O outro sonho ou sonho do outro.
O outro sonho ou sonho do outro.
Fico contente que outras pessoas tenham também sonhos para um Brasil melhor.
O movimento está crescendo e este pesadelo que temos atualmente tem que eventualmente acabar.
O movimento “Cansei”, chegou e está tomando corpo, e isto é bom. Eu estou cansado desta situação a pelo menos dez anos e no momento estou totalmente revoltado com o descaso e do cinismo apresentado pelas pessoas que deveriam dar o exemplo dentro do conjunto de representantes e administradores públicos.
Um recente exemplo deste cinismo é o ministro da fazenda com suas desculpas e razões para que o imposto mais nocivo na história do Brasil, muito pior do que o confisco da poupança pelo governo Collor, seja aprovado até pelo menos 2010. Ele diz que o governo não pode abrir mão desta arrecadação em cascata, especialmente neste clima de incerteza global. Antes era a saúde do PAC, e antes do PAC era o rombo da previdência. A verdade é que o governo não para de gastar e gasta mal, com contratações espúrias com criação de ministérios fantasmas, com luxo e riqueza e com cartões coorporativos para sacar dinheiro vivo sem ter que prestar contas.
Outro exemplo recente é o presidente do congresso, a terceira pessoa na linha de representar o Brasil como presidente, que tem tantas ilegalidades atribuídas a ele, e que as provas apresentadas por ele como sua inocência estão agora incriminando mais ainda com crimes comuns, de falsificação, peculato, evasão de impostos, e simplesmente mentiras ao congresso, que agora se vendo perdido dentro do conselho de ética, onde as provas de tantos crimes e mentiras não poderão arquivar o caso sem uma revolta popular, ele anda negociando uma saída mais branda como uma suspensão por seis meses e pronto está tudo resolvido. Estou revoltado com isto e se acontecer, tem mais é que fazer uma demonstração cívica de com dois milhões de brasileiros cansados, tomarem o congresso e fazer valer a justiça comum e colocar este pilantra na cadeia por muito tempo.
Outro exemplo um pouco mais antigo e que recentemente voltou às manchetes, foi os dois perdões e arquivamento dos casos de Jader Barbalho e Paulo Maluf. Estes casos, que tinham provas inegáveis de peculato e roubo descarado do dinheiro público foram mantidos fora das cortes por tanto tempo que os crimes prescreveram e foram arquivados sem que nenhum centavo roubado fosse recuperado. Esta impunidade tem que terminar de alguma forma. Tem que haver uma mudança nas leis que nos casos de dinheiro público roubado ou desviado, os julgamentos têm que ser céleres e os crimes sem prescrição e com tempo de prisão mandatório. Chega de impunidade.
E agora tem gente no Senado Federal, que está sonhando também, na semana passada o Senador Pedro Simon, falou abertamente da necessidade de pessoas mais jovens se revoltarem e saírem às ruas com uma demonstração de “BASTA” e mudarem as regras atuais de maneira real e verdadeira. Esta demonstração coincidiu com a reforma política sobre a fidelidade partidária. Foi aprovada em congresso uma reforma que legitima a infidelidade partidária, dando data e hora para acontecer. Uma verdadeira vergonha, onde por respeito ao eleitor, a fidelidade partidária deveria ser exatamente isto, mudou de partido perdeu o mandato até a próxima eleição.
E agora o Senador Cristovam Buarque, também cansou e estou reproduzindo o seu artigo retirado do Blog do Noblat:
Cristovam Buarque, Blog do Noblat
Eu também cansei de gente que só quer levar vantagem, do governo paralelo dos traficantes, de pagar tantos impostos para nada, de tanta impunidade, de tanta burocracia, do caos aéreo, de CPIs que não dão em nada, de ver crianças nas ruas e não nas escolas, de presidiários falando ao celular, de empresários corruptores, de ter medo de parar no sinal, de bala perdida, de tanta corrupção, de achar isso tudo normal, de não fazer nada. (Publicidade do movimento cívico pelo direito dos brasileiros.)
Cansei também dos apagões nas paradas de ônibus, onde milhões de trabalhadores e estudantes esperam por transporte, debaixo de sol e de chuva, sob ameaça de assaltos, sem ter a quem reclamar e sabendo que sua tragédia será ignorada nos jornais. Do apagão da saúde nas filas dos hospitais, na cara doente do povo, no olhar de crianças assustadas e mães angustiadas. Cansei da desigualdade com que a tragédia escolhe seus portadores, poupando os que podem comprar remédios, médicos, advogados, até alguns anos de vida, prorrogando a própria juventude.
Cansei dos que estão cansados com aviões atrasados, mas sempre se omitiram ante um país que não decola, por causa da omissão e equívocos, da falta de patriotismo e de prioridades. Cansei da tolerância passiva ante os dois muros nos quais o Brasil esbarra: o muro do atraso e o muro da desigualdade.
Cansei do país campeão mundial da concentração de renda. E da burrice institucional que mede o progresso pelo número de carros engarrafados em ruas apinhadas.
Cansei dos que gritam e esperneiam contra a corrupção no comportamento individual dos políticos, mas usufruem da histórica corrupção nas prioridades da política. Cansei da humilhação dos baixíssimos salários dos professores, mas também das direções sindicais que não se ocupam da tragédia das escolas fechadas, por causa da guerra civil dos morros ou de greves intermináveis, pura e simplesmente.
Cansei dos artistas e apresentadores que se dizem cansados da corrupção mas que sempre votaram em corruptos, e que votarão neles novamente nas próximas eleições, pois preferem um corrupto amigo a um honesto que não é de sua turma. Cansei dos publicitários que se cansaram da corrupção, mas que na próxima eleição farão alegremente a campanha dos corruptos que lhes pagarem bem. Cansei do marketing político que ganha para nos enganar e usa os ganhos para nos enganar ainda mais.
Cansei da política que nos ilude com ciclos econômicos que pouco deixam para a nação, como os do açúcar, do ouro, do café, da borracha, do algodão, da soja, da industrialização, e que agora nos iludirá novamente com o etanol. Cansei da miopia dos que se negam a ver a oportunidade, e dos que não querem tomar as devidas precauções.
Cansei de um país que se diz sem racismo, mas não aceita o uso de cotas para aumentar o número de estudantes negros na universidade. Também cansei do elitismo do movimento negro que se interessa somente nas cotas para os poucos que querem entrar na universidade, mas ignora os milhões de pobres – negros ou brancos – abandonados no caminho educacional, antes de concluírem o ensino médio.
Cansei da acomodação dos milhões de pobres que aceitam que seus pais e mães morram nas filas dos hospitais, porque a cura depende de poucos reais que eles não têm, e que sacrificam passivamente o futuro dos seus filhos, em escolas sem qualidade. Parece que acreditam que saúde e educação são direitos reservados por Deus apenas aos ricos.
Cansei, acima de tudo, da aparente impossibilidade de colocarmos juntos os cansados, que têm medo de perder seus privilégios, e os pobres, acomodados na sua falta de direitos. Cansei, mais ainda tenho esperança de que um dia os cansados tenham patriotismo e os acomodados tenham consciência. E que juntos lutem por um país com uma escola boa para cada criança, independentemente da cidade ou da família em que tenha nascido.
Cansei também de tanta gente achar que isso é um sonho impossível. Cansei, mas não me desesperei, ainda.
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)

























