Blog do Roberto Leite

January 25, 2007

Comentários PAC.

Comentários PAC - III

Esta a visão de Carlos Chagas, conseguindo ver através da neblina que é o PAC, um ângulo diferente onde o governo do povo esqueceu do povo.

Como publiquei a coluna inteira, tem uma parte que fala das eleições na câmara.

A minha modesta opinião é que democraticamente a única opção para presidente da câmara é realmente o Gustavo Fruet.

Não por ser ele um grande político ou uma sumidade qualquer, pois eu não sei muito sobre ele, mas ele representa uma mudança de direção na Câmara e a única esperança de resgate da ética necessária para o congresso poder trabalhar. Os outros dois candidatos são as cartas marcadas dentro do baralho.

Quando vejo o sorriso cínico do Chináglia, com seu canino faltando, eu vislumbro a dança da pizza da Ângela Pizzaiola.

No Aldo Rebelo, com sua cara de bom mocinho e seus modos maneiros e educados, eu vejo também o cinismo da tentativa de dobrar os salários, e quando viu que não dava mesmo, saiu com a famosa pérola de que reconhecer o erro é uma virtude. Pode até ser, mas neste caso, ele já sabia que esteve errado antes de começar e assim mesmo tentou.

Outro aspecto negativo da eleição do Aldo, é que ele é uma extensão do executivo, um apêndice do Lula, e isto na posição de presidente da Câmara, é uma relação promíscua, onde a separação dos poderes deve ser a norma.

O governo edita medidas provisórias em ritmo alarmante. Ou melhor, governa por medidas provisórias. Estas medidas, algumas muito necessárias, diga-se de passagem, em sua maioria poderiam ser projetos de leis oriundas no próprio congresso. Tendo um sócio dentro da câmara, fica mais fácil legislar e governar por medidas provisórias, pois estas avaliações são menos criteriosas do que os projetos oriundos na casa que têm que seguir rumos como comissões ETC.

Leia o artigo do Carlos Chagas:

Ainda esperando

BRAS�LIA - Parece mais do que louvável ordenar e sistematizar a utilização de R$ 502 bilhões em investimentos, como apresenta o Programa de Aceleração do Crescimento. Realizar faz parte de outro capítulo, há que aguardar.

O problema do pacote de segunda-feira é outro: diretamente, não tomou conhecimento do cidadão comum, aquele sobre o qual recai a perversa carga tributária e não dispõe de qualquer tipo de desoneração, como as empresas. Ao contrário, o PAC arrochou vencimentos do funcionalismo e do assalariado, que de agora em diante só poderão ser reajustados pelos índices da inflação mais 1,5%.

Uma vez perguntaram ao presidente Juscelino Kubitschek por que ele não cuidava do cidadão comum, preocupado apenas em realizar grandes obras. Ele retrucou com simplicidade: para quem estou fazendo tudo isso? Para os fenícios?
Lula pode dizer que os investimentos criarão empregos e irão melhorar a infra-estrutura, ou seja, beneficiarão o povo. Pode estar certo, mas se as empresas receberam benesses, o cidadão comum ficou de mãos abanando.

O governo Lula se diz “dos trabalhadores”. E os trabalhadores buscam melhorar de vida. Entenderam muito pouco do PAC, talvez apenas a reação das lideranças sindicais contra a utilização de 10% do FGTS em investimentos não relacionados com a construção de moradias e saneamento básico. Também, não precisam preocupar-se. Que operário ou camponês terá condições de entrar na Bovespa para aplicar o fundo, comprando ações de empresas empenhadas em obras de infra-estrutura? O cidadão comum continua esperando…

Correndo por fora

Dos 66 deputados federais eleitos pelo PSDB, é provável que Gustavo Fruet conte com o voto de pelo menos 60. Dos 65 do PFL, quem sabe 50 venham a votar nele? Partindo da base de 110 deputados, a ela agregando integrantes de outros partidos, mesmo alguns do PMDB, do PP, do PR, do PDT, do PTB e do Psol, só para ficar nestes, é possível que o parlamentar paranaense encoste nos 200 votos.

Sua luta será contra Aldo Rebelo. Imaginando-se que Arlindo Chinaglia não consiga os 257 votos, a metade mais um dos 513 deputados, a indagação é a respeito de quem o candidato do PT enfrentará no segundo turno. Pode ser Gustavo Fruet, e aí a situação complicará para o governo. Uma derrota na Câmara, logo depois da divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento, equivalerá a uma ducha de água fria.

Os debates vão começar. Sexta-feira, no auditório da “Folha de S. Paulo”, segunda-feira através da TV-Câmara. Para o povão, assim como para a maioria dos leitores do matutino paulista, interessará muito pouco o entrevero entre os três candidatos. O público alvo são os 510 deputados colados nas telinhas ou tomando o café da manhã com a “Folha” nas mãos.
Renunciando, como devem renunciar, a patrocinar o aumento de 91% nos vencimentos parlamentares, e preocupados com os efeitos na opinião pública de promessas sobre o projeto de anistia a José Dirceu, Chinaglia, Aldo e Fruet debaterão mais preocupados em não perder do que em conquistar votos. Porque a maioria da Câmara, se quer reajustes gordos, rejeita a benesse capaz de levar o ex-chefe da Casa Civil a disputar as eleições de 2008 ou 2010.

Nada está acertado. Para preocupação do Palácio do Planalto.

Platéia desinteressada

O presidente Lula estará, depois de amanhã, em Davos, na Suíça, discursando mais uma vez para os representantes dos países ricos. No primeiro ano do primeiro mandato, tentou vender o Plano de Combate à Fome e foi ouvido com desinteresse. Melhor dizendo, a platéia estava interessada em ver de perto o operário que tinha se tornado presidente da República, dando de ombros para sua proposta, que afinal nem no Brasil vingou.

Agora, no primeiro ano do segundo mandato, Lula terá outro plano a apresentar. Não deixará de falar no PAC, quando nada para demonstrar que nosso País continua a seguir as diretrizes neoliberais determinadas pelos poderosos. Mas se insistir em detalhar as medidas propostas para retomar o crescimento econômico, enfrentará o mesmo fastio de quatro anos atrás.

Com todo o respeito, os presidentes e primeiros-ministros dos países ricos olharão para o nosso presidente como se olha a girafa no Jardim Zoológico. Querem mesmo é tratar da multiplicação de sua riqueza. Pergunta-se: Lula deveria mesmo ter programado essa viagem a Davos?


This is some text prior to the author information. You can change this text from the admin section of WP-Gravatar Roberto Leite de Assis Fonseca é um pequeno empresário (muito pequeno) em Brasília DF. Natural de Juiz de Fora - MG, foi criado em BH até os 22 anos, quando foi para os EEUU, onde terminou sua educação. Com 62 anos, tem uma família recente (única família) e jovem. Não tem interesses políticos, e o seu maior interesse, é mostrar a desmoralização da situação atual do país numa tentativa de melhorar o nosso futuro. Minha plataforma é a educação até o segundo grau, que tem que melhorar muito, antes que o Brasil possa também ter uma melhora consistente.


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