora para outra dos bancos oficiais, sem um agendamento prévio exigido pelo BC? Se eu e você formos ao BB, e tentar retirar de minha CC, mesmo que se tenha saldo suficiente, por exemplo, R$35.000,00, para lhe pagar por um carro, não vamos conseguir porque esta quantia tem que ser agendada com o gerente com antecedência, por ordem do BC. Os petistas descolam R$ 1.000.500,00, sem deixar um vestígio sequer, e conseguem encontrar aproximadamente 200.000 dólares sem deixar vestígio. E ninguém é preso e ninguém sabe de nada. Mesmo para os mais bobinhos pode-se notar que a parcialidade está vigorando na PF.

Se o dossiê encontrado com os presos no flagrante, fosse realmente uma bomba, ele seria mostrado imediatamente. Por isto o plano do flagrante. Era para acontecer assim:

A PF é informada de que uma transação ilegal está em processo. Um delegado inocente, cumprindo o seu trabalho, é escalado para investigar. Entra na cena e dá um flagrante no dinheiro e no dossiê. Aí entra em cena outro delegado de confiança do MJ, e encontra o tal Dossiê bomba e imediatamente o divulga, e os crimes do dinheiro passam ao segundo plano e o Mercadante ganha pontos na campanha. Acontece que o tal Dossiê é uma farsa e o crime com o dinheiro vai para nas manchetes. Aí os petistas viram “aloprados� inclusive os caras que trabalhavam ao lado do presidente e a PF enrola a investigação, que seguramente vai acabar em pizza.

SE a PF divulgasse o dossiê bomba, seria muito mais forte do que se alguma pessoa da campanha do Mercadante o fizesse. Só que a canalhice dos Vedoin foi maior do que os “aloprados� poderiam imaginar e foi por isto que com enorme raiva imediatamente revogaram sua condição de Delator Premiado e a turma do MJ o prendeu por um bom tempo, como castigo.

Mas apesar desta historia recente ser muito estranha, eu tenho uma teoria mais ousada:

O crime mais sério, cometido recentemente, e ainda totalmente aberto, foi a morte do Celso Daniel.

Houve a tentativa de se esconder tudo. O Advogado e deputado petista, o mesmo que defende o José Rainha e outros sem terra, foi encarregado de acompanhar as investigações. O Deputado LUIZ EDUARDO GREENHALGH, foi acompanhar a investigação. http://search.folha.com.br/search?q=%22greenhalgh%22&site=online&src=redacao

Pergunto para que um advogado para acompanhar uma investigação? Ele não só acompanhou como interrogou e torturou suspeito e quando isto veio à tona foi afastado do caso. A polícia que investigava o caso foi obrigada a tolerar isto. Como e por quê? Você que está lendo isto e se for um advogado, tente ir a uma delegacia que investiga algum homicídio e acompanhar a investigação e interrogar suspeito.

Os delegados que também são advogados não deixarão que se processe esta intervenção até porque é contra o regulamento das polícias. Mas aconteceu.

O legista que levantou suspeitas sobre a primeira perícia sofreu morte súbita e sem uma explicação coerente.

Todas as últimas testemunhas que presenciaram o Celso Daniel com vida, morreram de forma violenta.

Agora recentemente, uma delegada de polícia, encerra o caso dizendo que foi um crime comum, sem ter respostas para um monte de coisas incompreensíveis que ocorreram com a morte do prefeito. Não tem ninguém preso, e o único que foi preso que poderia falar, morreu na prisão. Tudo muito estranho e conveniente.

Eu tenho uma teoria sobre tudo isto. Não tenho provas.

O PT assume o poder com a sombra do crime do Celso Daniel, que segundo a versão dos irmãos, iria denunciar um esquema de propina e caixa dois do PT.

Ao assumir, o PT chama um brilhante advogado de defesa para ser o Ministro da Justiça. O Ministro da Justiça é o chefe da PF. Este advogado que tem experiência em crimes e conhece como poucos a natureza humana, tece uma malha de proteção para o PT. Esta proteção consiste em:

  1. Mantém a PF longe do crime do Celso Daniel.
  2. Promove várias ações contra crimes que já conhece à anos, mas que são ignorados.
  3. As ações são aprovadas pela população, que esquece o crime inicial do Celso Daniel.
  4. Não tenho certeza disto, mas desconfio que de todas as ações, pouquíssima gente está presa.
  5. Fizeram até uma tentativa de CPI para investigar a morte do Celso Daniel e apesar dos irmãos dele comparecerem e falarem sobre o que sabiam, não deu em nada.
  6. Todas as ações da Polícia Federal servem para que o PT se defenda de que em seu governo “nunca neste país� se prendeu tanta gente. Isto é mentira, pois apesar de que a PF descobriu muita coisa, não tem mais gente presa neste governo do que em nenhum outro.
  7. O Procurador Federal escreveu um relatório, apontando todos os membros da quadrilha, e não tem ninguém preso.
  8. Todas as vezes que se toca no assunto de crimes cometidos pelos petistas o nosso presidente se defende assim: “Nunca neste país se prendeu tanta gente como neste governo�.
  9. Assim, o inteligente Ministro da Justiça que nada mais é do que o advogado do governo preparou uma rede de proteção contra os crimes cometidos pelos petistas, fazendo a sua PF prender muita gente, e investigar muitos crimes, mas relevar os cometidos pelos petistas.
  10. Mas como os petistas estão ficando cada vez mais difíceis de proteger, o Ministro está com as malas prontas para não ser pego com as calças na mão.
  11. No caso do caseiro, a fumaça ficou tênue e quase que o Ministro foi exposto.
  12. Sabem quem falta morrer para ficar tudo limpinho? O sombra. Cuidado sombra.

E nunca neste país, foi confeccionada uma tentativa como esta para encobrir um crime para se evitar que se descobrissem outro, ou seja, uma queima de arquivo, sofisticada, usando-se helicóptero, prisioneiros, muito dinheiro, e continuaram a se queimar arquivos matando todos os envolvidos, (falta ainda o sombra que não demora vai para o mundo do além) e contratando o grande advogado criminal para defender o PT, disfarçado em Ministro da Justiça.

Realmente, “nunca na história deste país…..â€? foi criada por um governo uma cortina de fumaça como esta, para justificar a impunidade dos sectários do PT. A PF está sendo usada para reforço na cortina.

Roberto Leite de Assis Fonseca

Rleite44@gmail.com

Links:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u87041.shtml

http://search.folha.com.br/search?q=%22celso+daniel%22&site=online&src=redacao

http://kavorkanet.blogspot.com/2006/10/ministro-mrcio-thomaz-bastos-atua-na.html

http://www.justica.gov.br/institucional/estrutura/curriculo/Marcio.htm

http://www.vermelho.org.br/governo_lula/32.asp

http://conjur.estadao.com.br/static/text/43537,1#Comments

http://conjur.estadao.com.br/static/text/43537,1#Comments http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u67202.shtml

http://search.folha.com.br/search?q=%22greenhalgh%22&site=online&src=redacao

November 22, 2006

Glauco Fonseca escreve à Mainard

Filed under: Outros autores — rlaf44 @ 6:45 am

Carta ao Diogo MainardiDe Glauco Fonseca
Diogo, por favor, e por enquanto, “menos�. A impressão que dá é de que não adianta mais. Neste momento, nada é suficiente, nada os atinge, nada é tão forte quanto eles hoje por aqui. O ideal é respirar, pensar e, sobretudo, rever tudo que vivemos nos últimos anos. Diminui, meu estimado Diogo Mainardi. É muito ruim ler ataques pessoais a teu filho, aumenta muito a minha dor, a minha indignação, o meu descrédito na sabedoria humana. Agora é hora de deixar o mundo dar suas voltinhas. Por enquanto, não há crime para eles que não seja altamente compensatório, não inventaram ainda o delito que os ponha a ferros. Eles têm a força, eles têm a grana, eles têm a tão necessária falta de caráter para seguir em frente como bem quiserem. Por enquanto.

Eu estou também diminuindo o ritmo, Diogo. O cansaço não é por conta da derrota mas por conta da infeliz escolha que nossos não menos infelizes compatriotas fizeram nas urnas. De certa forma, estou tentando transformar minha fadiga e minha melancolia em tempo para pensar. Posso até chegar a descobrir, quem sabe, que eu não esteja compreendendo direito a situação. Talvez deva estar errado em alguma avaliação crucial, pois me oponho, como tu, ao modelo conspiratório medonho e maniqueísta que hoje se opera no território nacional. Sou contra mensalão, sou contra corrupção, sou contra tráfico de drogas e de influência, me oponho à roubalheira de dinheiro público, sou contrário às aproximações políticas espúrias e bastardas, também fico indignado com gente que deveria estar presa e sequer será indiciada. Só que devemos, eu, tu e outros tantos, estar errados, não é mesmo? Afinal, as coisas se afastam diariamente daquilo que imaginávamos ser o certo.

Dia desses, fui dar uma palestra para uma turma de 200 alunos de jornalismo e comunicação numa universidade aqui do RS. Falei a eles, primeiro, das enormes oportunidades que as novas mídias ofertarão nos próximos anos. Rádios e TVs digitais, a IPTV, os canais interativos, além dos enormes espaços profissionais ainda a serem descobertos, tanto quanto a serem preenchidos por bons talentos no futuro breve. Discorri, em seguida, a respeito das dificuldades do mercado de trabalho para jornalistas, publicitários e comunicadores. Não gosto de falar em adversidades, mas é papel de qualquer palestrante falar a verdade, não é mesmo? Durante a palestra, contudo, fui ficando angustiado, tenso e não consegui me conter. Encerrei com um insight que surgiu ali mesmo, enquanto eu falava aos gentis assistentes que o grande desafio da comunicação era conseguir fazer com que a informação não só encontrasse novos caminhos em direção à maioria de um povo tão alienado e solitário em sua secular ignorância, mas que fizesse com que a mensagem fosse realmente lida, ouvida, processada e realmente compreendida pelas pessoas que hoje se submetem à pilhagem por conta de um simples prato de comida. Fiquei horrorizado com a descoberta de que, em pleno século XXI, nem Globo, nem Grupo Abril, nem Diogo Mainardi são capazes, em mídia ou em multimídia, juntos ou separados, de serem compreendidos por mais de 75% de brasileiros, que são analfabetos funcionais, incapazes de elucidar tanto a mensagem quanto a verdade.

Não quero me alongar. Concluo com a minha declaração de enorme admiração, com um forte abraço em ti e em tua esposa, afetuosos beijos em teus queridos filhos e com a garantia de que continuarei lendo o que escreves enquanto tu o fizeres. Já discordei algumas (poucas) vezes do teu ponto de vista, mas acredito que nunca discordarei de teu ponto de afeto, com a tua família, com o teu público, sobretudo com o teu país.

Do Diogomainardista,

(*) Glauco Fonseca - é jornalista e escritor

November 20, 2006

Mudança Política

Filed under: política — rlaf44 @ 9:53 pm

A mudança política

1. O voto deve ser secreto, democrático e não obrigatório.

2. Pessoa pública por cargo eletivo não pode ter nenhum sigilo preservado. (Bancário - Telefônico - Fiscal)

3. A imunidade parlamentar deve-se apenas cobrir os processos decorrentes de decisões parlamentares e da sua palavra, e os crimes comuns cometidos por parlamentares sofrerão os rigores da lei comum. (sem a necessidade de aprovação da presidência do órgão. )

4. O parlamentar eleito por um partido deverá pertencer a este partido até o final do mandato ou perde o mandato.

5. Não existe mais voto de legenda. Votação simples e direta.

6. A suplência de qualquer cargo eletivo pertence ao candidato que chegar com o segundo maior número de votos, seja de que partido for. É a vontade do povo que vale.

Os itens 5 e 6 são muitíssimo importantes para tranformar a casa do povo, que é o congresso novamente em casa do povo. Para isto é preciso que a representatividade seja coerente e realmente uma representatividade. Atualmente depois das eleições, não sei como ficou, mas antes do último sufrágio, na Câmara Legislativa, a representatividade era de apenas 6%. Isto não é representatividade popular.

7. Promessa de campanha deve ser registrada em cartório e cumprida sob pena de perda de mandato para sempre.

8. Os partidos políticos deverão fornecer cursos de ética parlamentar e de gestão pública com um número mínimo de horas atendidas, a todos os candidatos e estes partidos serão responsabilizados pelos desmandos cometidos por seus candidatos. E punidos por isto.

9. Os conselhos de ética das casas legislativas deverão ser presididos por um juiz do supremo, e devem ter um membro neutro, representante do povo, como a OAB, por exemplo, para se evitar decisões políticas e ou corporativas.

Este item é meio confuso, pois alguém pode alegar que a constituição não permite a promiscuidade entre os poderes, o que é certo. Mas deve haver um meio de tirar as raposas do galinheiro. Não penso que para mudar um pequeno parágrafo da constituição se necessite uma constituinte. Pode-se emendar a constituição dizendo que para total imparcialidade e justiça, as comissões de ética deverão ser mistas, com a participação do poder judiciário e do representante do povo. Se for apenas neste quesito, isto não necessariamente implica promiscuidade entre os poderes.

10. A possibilidade de extinção do processo de cassação de um parlamentar por renúncia do mesmo fica proibida e todo e qualquer processo vai até o fim.

11. Extinção do foro privilegiado.

12. Revisão de todos os salários de parlamentares e a obrigatoriedade de trabalhar o horário normal, ou seja, 40 horas por semana com o ponto assinado. Os benefícios atrelados ao salário acabam para sanar as mordomias e discrepâncias não condizentes com a realidade do país.

Com estas mudanças, o judiciário ficará mais transparente e representativo.

Agora, para o executivo, tem que haver algumas mudanças também. Existem sugestões para se acabar com a reeleição. Talvez seja uma boa idéia porque o que aconteceu até agora, no Brasil. O primeiro mandato é apenas uma enorme campanha para a reeleição, e o presidente em exercício, mistura as funções de candidato com presidente e isto não é muito justo para os outros candidatos.

Um mandato de cinco ou seis anos, sem reeleição pode se tornar um mandato curto sem oportunidade de se criar alguma mudança de infra-estrutura ou qualquer outra que mostre frutos no mesmo mandato, o mandatário fica inibido de fazer a coisa certa pois pode resultar no primeiro momento em alguma perda de receita ou perda de salários, para dar melhorias a médio prazo. É como a tão necessária reforma tributária que ninguém quer fazer pois no primeiro momento, vai haver perda de receita e com um mandato curto, os benefícios desta reforma somente podem se realizar em um mandato de outro candidato. Então ninguém quer fazer.

Tenho uma sugestão:

  1. O mandato deve ser de oito anos.
  2. O candidato ao cargo de Presidente, tem que registrar em cartório as promessas de campanha.
  3. A cada dois anos é feita em janeiro uma avaliação do desempenho do presidente por plebiscito, levando em consideração, as promessas e as melhoras e o desempenho do presidente e sua administração. Em caso de uma reforma tributária, por exemplo, aprovado pelo congresso, onde pode haver uma perda de receita, e por isto ter uma aprovação medíocre, este tipo de desempenho fica fora da avaliação.
  4. O plebiscito deve ser em janeiro. Se for reprovado na avaliação, fica marcada uma nova eleição para o mês de outubro.
  5. Não pode haver campanha para este plebiscito.
  6. Os ocupantes de cargos do primeiro escalão ficam sem direito de sigilos.
  7. Tem que haver um limite, bem restrito na propaganda governamental.
  8. Se houver e for comprovada propaganda enganosa, perde o mandato na avaliação bienal.

Se for feita esta mudança, o executivo ficará muito mais eficiente e transparente. Deverá ser seguido por todos os executivos, estaduais e municipais.

Outra mudança muito importante é o registro gráfico do voto eletrônico. Sem esta mudança, fica difícil uma recontagem o que é previsto na lei, mas sem o registro gráfico não é possível conferir, pois se recontar os votos eletrônicos sempre dará o mesmo resultado.

Roberto Leite de Assis Fonseca

Brasília dia 20 de novembro de 2006.

November 19, 2006

Lula está aflito.

Filed under: Outros autores, economia, política — rlaf44 @ 9:00 am
Vinicius Torres Freire, na FSPLULA ESTÃ? AFLITO , não se sabe bem se ansioso como crianças nas vésperas de Natal ou se “invocado” como a rainha de Copas, ameaçando decapitações caso a cegonha, as renas de Noel ou sabe-se lá que figura fantástica não entregue um crescimento de 5% no ano que vem. O que será da ansiedade luliana se contarem ao presidente que o desempenho relativo da economia do Brasil sob seu primeiro governo vai ser ainda pior que o do segundo e terminal governo de FHC?
No primeiro FHC (1995-98), o Brasil cresceu o equivalente a 70% do crescimento mundial. No segundo FHC (1999-2002), a economia planou mais raso, a 60% do que crescia o planeta. Para que o governo Lula empate com o segundo FHC, será preciso crescer uns 3,8% neste ano. Na sexta-feira, economistas da Febraban, o supersindicato dos bancos, também passaram a estimar em 3% a alta do PIB 2006. O crescimento luliano seria assim equivalente a 56% do desempenho mundial.
A que serve essa brincadeira de aritmética ponderada, além de indicar mais uma vez que o Brasil, em vez de país do futuro, parece ser a Terra do Nunca, onde vivem meninos perdidos, índios bobeados e piratas? “Nunca mais neste país” haverá crescimento de verdade?
A gente fica estupidificado com o nível da discussão. Como em todo começo de governo desde José Sarney (1985-1990), a nau pirata do PMDB sai de Tortuga e desembarca no Planalto. Lula diz que vai lhes dar mais cartas de corso desta vez. Bucaneiros de todos os partidos, até os do PSDB e do PFL, tentam entrar no barco do governo. Dizem que é para garantir a “maioria parlamentar”, a “governabilidade”. Mas não soa mais como uma ameaça?
Além dos desclassificados de sempre, há mais lunáticos no Congresso brincando de retalhar o Orçamento já esfarrapado, dando mais dinheiro para emendas parlamentares individuais, os botes da corrupção, como a dos sanguessugas. Outras figuras indizíveis querem dar desconto de imposto para classe média e ricos, isso com as contas públicas já estouradas e com miseráveis aos montes ainda à espera do caraminguá social.
Não haveria nada de novo aí também, pois o ambiente do Congresso mais e mais se parece com o do cerrado do Planalto, onde a vegetação é baixa ou rasteira, e de casca grossa. Mas a impressão agora é que não sobrou ao menos uma dúzia de pessoas sensatas e de autoridade para colocar ordem na malta de saqueadores do dinheiro, da administração, do bom senso e do futuro.
Do governo ele mesmo soube-se na sexta-feira que houve uma reunião de presidente e ministros na qual, depois de seis horas (ou quatro anos?), descobriu-se que investimentos já programados, como em energia e transporte, não saem do papel por idiotia administrativa elementar. Voilá! Hello! Bom dia!
Política, com “p” maior, não se resume a isso, claro, mas não há sinal no governo de um núcleo tecnoburocrático organizado, ao menos. Gente instruída e sensata, que dê diretrizes básicas e congruentes (qualquer diretriz congruente!). Que faça o presidente entender os disparates do seu plano econômico, que não respeita nem leis da física (o dinheiro tem de sair do cofre do governo e também ficar lá, segundo Lula).

Pão a quem tem fome.

Filed under: educação — rlaf44 @ 8:24 am

Pão a quem tem fomeNelson Valente (*)

O Senado aprovou projeto importante para a educação brasileira: o número médio de horas/aula.
Quais são os direitos das crianças que, em idade escolar, se encontram fora da escola? E as outras que, estando na escola, recebem péssimo ensino?
As perguntas me foram feitas na Faculdade de Humanas de Garça -São Paulo, e são pertinentes quando se sabe que o governo inova suas relações com o problema lançando o “Estatuto da Criança e do Adolescente”. Pode ser mais uma prova de boas intenções (de que o inferno anda cheio), mas pode ser também o início de um projeto ambicioso e inadiável, que fuja ao lugar-comum das campanhas inócuas e demagógicas.
O IBGE divulgou relatório sobre a situação da criança, com base em dados de 2006. Há indicadores da tragédia infantil que não devem ser desprezados, como o fato de um terço dos 24 milhões de crianças e jovens entre 10 e 17 anos serem economicamente ativos (trabalham ou já tiveram intenção de trabalhar) e 22% deles viverem em famílias de somente um salário mínimo. Isso pode explicar de modo claro o abandono prematuro da escola.
Aliás, 14% dos 25 milhões de crianças em idade escolar (7 a 14 anos) estão fora da escola. De cada 100 que ingressam na primeira série do ensino fundamental, somente 13 chegam ao final do curso. Há um pequeno aumento no índice de escolaridade, mas o número é ridículo diante das comparações que podem ser feitas com países desenvolvidos.
Não basta ir à escola. Veja-se o número médio de horas/aula: nas nações pós-industrializadas, opera-se com a escola de base 8 x 8 , ou seja, cada aluno fica 8 horas por dia na escola, durante 280 dias, num período de 8 anos. Isto em termos de educação básica. Fazendo as contas, dá uma carga horária, no momento do aprendizado, de algo em torno de 17.920 horas (280×8x8). O número é comparado com o que ocorre no Brasil: são 200 dias letivos para 4 horas diárias (em média) e 8 anos de escolaridade. O total dá 6.400 horas/aula (200×4x8), isto é, quando não há assembleísmo, grevismo,etc.
Por tais números pode-se inferir que nossas crianças recebem 1/3 dos conhecimentos que são ministrados nos países desenvolvidos, o que aprofunda uma diferença hoje abismal. Como seremos uma sociedade competitiva? De que maneira corrigir isso?
O mundo conhece cerca de 30 mil profissões, a quase totalidade proibida a analfabetos ou subalfabetizados, o que hoje corresponde a uma clientela de 44 milhões de brasileiros. Se o analfabeto fala e maneja apenas 2.500/3.000 palavras, como exigir o aumento da sua produtividade?
De toda a forma, a raiz do problema encontra-se na educação básica e nas possibilidades de ensinar adequadamente às nossas crianças, em época oportuna. As distorções idade/série são muito grandes entre nós, fruto de um quase abandono dessa fundamental prioridade. Querem um exemplo? O Brasil tem hoje cerca de 127 mil alunos de pré-escolar com 9 anos de idade e que estão sendo assistidos de modo bastante precário.
Não serão futuros adultos analfabetos? Campanhas e projetos espetaculares não resolvem o problema. Sou partidário de uma ênfase na educação básica, para que se estanque a fonte geradora dessa situação deplorável da educação brasileira.

(*) Nelson Valente - é professor universitário, jornalista e escritor.

November 17, 2006

O segundo mandato

Filed under: Outros autores, política — rlaf44 @ 5:04 pm

O professor está correto, mas a esperança de ocorrer isto que o bom senso recomenda é tenue. Pelo andar da carruagem, e pelos conselheiros que andam até escrevendo cartilhas administrativas para o Presidente (Jader Barbalho). Até o momento pelo que se saiba o presidente somente aprovou verba para o PPI (Projeto Piloto de Investimentos) e não pretende cortar gastos e nem investir em infra-estrutura. A energia disponivel para o milagre do crescimento é de 10% do PIB Se o Brasil cescer 11% deverá haver apagão. Os portos estão com funcionamento comprometidos tem vários anos (creio que são 12 anos) que se faz licitação para aumentar o calado de Santos de 14 para 16+ metros para comportar os navios modernos. Ainda não saiu do papel. Não tem como reformar a previdência. E o sistema viário nacional, depois do tapa buraco sem licitação, está todo ou quase todo parado. Pobre Brasil

Leia o exelente artigo do professor Ives Gandra da Silva Martins

O segundo mandato
Por Ives Gandra da Silva Martins, professor, em O Estado de São Paulo

Nada obstante toda a publicidade eleitoral, o primeiro mandato do presidente Lula foi, economicamente, medíocre. Seus defensores, ao compararem períodos de estagnação com período de expansão mundial, terminaram por distorcer os dados apresentados, jamais conseguindo justificar o pífio crescimento de 2,3% (o segundo pior da América Latina) em 2005.
Por outro lado, a absurda carga tributária de 37,5% (a maior do mundo, pelos critérios PIB, renda per capita e retorno em serviços públicos), as derrotas colecionadas no campo da política externa (não-obtenção de cadeira no Conselho de Segurança da ONU, capitulação perante a Bolívia, a perda da liderança continental para Chávez e Kirchner, a perda da cadeira na Corte Internacional de Haia, a perda de competitividade internacional perante as grandes baleias da economia mundial - China, Rússia e �ndia - e uma série de outras ações menos felizes), a queda de investimentos, de 17% em 2005, ante um crescimento internacional de 29%, e muitos outros elementos configuraram um dos governos de menores resultados no cenário global, além de ter convivido com os maiores escândalos de corrupção da história democrática do Brasil, ainda não esclarecidos.
Quando o presidente Lula diz que o seu governo propiciou a operação ‘Mãos Limpas’, não disse que a corrupção veio a público independente e contra a vontade de seu governo, de vez que a sociedade só tomou conhecimento do que se fazia para obter acordos no Congresso graças às denúncias de Roberto Jefferson e à atuação serena do procurador-geral da República. Sete casos, pelo menos, macularam seu governo (Waldomiro, mensalão, sanguessugas, vampiros, Vedoin, Correios e quebra de sigilo bancário do caseiro).
Por outro lado, o caos nos aeroportos apenas demonstrou a falta de investimentos no setor de controle do tráfego aéreo, lembrando que as Forças Armadas, que respondem pela segurança nacional - e não pública - receberam pouquíssimos recursos para seu reaparelhamento.
A seu favor há de se computar o Bolsa-Família, programa de maior extensão e menor qualidade que o Bolsa-Escola do governo Fernando Henrique, assim como ter o ministro Furlan - um de seus bons ministros - aproveitado a supervalorização de commodities no mundo para vender pouco mais do que se vendia no passado.
Apesar de muitas vezes ter sido criticado por elogiar o ministro Márcio Thomaz Bastos, entendo que, graças a seu bom senso, o presidente Lula acertou na nomeação de seis ministros de excelente currículo para a Suprema Corte.
Para o segundo mandato se espera mais do presidente Lula. Que ele seja lembrado como um grande presidente, na História do Brasil, ou que se transforme em mera referência bibliográfica é escolha sua.
Decididamente, terá de cercar-se de melhores colaboradores. Terá de buscar grandes nomes para seus ministérios, mantendo aqueles que têm dado conta de suas missões, como Furlan, Meirelles, Patrus Ananias e Márcio Thomaz Bastos, se este quiser permanecer na pasta da Justiça. Nas suas respectivas áreas, foram bem. É de lembrar que, logo em 2007, haverá mais uma vaga de ministro para o STF. Que saiba, mais uma vez, escolher um nome à altura do Pretório Excelso.
Terá ainda de pensar em inserir o Brasil - como o fizeram Rússia, China e Ã?ndia - no contexto das grandes nações, procurando, em matéria de parceria econômica, fazer ‘opção preferencial pelas nações ricas’ para conseguir maiores resultados e melhores oportunidades. É de rememorar que ‘a opção preferencial pelos países latino-americanos’ tem trazido péssimos resultados, com derrotas sucessivas nas negociações com a Argentina e a Bolívia, reações negativas do Uruguai e do Paraguai e perda da liderança continental, conquistada em 2003, para esse aprendiz de ditador que é Hugo Chávez.
Se quiser passar para a História, deverá, por outro lado, fortalecer a democracia, com as corretas teses, por ele já defendidas, de fidelidade partidária e financiamento público de campanhas (elaborei texto nesse sentido, para o anteprojeto do TSE de reforma eleitoral, em 1996), pois a democracia forte é alicerce fundamental para o desenvolvimento.
Terá, todavia, de abandonar projetos que voltam a preocupar, como os de tornar a Polícia Federal um ministério (o que, aliás, seria inconstitucional) e impor o controle à imprensa e aos artistas.
À evidência, não deverá permitir a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal, que provocará o retorno aos precatórios não-pagos, aos calotes oficiais e à perda de credibilidade junto às instituições nacionais e internacionais.
Por fim, terá de fazer a lei mais respeitada, e não prestigiar os estupradores da ordem que, com invasões ilegais, põem em risco a segurança jurídica. Reforma agrária se faz no Congresso, e não mediante o uso da violência. A tese que o MST defende, de apropriação de terras produtivas para culturas familiares e de combate ao agronegócio, representaria fazer a agricultura brasileira - considerada das mais avançadas no mundo, sendo essa a razão por que a União Européia não quer rever sua política de subsídios - voltar aos tempos da Idade da Pedra.
Enfim, o presidente Lula está no limiar de segundo mandato. Se souber se livrar de seus conselheiros radicais, poderá, porque tem carisma, desempenhar um relevante papel na História do País. Para isso talvez tenha de pronunciar a prece encontrada nos escritos de um brilhante pensador: ‘Senhor, livra-me de meus amigos, pois dos inimigos sei me livrar.’

A legalização das mordomias

Filed under: MORDOMIAS, legislação, política — rlaf44 @ 3:57 pm
Villa-Bôas Corrêa, acertou em cheio. as mordomias poderiam ser discutidas e até revogadas pois eram descendentes da criação de Brasília e poderiam e deveriam ser extintas. Agora acabaram e fazem parte do salário equiparado ao dos ministros do supremo. A diferença é que os ministros do supremo Têm curriculo, estão abarrotados de trabalho e os deputados, a maioria não representa ninguem, a maioria não tem nenhum curriculo e o mais importante a maioria não trabalha. Leia o artigo do jornalista:
Por Villa-Bôas Corrêa no Jornal do Brasil O presidente-reeleito Lula e os profissionais da atividade política em geral ficam a dever ao presidente da Câmara e ex-presidente da República por um dia, o ilustre deputado Aldo Rebelo (PCdoB) a inestimável solução, absolutamente perfeita, para as muitas encrencas que passam pelos escândalos da corrupção, aterram no campo fofo da farra das mordomias e salpicam suspeições sobre os casos de empreguismo e de outras lambanças que embaraçam e constrangem os donos e senhores do poder.
A fórmula é a mais simples e óbvia, o ovo de Colombo à vista de todos no ninho da esperteza. Candidato dissimulado à reeleição para a presidência da Câmara dos Deputados, o ex-ministro da Defesa decidiu dar seu recado aos 512 eleitores com a demonstração de competência, criatividade e da ousadia para desafiar os maledicentes.
Como todo mundo com um mínimo de interesse sobre o que rola no governo e no Congresso está farto de saber, os senadores e deputados, desde a mudança da capital do Rio para Brasília, no distante 21 de abril de 1960, cultivam a viçosa horta das mordomias, vantagens e benefícios que inflam os subsídios parlamentares às nuvens de um dos melhores empregos do mundo.
O monturo das regalias fura o teto da compostura. São quinze subsídios por ano, e mais R$ 15 mil da verba indenizatória mensal. E mais a opção por R$ 3 mil por mês de auxílio moradia para os que não moram em Brasília e dispensam os apartamentos funcionais; quatro passagens aéreas mensais para o fim de semana nos lençóis domésticos, a verba de gabinete de R$ 50,8 mil para a contratação de assessores e que fazem a festa dos cupinchas e mais verbas para selos, telefonemas, jornais, revista e demais penduricalhos.
A paçoca indigesta desce pela goela treinada a deglutir a refeição parlamentar. Com a exceção da verba indenizatória, máscara que não cobria o vexame do disfarce de um salário indireto, com o glacê da isenção do pagamento do imposto de renda.
Ao cortar o nó com um golpe seco, o presidente Aldo Rebelo cunhou a fórmula que é um achado da inventividade no modelito dos novos tempos: extinguiu a verba indenizatória e, no mesmo lance, aumentou os subsídios de R$ 12 mil com a equiparação aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal que, com o tríplice reajuste providenciados durante a presidência do ministro Nelson Jobim, saltitaram para R$ 24,5 mil mensais.
Tacada de mestre usando a tabela: a verba indenizatória foi embutida no subsídio e oficializada.
Pelo mesmo atalho maroto, a Comissão Mista de Orçamento amoleceu as restrições das normas para a destinação dos recursos para as Organizações Não Governamentais (ONGs), permitindo as emendas individuais de parlamentares para entidades controladas por parentes.
A maliciosa reação do sub-relator da CPI dos Sanguessugas, deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), bota o dedo na ferida: a turma aprovou as mudanças porque “passou a pressão das eleições”. E não se fala mais nisso.
Em meio à trovoada, o presidente Lula parece que recaiu na crise de irritação que o atormenta quando as coisas não saem como deseja. E aperta o passo na caminhada para ceder às pressões da ronda das ambições, com a anunciada antecipação da partilha dos ministérios disponíveis para selar o acordo com o PMDB e outros aliados de menor calibre.
Se levar avante o que informam as fontes palacianas de sempre, vamos conviver durante um breve, mas excêntrico período, com dois ministérios: o atual, esvaziado com indicação do próximo substituto, e o futuro, no limbo do risco de uma nova arrumação da casa em desordem.
Com duplo ministério, um fantasma e o outro na sala de espera, não é de estranhar que o vexaminoso sofrimento imposto com os atrasos de horas aos passageiros dos aviões não encontre a solução da autoridade que se preza e da competência do Ministério da Defesa e demais responsáveis pela suspeita evidência de que milhões foram gastos nas reformas dos aeroportos e ninguém cuidou da segurança do controle aéreo, herança do primeiro mandato que o herdeiro não sabe como resolver.

November 16, 2006

O salário da vergonha

Filed under: Outros autores, economia, política — rlaf44 @ 10:48 pm
Por Giulio Sanmartini

O comunista Aldo Rebelo, deputado pelo PCdoB e presidente da Câmara dos deputados, apresentou projeto para um aumento de 100% no salário dos deputados, que passaria R$ 12.400, para R$ 24.400. Esse é o salário básico que acrescentado de diversos penduricalhos, faz cada deputado percebe por mês a importância de R$ 92.300 (salários R$ 12.400, verba para assessores R$ 30.000, habitação R$ 3.000, para correspondência R$ 4.200, indenização R$ 15.000, para manter escritório na base R$ 15.000 e passagens aéreas R$ 8.300).
O que ganha por mês um deputado corresponde a 24 anos de salário de um trabalhador ou 88 anos do máximo benefício dado pela Bolsa Família.
Mensalmente os 513 deputados ganham (em números redondos) R$ 47.000.000, ou seja o que ganhariam 135 mil trabalhadores ou 495 mil famílias beneficiadas pela Bolsa (esmola). Como se não bastasse, um grande número de deputados “arredondam� seu salário com corrupção e roubo.
Isso já não é mais um escândalo, é uma verdadeira obscenidade.

November 15, 2006

História da CPMF.

Filed under: Outros autores, legislação, tributação — rlaf44 @ 1:34 pm

Conheça a história da CPMF, o tributo provisório incidente desde 1994

Folha Online - 02/06/2006 - 19h27

A incidência de uma alíquota sobre movimentações financeiras foi aprovada em 1993 e passou a vigorar no ano seguinte com o nome de IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) –era de 0,25%. Ela durou até dezembro de 1994.

Dois anos depois, o governo voltou a discutir o assunto, com a intenção de direcionar a arrecadação desse tributo para a área da saúde. Foi aí que foi criada a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que passou a vigorar em 1997 com alíquota de 0,2% e desde então vem sendo prorrogada.

A CPMF foi prorrogada em 2003 e, se não for novamente prorrogada, irá vigorar até dezembro do próximo ano. No ano passado, a arrecadação foi de R$ 29,904 bilhões. A previsão de arrecadação para este ano é de R$ 32 bilhões. A alíquota é de 0,38%.

No final de 2000, o governo decidiu permitir o cruzamento de informações bancárias com as declarações de Imposto de Renda dos contribuintes. Caso um contribuinte tenha declarado ser isento do IR e, ao mesmo tempo, movimentado milhões em sua conta bancária—o que é possível saber de acordo com o valor de CPMF paga–, sua declaração tem maior risco de ser colocada na malha fina pela Receita.

November 14, 2006

Caloteiros e Levianos

Filed under: Outros autores, economia, política — rlaf44 @ 9:07 am

Caloteiros e levianos

Por João Luiz Mauad

O tempo passa, o mundo evolui, as idéias se renovam, mas há coisas que não mudam jamais. Digo isso porque vários escribas e outros tantos acólitos da sinistra continuam defendendo teses tão anacrônicas quanto estapafúrdias, como o velho calote da dívida pública e a existência de uma mega-ultra-hiper conspiração entre banqueiros e Banco Central para fabricar dívidas que não existem (fajutas), além de manter sempre elevadas as taxas de juros.
Comecemos falando do famigerado calote. Aliás, como calote talvez seja um termo muito forte, que ainda desperta uma certa repulsa na população em geral (se é que resta algum resquício de ética por essas bandas), os ungidos, especialistas em eufemismos como poucos, costumam utilizar termos como “profilaxia” ou “auditoria responsável” da dívida. Além desses pequenos truques semânticos, os ideofrênicos adornam suas propostas heterodoxas repetindo, em uníssono, como um coral bem ensaiado, platitudes como “os banqueiros já lucraram muito, então é justo que paguem um pouco” e outras abobrinhas parecidas.

O que eles escondem do venerável público é que os bancos são meros intermediários entre poupadores e tomadores. Seus lucros provêm do spread (diferença entre o juro pago ao poupador e o recebido do tomador). Somente uma pequena parcela dos títulos adquiridos é mantida em tesouraria (algo em torno de 23,5% dos resultados obtidos pelos bancos no último exercício foram com títulos em carteira própria), enquanto o grosso é “repassado” aos investidores (poupadores) em renda fixa. Por isso, por incrível que possa parecer aos mais afoitos e desinformados, quanto menor é a taxa de juros praticada numa determinada economia, melhor para os bancos, pois assim emprestam mais e lucram mais.
Apesar do aparente paradoxo, trata-se da mais pura verdade, cuja comprovação empírica é muito fácil e anda por aí, disponível para quem quiser ver. Duvida, estimado leitor? Então veja: As taxas SELIC, durante o governo Lula (2003-2006) foram, em média, bem menores do que em FHC (1995-2002), conforme demonstra a série histórica do Banco Central (http://www.bacen.gov.br/?COPOMJUROS). No entanto, os lucros do setor bancário, tanto em termos absolutos quanto em relação ao patrimônio líquido das instituições, foram muito maiores durante Lula. De acordo com dados contábeis divulgados pela revista Veja, o lucro agregado dos cinco maiores bancos brasileiros (Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Banespa e Unibanco), nos três primeiros anos da gestão Lula, foi de aproximadamente R$ 44 bilhões brutos, enquanto nos oito anos de FHC foi de R$ 36 bilhões. Portanto, obtiveram um lucro anual médio de R$ 14,6 bilhões no governo Lula, contra R$ 4,5 bilhões no de FHC, mesmo com as taxas caindo ladeira abaixo.
Soa estranho, não? No Brasil, pode ser. Especialmente porque nos acostumamos a ouvir aquela velha ladainha segundo a qual os juros altos só beneficiam os banqueiros, sendo resultado de uma grande conspiração entre os tubarões do capital financeiro internacional e os ogros neoliberais que dominam o BACEN desde o governo passado.
Falácias e pesadelos esquerdistas a parte, o aspecto mais importante dessa discussão é que, ao contrário do senso comum, a maior parte da dívida do Estado está nas mãos de pequenos poupadores, como eu, você ou qualquer possuidor de reservas financeiras investidas em renda fixa. Portanto, é na grana dessa gente que eles querem dar calote ou, como dizem, fazer uma “auditoria séria”. Não se iluda, meu caro leitor: se o governo parar de honrar os seus (dele) compromissos, como querem esses sacripantas, os mais prejudicados serão justamente os pequenos investidores, pois os grandes, dentre esses e principalmente os banqueiros, saberão defender-se muitíssimo bem.
Uma outra questão até hoje muito mal explicada ao grande público e que, por conseguinte, tornou-se terreno fértil para campanhas sórdidas de desinformação e desmoralização (muito freqüentes nos debates da última eleição), diz respeito ao fabuloso aumento do estoque da dívida ocorrido durante o governo FHC. Não raro, os acólitos do PT e seu séqüito de bobalhões utilizam as estatísticas de crescimento da dívida pública para induzir o cidadão comum a pensar que houve alguma sacanagem ou, em palavras mais sofisticadas, que os integrantes daquele governo locupletaram-se com “a banca” para roubar o povo brasileiro. (Com o perdão da má palavra, caro leitor) coisa de gente canalha, sem quaisquer escrúpulos!
Como bem sabemos, há três formas de o governo sustentar os seus gastos: cobrando tributos, endividando-se ou emitindo dinheiro. No Brasil, durante muitas décadas, o Estado utilizou-se, em grande medida, da emissão de papel pintado para financiar os desperdícios do serviço público - por desperdício, leia-se: a corrupção endêmica, as obras faraônicas que levam o nada a lugar algum, os privilégios e as sinecuras de políticos e servidores, mais todo aquele festival de gastança irresponsável que conhecemos tão bem. A estratégia de colocar as impressoras da Casa da Moeda para funcionar freneticamente trazia algumas “vantagens” de curto prazo, especialmente para os governos da hora que sempre dispunham de dinheiro às pencas para suas extravagâncias e ainda evitavam decisões impopulares, como o aumento de tributos ou o endividamento.
Entretanto, as conseqüências desse ardil fiscal heterodoxo, irresponsável e criminoso, a longo prazo foram (como de resto sempre serão) nefastas, por causa da inflação e todos os desajustes que ela produziu na economia. Economistas sérios costumam dizer que a inflação é o pior dos impostos, pois só o governo lucra com ela, enquanto os principais prejudicados são os mais pobres, pois estes não têm condições de defender-se, como a classe média ou os ricos que, mal ou bem, sempre arranjarão um porto seguro para atracar suas poupanças e salários.
Pois bem, quando FHC conseguiu controlar a inflação, aquela fonte inesgotável de dinheiro (papel pintado talvez fosse o termo correto) secou. Sobrou um monte de gastos correntes com funcionalismo, aposentadorias, custeio da máquina, juros da dívida, investimentos em infra-estrutura, etc., que precisavam (e deveriam) ser cortados, reduzidos ou pagos com outra fonte de financiamento. Como a nossa Constituição dos privilégios (farta em garantias e direitos pétreos) não dá muito espaço de manobra para cortes efetivos de gastos, a opção dos tucanos foi pelo aumento da carga tributária e o endividamento.
Some-se a isto um elevadíssimo número de velhos esqueletos não contabilizados, guardados a sete chaves nos cofres do Leviatã, além da incorporação de pesadas dívidas de estados e municípios (algumas já em processo de moratória) e chegaremos à real explicação para o aumento brutal da dívida. (Sobre esse assunto, sugiro a leitura de um livro excelente, chamado “3.000 dias no bunker”, de Guilherme Fiúza, que conta toda a história na voz de quem efetivamente a vivenciou, e não na de jornalistas e comentaristas mal intencionados que passam a vida atrás de um teclado dizendo besteira, fazendo proselitismo e esculhambando a honra dos outros).
Eu não sou um apologista do governo FHC. Muito pelo contrário, como liberal penso que a sua pouca disposição para enfrentar a necessária redução dos gastos públicos e os reveses políticos que esta decisão acarretaria, tendo ele optado, afinal, pelo caminho menos espinhoso de jogar a maior parte dos encargos nas costas dos contribuintes (presentes e futuros), foi a verdadeira herança maldita daquele governante. No entanto, não podemos ser levianos a ponto de achar, ou mesmo insinuar, como fez o PT na campanha eleitoral, que alguns caras tinham alguma espécie de conluio com banqueiros para endividar o país e manter os juros elevados. Até porque, se tudo o que dizem fosse realmente verdade, de duas, uma: ou o governo Lula seria conivente, pois soube da existência de crimes no governo anterior e não procurou investigar e punir os culpados, ou é extremamente leviano, pois investigou, não encontrou nada e insiste em conspurcar a honra alheia com insinuações e afirmações que sabe inverídicas.

November 12, 2006

Até a Suécia mudou!

Filed under: Outros autores, economia, política — rlaf44 @ 3:44 pm

Acorda Brasil! Até a Suécia mudou!
Margaret Tse

Em 25 de outubro de 2006

Resumo: A Suécia acordou para a realidade da falência do seu modelo de bem-estar e da falha de suas políticas obsoletas. Quem sabe o Brasil não faz o mesmo?

Por oportunismo eleitoral, volta à tona o assunto privatização com o PT e Lula demonizando a privatização das estatais. Com isto, mostram desinformação e dessintonia total com o que ocorre atualmente na Suécia, modelo de Estado-previdência para os esquerdistas.

Ora, a recente eleição realizada em setembro na Suécia, nos mostra o pior resultado desde 1914 do Partido Social Democrata – no poder por 65 anos, que levou a economia sueca a um estado crítico. Desde 1976, as políticas socialistas e interventoras trouxeram uma grave crise econômica no país, que tem um dos impostos sobre renda mais altos do mundo e um dos sistemas de previdência mais caros entre os países da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD). Oficialmente a taxa de desemprego é de 4,5%, mas está em 17% se forem incluídos os desempregados ocultos (que estão em benefício previdenciário, retreinamento ou aposentadoria antecipada) de acordo com o Instituto Global McKinsey. Significava em 1991, uma perda em torno de mil empregos por dia numa economia em queda livre porque estava ancorada na rigidez da lei trabalhista, cujas regras além de aumentarem os custos, engessavam as empresas. Houve uma mudança estrutural no país no início da década de 90, quando a Suécia foi forçada a iniciar um processo de liberalização da economia, com desregulamentações, reformas e privatizações. A partir daí, a produtividade do setor privado, que emprega 70% da mão-de-obra, vem se tornando crescente.

O pleito de setembro, cujo vencedor foi a Aliança de Centro-Direita, que tomou oficicialmente posse em 6 de outubro, indica a vontade da população sueca em mudar seu país, através de políticas que melhorarão a competitividade e a taxa de emprego. É a eficiência o maior motivador da privatização porque os ganhos de produtividade geram ganhos de renda permanentes. É o voto do povo para cortar significativamente os impostos e para incentivar o empreendedorismo.

Finalmente a Suécia acordou para a realidade da falência do seu modelo de bem-estar e da falha de suas políticas obsoletas! Quem sabe o Brasil não faz o mesmo? Acorda Brasil!

TIREM ESSE GOVERNO DO MEU BOLSO

Filed under: Outros autores, economia, política — rlaf44 @ 3:35 pm

Diogo Costa escreveu este artigo em junho de 2005. Me impressionou a clareza das conclusões e a atualidade do artigo. Estou então divulgando.

Tirem esse governo do meu bolso

Diogo Costa em 17 de junho de 2005

Resumo: Se nos tornamos cada vez mais funcionários públicos, quem é que vai sobrar para pagar nosso salário?

Somos todos funcionários públicos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, 41,60% de tudo o que foi produzido no país nos primeiros três meses de 2005 foi tomado pelo Estado em forma de impostos. Neste ano, trabalharemos 4 meses e 20 dias apenas para o governo. Ainda que muitos não tenham os privilégios da estabilidade e da irredutibilidade salarial, somos todos funcionários públicos.

Os impostos se tornaram tão lucrativos para o Estado brasileiro que, como todo bom negócio, foram expandidos cada vez mais. De 1985 a 2003 o governo aumentou a carga tributária de 20,8% para 35,5% do PIB. No mesmo período, o Chile diminuiu seu apetite tributário de 19,8% para 18,1% do PIB. Talvez isso ajude a explicar porque a economia chilena tem crescido numa média de 5,5% nos últimos vinte anos.

Intriga pensar como a população brasileira tem aceitado tão mansamente sua escravização progressiva. Nos últimos vinte anos, praticamente dobrou-se o número de dias trabalhados para o Estado. Cadê a revolta? Será que o governo é esperto o suficiente para arrancar nosso dinheiro sem que nos sintamos roubados? Se estivesse vivo, o economista italiano Amilcare Puviani diria que sim.

Apesar de pouco conhecido (e de ter nome de plano de saúde), Amilcare Puviani foi certeiro em sua previsão econômica. Sugeriu, há mais de cem anos, uma lista de estratégias que o governo utilizaria se quisesse aumentar sua receita ao máximo sem que a população se desse conta. São elas:

1. O uso de tributação indireta, para que os impostos fiquem embutidos no preço da mercadoria;

2. Inflação, pela qual o Estado aumenta sua renda reduzindo o valor do dinheiro de todos;

3. Empréstimos compulsórios que retardam a tributação necessária;

4. Impostos sobre bens supérfluos e de luxo, onde o incômodo do imposto é anestesiado pelo entusiasmo de uma compra especial;

5. Impostos “temporários” emergenciais, que continuam existindo depois de desaparecida a emergência;

6. Tributos que exploram conflitos sociais, colocando impostos mais altos sobre grupos impopulares, como os ricos;

7. A ameaça de colapso social caso os impostos sejam reduzidos;

8. Dividir o total do fardo tributário em pequenas doses através dos meses do que em um só montante anual;

9. Impostos em que a incidência exata não pode ser prevista antecipadamente, mantendo, assim, o contribuinte despercebido do quanto ele está pagando;

10. Camuflar o processo orçamentário através de uma legislação complexa demais para o público gastar seu tempo decifrando-a;

11. Generalizar em categorias os gastos, tais como “saúde”, “educação” “cidadania”, para dificultar o acesso aos componentes individuais do orçamento.

Depois de assinalar um X ao lado de cada uma dessas artimanhas, não seria exagerado concluir que o Estado brasileiro agiu intencionalmente ao escorregar seus dedos para dentro do nosso bolso. Não só o Brasil, mas vários outros países adotaram as estratégias mencionadas ao longo do século XX. Ao que tudo indica, quem tinha razão era o Jefferson. O Thomas, por favor, que disse que “o progresso natural das coisas é a liberdade sucumbir e o governo aumentar”.

Reverter esse impiedoso progresso, entretanto, significa contrariar os interesses dos inúmeros beneficiários de um Estado gatuno. Enquanto advoga-se ser necessária uma diminuição de impostos e gastos do governo, ninguém se atreve a colocar o sino no gato. Para os políticos, mexer com os interesses dos grupos que se alimentam da obesidade estatal pode significar suicídio eleitoral. Ficamos enrolados na “grande fiação, pela qual todos tentam viver às custas de todos os outros”, como Frédéric Bastiat definiu o Estado em 1848.

As reformas para diminuir a voracidade estatal mostram-se impopulares porque os privilégios concedidos pelo governo concentram-se em cada grupo, mas seus custos são difusos por toda a sociedade. É muito mais vantajoso buscar privilégios estatais do que jogar contra. Se a Varig pede ao governo 300 milhões de dólares, por exemplo, cada contribuinte será lesado em torno de dois dólares, apenas. Por dois dólares, o cidadão descontente com o privilégio não vai a Brasília almoçar com políticos, carregando seu apoio e milhares de dólares em lembrancinhas. Mas a Varig vai. Ou, ainda melhor, manda outros políticos irem. Algumas centenas de milhares de dólares é mixaria para quem tenta abocanhar 300 milhões.

Claro que nem todo o dinheiro é desviado para interesses privados definidos. A maior parte sustenta a disseminada prodigalidade estatal. Ainda assim, é difícil convencer a população que todo mundo sai perdendo desse jogo. Mesmo os contribuintes que adorariam ver uma diminuição nos seus impostos, rejeitariam uma redução dos gastos relacionados com seus interesses próprios, seja sua classe profissional, ou sua cidade.

Somos assim: queremos sempre pagar menos e receber mais, comprar barato e vender caro. A prática dessa premissa movimenta o mercado enriquecendo a sociedade, mas eletrocuta a economia quando alimentada pela fiação estatal. Através do mercado, enriquece quem produz mais, quem serve melhor à sociedade. Já na política, o enriquecimento de um significa o custo de todos. Quanto mais serviços cabíveis à iniciativa privada deixarmos para a política, mais prejudiciais e conflituosos serão nossos interesses próprios.

O enriquecimento generalizado só virá quando diminuirmos a arrecadação e os gastos governamentais.

Afinal, se nos tornamos cada vez mais funcionários públicos, quem é que vai sobrar para pagar nosso salário?

República Presidiária do Brasil

Filed under: Outros autores, política — rlaf44 @ 3:15 pm


República Presidiária do Brasil

Adriana Vandoni


Hoje continuo a seqüência de textos prometida há dois artigos, quando tentei escrever de forma simples e compreensível sobre os tropeços do governo Lula. Naquele, escrevi sobre a condução da política energética. Foi um desastre, mas o assunto deste artigo é outro.
No último debate entre os candidatos à presidência da República (e o primeiro que Lula dá o ar da graça, e que graça!) a ética foi tratada com destaque. Vamos tentar analisar a relação entre a nossa sociedade e a tal da ética.
Alguns pseudoconhecedores de antropologia dizem que “o brasileiro é assim mesmo. Que roubar é normal. Todos roubam quando chegam ao poder�.
Eu pergunto ao leitor: Você roubaria se chegasse ao poder? Você desviaria dinheiro da saúde, das escolas, ou mesmo da construção de estradas, que, por serem de pior qualidade, causam a morte de milhares de pessoas todos os anos, sem contar os prejuízos econômicos? Claro que deve ter aquele que responde sim.
Mas será que somos todos bandidos? Será que deveríamos transformar nosso país em um imenso presídio, bonito pela própria natureza, onde seremos dignos apenas de suspeita?
Não leitores, não somos isso tudo. Não somos seres rasos, não somos uma “raça� inferior à do primeiro mundo ou das nações que, mesmo mais pobres que a nossa, cultivam princípios morais e éticos, acima de tudo.
Recentemente, no auge da crise do mensalão, o presidente, que deveria zelar pelo cumprimento das regras que norteiam nossa sociedade, disse que “somos todos iguais�, transferindo para a sociedade a crença de que somos mesmo assim. Traduzindo para uma forma chula ou lula, seria como dizer “companheiros, relaxem e gozem, somos todos bandidos�, complementando o que disse seu Ministro do Crime Marcio Thomaz Bastos ao considerar bandido aquele que usa caixa 2.
Na verdade a ética passou a ser um valor que não se mede mais pelas condutas do indivíduo, mas pelo partido ao qual é filiado ou ao qual serve. Por exemplo: É ético roubar, desde que seja para manter o presidente onde ele está; é ético traficar dossiês fajutos, desde que ele sirva ao PT; é ético usar dinheiro ilícito para comprar dossiê ilícito, desde que seja para o benefício do PT; é ético dificultar as investigações de assassinatos se elas atrapalharem a reeleição do presidente companheiro, como quando o governo dificultou nos casos Celso Daniel e Toninho do PT de Campinas.
Logo se vê que os conceitos estão distorcidos.
Desde o mensalão, deputados e senadores foram parar no Conselho de Ética por terem seus assessores envolvidos com dinheiro ilícito. Mesmo que não tenha surtido muito efeito, isso aconteceu. Agora o que me dizem de um coordenador de campanha envolvido com atos criminosos? Por isso é imprescindível que o Senado Federal tome uma postura firme e implacável contra o senador Aloizio Mercadante que teve como coordenador da sua campanha o senhor Hamilton Lacerda, flagrado pelas câmeras de um hotel com malas de dinheiro de origem desconhecida, para entregar à gangue do dossiê. Ora, para coordenar uma campanha não se escolhe um desconhecido, é um cargo da mais alta confiança e entrosamento que beira a cumplicidade. Não é óbvio isso?
Bem, se até aí todos concordaram, então vamos em frente. O recém-eleito deputado federal pelo PT Ricardo Berzoini era Presidente Nacional do PT e coordenador da campanha de Lula. Foi afastado ou afastou-se, depois que foi levantada a suspeita, pela Polícia Federal, da sua participação na gangue do dossiê.
Se existe a lógica para deputados e senadores e seus assessores e coordenadores, essa lógica deve existir para o presidente e seu coordenador.
Se não chegarmos a essa conclusão, que fechemos de vez o portão deste imenso presídio em um berço esplendido, e vejamos quem tem o maior estilete.

Adriana Vandoni
E-mail: avandoni@uol.com.br
Blog: http://argumentoeprosa.blogspot.com

Brasil, visto de frente e sem máscara – autor desconhecido

Filed under: Outros autores — rlaf44 @ 12:22 pm

Brasil, visto de frente e sem máscara – autor desconhecido

Brasileiro é um povo solidário.
Mentira. Brasileiro é babaca mesmo. Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem  história de vida sofrida;
pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;  aceitar que ONG’s de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade; não protestar cada vez que o governo compra um colchão para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.
Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
Fazer piadinha com as imundícies que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo quecontar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema.
Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como
cidadão, ri feito bobo.
Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo - que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente v. irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como aviãozinho do tráfico para ganhar uma grana legal.
Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.
O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei.

A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria  barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.

Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MP), seguido de  duques,
condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados,prefeitos, vereadores).
Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem como único fim, pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense nisso!!!
O famoso jeitinho brasileiro. Em minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um “gato” puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a  felicidade de ter ganhado na loto…malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa…
O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram… Brasil, o país do futuro.
Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo. Deus é brasileiro. Puxa essa eu não vou nem comentar… O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória no primeiro turno do governo mais sujo jamais visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo continuemos fazendo nossa parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente, aí sim
teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: água doce!

Só falta boa vontade.

Será que é tão difícil assim?

Autor desconhecido




Flores para los muertos - Gabeira

Filed under: Outros autores — rlaf44 @ 11:53 am

Flores para los muertos.

Fernando Gabeira

Sempre que os fatos ganham velocidade, costumo comprar um bloco de notas. Anoto frases, idéias, intuições e deixo que se decantem com o tempo. Volto a elas, depois, para rejeitá-las ou desenvolvê-las. A primeira frase que me veio à cabeça foi a da vendedora de flores que encerra um filme.

O pequeno bloco também tem idéias. Por exemplo: comparar a ditadura com o governo Lula. Uma neutralizou o Congresso pelo medo; o outro, pelo pagamento de mesada. Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia, ambos violentaram a democracia reduzindo o Parlamento a uma ruína moral.

Os militares prepararam sua saída de forma organizada. Nem muito devagar para não parecer provocação nem muito rápido para não parecer que estavam com medo. Já o núcleo duro do governo Lula parece perdido, batendo cabeça, ou melhor, enfiando-a na areia, sem perceber que a polícia está chegando e, daqui a pouco, alguém vai gritar na porta do Planalto: “Se entrega, Corisco”.

Quando era menino e vivia em Juiz de Fora, fazíamos rodas de capoeira, bastante rudimentares, confesso. Mas cantávamos: “A polícia vem, que vem brava/quem não tem canoa, cai n’água”.

Tudo isso jorra aos borbotões na minha caderneta. Anotei: chamar alguém do “Guinness”, o livro dos recordes, para saber se algum tesoureiro de qualquer partido do mundo se desloca com batedores de motocicleta e carros clones para iludir perseguidores; se algum tesoureiro partidário se desloca com jatos particulares, semanalmente; se introduz no palácio associação de empreiteiros que receberam R$ 1,1 bilhão de dívidas.

Os militares batiam, davam choques e insultavam na sessão de tortura, mas vi muitos dizendo que me respeitavam porque deixei um bom emprego para combatê-los com risco de vida. Eles viam ideais no meu corpo arrasado pelo tiro e pela cadeia.

O PT queria que eu abrisse mão exatamente da minha alma, e me tornasse um deputado obediente, votando tudo o que o Professor Luizinho nos mandava votar. Os militares jamais pediriam isso. Desde o princípio, disseram que eu era irrecuperável e limitaram-se à tortura de rotina.

Jamais imaginei que seria grato aos torturadores por não me pedirem a alma. Não sabia que dias tão cinzentos ainda viriam pela frente. Que seria liderado por um homem que achava que Maurício de Nassau era um deputado de Pernambuco. Logo eu, que sou admirador de um deputado pernambucano chamado Joaquim Nabuco.

Foram os anos mais duros de minha vida. No meu caderno anoto frases e indicações das semelhanças da luta contra a ditadura e da luta contra este governo, desde que comecei a criticá-lo, com a importação de pneus usados. As pessoas têm suas carreiras, seus empregos, suas racionalizações. É preciso respeitá-las, atravessar o deserto sem ressentimentos.

Agora, sobretudo, é preciso respeitar o sofrimento dos vencidos. Outro dia, quando me referi a um núcleo na Casa Civil como um bando de ladrões que atentava contra a democracia, uma jovem deputada do PT estremeceu. Senti que não estava ainda preparada para essas palavras cruas. E fui percebendo pelas anotações que talvez esteja aí, para o escritor, o mais rico manancial de toda essa crise. Como estão as pessoas do PT? Como se ajustam a essa nova realidade, que destino tomaram na vida?

Procuro não confundir, entre os que ainda defendem o governo, aqueles que são cínicos cúmplices e os outros que apenas obedeceram a ordens sob a forma da aplicação do centralismo democrático. Alguns defendem porque ainda não conseguiram negociar com sua própria dor. Não podem suportá-la de frente. Mas terão de fazer algum dia, porque, por mais ingênuos que sejam, já perceberam que a mãe está no telhado.

Vamos ter de encarar juntos essa realidade. A grande experiência eleitoral da esquerda latino-americana, admirada por uma Europa desiludida com Cuba e Nicarágua, a grande novidade que verteu tintas, atraiu sábios, produziu livros e seminários, vai acabar na delegacia como um triste fato policial de roubo do dinheiro público e suborno de parlamentares.

Só os que se arriscarem a ir até o fundo dessa abjeção, compreendê-la em todos os seus detalhes mórbidos, têm chances de submergir para continuar o processo histórico. Por incrível que pareça, o Brasil continua, e a vontade de mudar é mais urgente do que em 2002. Por isso proponho agora um curto e eficaz trabalho de luto.

Anotação final: começa o espetáculo da CPI, secretárias e suas agendas, ex-mulheres e suas mágoas, arapongas, tesoureiros e seus charutos, vossa excelência para cá, vossa excelência para lá, sigilos bancários, telefônicos, emocionais. Viu, Duda, que cenas finais melancólicas quando um mercador tenta aplicar à complexidade da política a singeleza do vendedor de sabonetes?

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