O consumo e a poupança.
O consumo e a poupança.
Não sou economista, mas tenho lido bastante sobre economia, principalmente sobre a economia dos paÃses emergentes.
Em todas as economias que estão crescendo de maneira coerente e permanente, existe uma formula para o sucesso:
1. A carga tributária máxima para a economia poder crescer é de 25% do PIB.
2. O tamanho da poupança, para um crescimento sustentável é de no mÃnimo 25% do PIB.
3. E o investimento em educação básica de qualidade, nas nações que se sobressaÃram em crescimento permanente foi de no mÃnimo 20% do PIB.
· Ainda neste tópico Educação, o ensino universitário destas nações em crescimento constante é quase todo pago. Quase não existe universidade grátis. As universidades estatais, são mais baratas, têm mais crédito e mais longa forma de pagamento, mas são pagas.
Lula em sua sessão de mágica procurando o PIB que aumentou para tirá-lo da cartola.
Depois que o IBGE inventou a nova forma de se medir o PIB, levando em conta o consumo como um fator relevante do PIB, com a seguinte teoria: “Se consumiu é porque tem, e se tem é porque cresceuâ€?, o crescimento do PIB melhorou um pouco e a carga tributária direta conseqüentemente diminuiu um pouco, de 40% para 38,5%. Mas ainda é altÃssima para proporcionar um crescimento sustentável. Esta enorme carga tributária recai sobremaneira para os assalariados e os empregadores formais e seus empregados, mas também fomenta uma evasão de pagadores de imposto e uma economia informal de tamanho incerto. Se o tamanho da economia informal é incerta, o tamanho do PIB também é incerto. O aumento real dos salários que ocorreu nesta administração foi muito maior do que o crescimento do PIB. Este aumento proporciona mais consumo, mas se foi maior do que o PIB então alguém financiou este aumento. Este alguém foram as classes média B & C que encolheu. Se os programas assistencialistas como a bolsa famÃlia ou bolsa escola melhoraram o consumo, porque as pessoas beneficentes destes programas realmente consomem mais, alguém pagou por estes programas. Foi de novo a classe média B & C.
Moral da história: “ o consumo realmente aumentou mas foi sustentado pelo aumento da carga tributária que também subiu�.
Agora a poupança também aumentou um pouco nesta administração e chegou perto de 18% do PIB. Mas com o aumento artificial do PIB, regrediu para 16,5% do PIB.
Então o Brasil não chega a ter poupança para crescer.
E a educação básica no Brasil, até hoje, pois o presidente lançou um novo programa para a educação e não sabemos como vai ser ainda. Se for uma mágica como o PAC, está natimorta como o PAC. Mas voltando para a educação, o Brasil gastava até hoje uma merreca de 4% do PIB com educação e a maior parte destes recursos iam para o ensino superior gratuito. Se o ensino básico está esquecido, os alunos que chegam até as universidades, são pessoas com pouca cultura e o resultado é que o nÃvel das universidades é muito ruim. Desta forma o crescimento sustentável está muito longe ainda de ser alcançado no Brasil.
Com um presidente, que não tem nenhuma educação, nem ruim nem boa, não gosta de ler e nem vê importância nisto, fala um português atroz, e usa metáforas imbecis o tempo todo, fica mais difÃcil ainda.
Encontrei um artigo bem escrito na internet sobre a diferença entre consumo e poupança e o crescimento resultante.
Eis o artigo:
O que gera crescimento é a poupança, não o consumo
por João Luiz Mauad em 23 de abril de 2007
Resumo: Defender os programas de transferência involuntária de renda como socialmente necessários, é uma coisa. Agora, dizer que estas iniciativas são economicamente producentes e vantajosas é um pouco demais
A mais nova falácia econômica na praça, defendida com energia, bravura e elevadas doses de imaginação por onze de cada dez economistas e jornalistas esquerdistas, prega que os tais programas de transferência involuntária de renda, tipo Bolsa-FamÃlia, Cheque-Cidadão, LOAS, etc., teriam o efeito de “turbinarâ€? o crescimento da economia, através do aquecimento do consumo de baixa renda.
Recentemente, durante a inauguração de uma nova fábrica da Nestlé no Nordeste, o presidente Lula também defendeu o disparate, argumentando que o investimento da multinacional suÃça naquelas plagas nordestinas só teria sido possÃvel graças ao aumento da renda e, conseqüentemente, da demanda na região, aumento este derivado da expansão do programa Bolsa-FamÃlia e das aposentadorias do setor rural. O raciocÃnio (mais uma das muitas corruptelas da teoria keynesiana) parece, em princÃpio, bastante lógico e consistente, no entanto, como diria o grande Bastiat, ele está baseado somente naquilo que se vê e desconsidera todos os efeitos que permanecem ocultos, bem como os de longo-prazo.
O primeiro ponto a destacar é que crescimento econômico é sinônimo de geração de novas riquezas, algo só possÃvel com novos investimentos (uma máxima econômica tão óbvia que nem mesmo os socialistas já ousaram negar). Todo e qualquer investimento, por seu turno, tem como pressuposto básico a formação prévia de poupança, cuja origem está na abstenção voluntária do consumo por parte de alguém, seja ele o próprio investidor ou terceiros. Num certo exagero retórico, Alfred Marshall chegou a dizer que o consumo poderia ser considerado como “produção negativaâ€?.
Pois bem, tomemos o caso da famigerada unidade de produção da Nestlé na Bahia como exemplo. Sua implantação requereu, antes de mais nada, a realização de capital para o respectivo investimento que pode ter sido obtido de três formas distintas, porém não excludentes:
1. Lucros anteriores - e não distribuÃdos - da própria empresa (poupança de antigos acionistas);
2. Captação de recursos no mercado de capitais (poupança de novos acionistas);
3. Captação no mercado financeiro (poupança de terceiros).
O importante a destacar aqui é que a existência e disponibilidade dos recursos alocados no investimento pela Nestlé não guardam qualquer relação, direta ou indireta, com os programas assistencialistas do governo, cuja influência, no caso especÃfico, se deu única e exclusivamente em relação à escolha do local da nova planta, já que pesquisas de mercado muito provavelmente detectaram alguma demanda reprimida naquela região.
A economia é chamada “ciência da escassezâ€? justamente porque os recursos disponÃveis são limitados, enquanto os desejos e necessidades são ilimitados. Dessa verdade, deriva que se não podemos ter tudo o que queremos ou precisamos e estamos forçados, constantemente, a fazer escolhas. Quando a Nestlé utiliza recursos para construir uma fábrica na Bahia, outro(s) investimento(s), desta ou de outra(s) empresas deixa(m) de ser realizado(s). Chama-se a isto de “custo de oportunidadeâ€?. Em outras palavras, o custo de determinado investimento “Xâ€? equivale ao de outro(s) que poderia(m) ter sido realizado(s) - utilizando a mesma poupança - mas não foram, em virtude da escolha “Xâ€?.
Entender este conceito é importante para que possamos inferir algumas outras coisas. Em primeiro lugar, como já foi dito, outro(s) investimento(s) deixaram de ser realizados para que a Bahia ganhasse uma nova fábrica. Quem sabe alguma outra indústria em São Paulo, um novo shopping no Rio de Janeiro, algumas escolas em Pernambuco ou um conjunto residencial em Porto Alegre? Não importa. O certo é que aquele mesmo capital estaria, agora ou em algum momento do futuro próximo, gerando riquezas - e trabalho – de alguma outra maneira, na Bahia ou alhures.
O segundo ponto, este quase sempre negligenciado pela maioria dos opinantes esquerdistas, está relacionado ao efeito altamente recessivo dos programas de transferência de renda - ditos sociais. Estou falando, especificamente, de uma parcela da poupança dos brasileiros que tem se transformado em consumo, no lugar de seguir o seu caminho natural de gerar investimento.
Vamos supor, apenas para efeito de raciocÃnio, que Paulo seja um cidadão de classe média baixa, cujo salário mal dá conta de suas próprias necessidades. Entretanto, com grande sacrifÃcio e esforço ele consegue poupar todo mês uma pequena parte do que ganha para no futuro comprar a casa própria.
Imagine agora que um novo governo tomou posse e, para realizar as promessas de campanha, especialmente a de distribuir renda, tenha implementado um aumento na carga tributária do paÃs de, digamos, 5%. Este aumento – que atingiu Paulo em cheio em função da redução do limite de isenção do IR - conjugado com o aumento generalizado dos preços que ele desencadeou, tornou impossÃvel a Paulo continuar a sua poupança mensal, forçando-o, ademais, a cortar alguns itens de consumo.
Imaginemos ainda que todo o dinheiro tirado, coercitivamente, da famÃlia de Paulo pelo governo seja repassado à famÃlia de Pedro (relembro que falamos apenas hipoteticamente, já que, na vida real, boa parte ficaria retida para pagar as despesas de custeio do próprio governo), beneficiária da “caridadeâ€? pública que o consumirá por inteiro. Temos então a seguinte situação: dos recursos tirados de Paulo por este ente magnânimo e benemerente que é o Estado, uma parte deixou de ser consumida por sua famÃlia e outra deixou de ser poupada. Na outra ponta, os recursos destinados à famÃlia de Pedro serão integralmente consumidos.
Se a transferência de renda aumentou o consumo agregado na Bahia, onde mora Pedro, ele provavelmente diminuiu no Rio de Janeiro, onde mora Paulo. O incremento da demanda por laticÃnios e biscoitos no Nordeste é semelhante à redução da demanda por calçados, camisas ou qualquer outro item, no Sudeste. Se, por um lado, a Nestlé criou alguns empregos na Bahia, a Alpargatas pode ter demitido funcionários em São Paulo, bem como a Hering em Santa Catarina. Lembram-se do custo de oportunidade?
Em termos econômicos, o aspecto mais terrÃvel desta estória, no entanto, não está na alteração dos padrões de consumo, mas no fato, extremamente pernicioso, de que uma parte da poupança privada foi apropriada pelo governo e transformada em consumo, freando novos investimentos e, conseqüentemente, o crescimento.
Defender os programas de transferência involuntária de renda como socialmente necessários, ainda que possamos discordar em seus aspectos morais, é uma coisa. Agora, dizer que estas iniciativas são economicamente producentes e vantajosas é um pouco demais.






























